Divulgação/Conmebol
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Conmebol adota árbitro de vídeo e pretende padronizar estádios

Entidade vai utilizar a novidade nas semifinais e finais da Libertadores e nos dois jogos da decisão da Copa Sul-Americana

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2017 | 07h02

Enquanto a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vem adiando a adoção da tecnologia da assistência arbitral por vídeo (VAR, na sigla em inglês), a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) anunciou que vai utilizar a novidade nas semifinais e finais da Copa Libertadores deste ano e na decisão da Copa Sul-Americana.

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A iniciativa é um primeiro passo para que a utilização das imagens das partidas durante os duelos se torne mais frequente. “Ninguém está colocando o árbitro de vídeo para fazer política, é algo sério. Claro que os erros vão seguir, mas os árbitros passarão a ter um ‘seguro’ contra grandes erros”, explica Wilson Seneme, presidente da Comissão de Árbitros da Conmebol. “A gente espera que todo mundo siga vibrando com o futebol. Queremos minimizar os erros claros, as polêmicas de boteco vão continuar existindo.”

A entidade não revela quanto será investido no projeto, que ela mesmo chama de experimental. Recentemente, a Conmebol conseguiu uma redução no imposto para a entrada dos equipamentos nos países que receberão os jogos – foi contratada uma empresa, a Mediapro, que tem experiência no ramo.

Para a próxima edição da competição já existem algumas pendências que vão servir de parâmetros. A começar pela iluminação dos estádios. Os campos que tenham holofotes mais precários precisarão fazer uma modernização para se adequar às exigências do VAR.

Assim, é possível que os estádios tenham de se adequar a essas exigências para receber as partidas, da mesma forma que precisam ter uma capacidade mínima de público, por exemplo. Então, se a Conmebol adotar o VAR no próximo ano na primeira fase da Libertadores, os campos terão de passar por inspeções. Se não forem aprovados, os clubes terão de mandar jogos em outros locais.

Nuno Pereira, gerente de projeto da Mediapro, lembra que em cada estádio haverá o VOR (Video Operation Room), um espaço onde os profissionais analisam as imagens e se comunicam com a arbitragem do jogo. “Ninguém pode entrar lá, só quem faz parte do processo. Tudo lá dentro é filmado, inclusive com as vozes”, avisa.

Em Portugal, eles criaram um espaço fixo para receber as imagens de qualquer partida, que são transmitidas por fibra óptica. Mas na América do Sul isso será complicado. Então, buscaram uma solução ao lado dos estádios. “Vamos levar o VOR em um contêiner com um carro móvel, que vai ficar junto do carro de transmissão, ligado por cabo direto. Não haverá delay das imagens”, garante Pereira.

Segundo Seneme, a Conmebol quer dar mais transparência ao futebol. “É a mínima interferência para ter o máximo benefício. O árbitro tem de estar convencido de que isso é bom para ele. Vai ter alguém que vai salvar sua carreira, o jogo, o investimento dos clubes e a paixão do torcedor. É para evitar somente os grandes erros”, conclui.

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