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Amarildo é a solução

O Estado de S. Paulo

11 Junho 2014 | 16h 02

O reserva que fez o mundo esquecer a contusão de Pelé

 SÃO PAULO - Uma notícia boa e outra péssima no início da campanha do Brasil na Copa do Mundo de 1962, no Chile. Derrotou o México na estreia por 2 a 0, mas perdeu Pelé por contusão no segundo jogo da fase inicial. A maior estrela do Brasil estava fora prematuramente do Mundial.

Amarildo entrou no lugar de Pelé. Havia, no entanto, a desconfiança de que não teria condições de substituir o melhor jogador do planeta. O Estadão noticiou pouco antes do campeonato mundial, inclusive, que a convocação de Amarildo estava longe de ser unanimidade.

Veio a desconfiança. Mas já no confronto seguinte, ante a Espanha, Amarildo demonstrou ser a resposta certa para o grande baixa da seleção brasileira. Fez os dois gols no triunfo duríssimo por 2 a 1 e garantiu a classificação à próxima fase. Mesmo assim teve sua atuação criticada nas páginas do Estadão. "Fraquíssimo no primeiro tempo, quando demonstrou nervosismo."

Na semifinal, diante dos chilenos, a avaliação de Amarildo começou a melhorar, porém ele ainda era eclipsado por Garrincha, que marcou os dois primeiros gols da goleada por 4 a 2. "Garrincha, Vavá (autor dos outros dois tentos) e Amarildo, especialmente o primeiro, foram suficientes para, com habilidade e astúcia, deixar a descoberto as falhas da defesa chilena", relata o Estadão no dia 15 de junho de 62.

Mas é a única citação que Amarildo recebe no texto. Mesmo sem estar em campo, Pelé estava no título da reportagem: "Além de Pelé, mais 4 estão contundidos."

Mas se os gols em cima da Espanha e a boa atuação diante do Chile não bastaram para Amarildo convencer, na decisão da Copa veio sua consagração. Foi dele o gol que abriu o placar para o triunfo por 3 a 1 contra a Tchecoslováquia.

Arquivo/AE
Amarildo foi peça fundamental na conquista do bi

O Brasil conquistou o bicampeonato mundial e, enfim, não pairava mais qualquer dúvida sobre a importância de Amarildo. Junto com Garrincha, ele acabou como um dos mais aplaudidos pelo público na recepção da delegação em Brasília, relatou O Estado de S. Paulo. E por suas atuações, o substituo de Pelé recebeu o apelido de "Possesso".

Amarildo defendia o Botafogo. Compunha junto com Garrincha, Quarentinha e Zagallo, um ataque formidável. Marcou 135 gols em 231 partidas. No ano seguinte à Copa foi contratado pelo Milan, onde jogou até 1967. Ainda na Itália, passou Fiorentina e Roma. Em 1974 encerrou a carreira no Vasco da Gama.

Em 2008, aventurou-se como técnico do América-RJ. Durou uma semana. Em reportagem na edição de 31 de janeiro de 2008, sob o título "A revolta do Possesso", o Estadão conta que Amarildo fez jus à alcunha herdada de 62 após saber que fora demitido pelo clube carioca."Aqui não melhora nada", gritava ao sair do vestiário, descreveu o jornal.

Mas não foi como treinador e sim como jogador que Amarildo brilhou no futebol, especificamente em 1962, sua única Copa. Merecidamente, foi homenageado como um dos embaixadores do Brasil para a Copa de 2014 e pôde, desta vez realmente de forma discreta, sentir de novo o gostinho da competição que o consagrou.