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Copa 2014

Argentina vence Bélgica e chega à primeira semifinal desde 1990

Gonçalo Junior, enviado especial a Brasília - O Estado de S. Paulo

05 Julho 2014 | 15h 12

Gol de Higuaín no início do jogo garante vitória sobre a Bélgica

Atualizado às 19:58

Depois de 24 anos, a Argentina está de volta a uma semifinal de Copa do Mundo. A minguada e sofrida vitória sobre a Bélgica por 1 a 0, no Estádio Mané Garrincha, encerrou o trauma das duas eliminações nas Copas de 2006 e 2010, ambas nas quartas de final. Com Messi bem marcado e perdendo uma chance clara nos acréscimos e Di María substituído por lesão muscular, foi a vez de o atacante Gonzalo Higuaín fazer o gol e ser o herói do jogo. Vitória histórica para os argentinos, que enfrentam a Holanda na próxima fase, às 17h, na Arena Corinthians, na quarta-feira.

O técnico Alejandro Sabella começou o jogo com duas mudanças importantes no sistema defensivo. A primeira, obrigatória, foi a entrada de Basanta no lugar de Marcos Rojo, suspenso pelo segundo cartão amarelo. A segunda, essa sim, fez parte da estratégia de fortalecer o meio. Fernando Gago, bom passador, mas marcador razoável, foi substituído por Lucas Biglia. Sabella mostrou preocupação com o sistema ofensivo belga.

Argentina x Bélgica
Ballesteros/EFE

Com o 1 a 0, a Argentina é terceira seleção classificada para as semifinais, e aguarda o resultado de Holanda x Costa Rica

Como nos outros jogos, a Argentina conseguiu ficar com a posse de bola no início do jogo. Isso é considerado fundamental para o treinador argentino. Com o time resguardado na defesa, podia atacar. Di María, sem posição fixa, confundia a zaga e se tornava o protagonista, driblando e tentando finalizar.

Começou em seus pés a jogada do gol. Higuaín pegou o rebote dos zagueiros e chutou de dentro da área aos 8 minutos. Com o tento, o atacante encerrou um jejum de 83 dias sem marcar. Nesse período, no entanto, ele teve de se recuperar de uma séria contusão muscular que o tirou dos últimos jogos preparatórios para a Copa e comprometeu sua movimentação nos últimos jogos. Finalmente, brilhou o artilheiro do Campeonato Italiano.

O gol marcado logo cedo fez surgir uma Argentina segura de si, que recuava a bola para recomeçar a jogada e era senhora do jogo. Repetia-se o cenário da estreia quando a equipe de Messi começou marcando sobre a Bósnia e fez um jogo mais confortável taticamente. Além disso, a entrada de Biglia tornou o time mais protegido. O antigo titular, Fernando Gago, saía muito e se tornava quase um meia.

A Bélgica demorou um pouco para se recuperar do golpe tão no início. Mas, como o técnico Marc Wilmots havia prometido, foi ao ataque. Com a organização de Fellaini, a equipe ousou equilibrar a posse de bola, e De Bruyne exigiu grande defesa de Romero, aos 27. Outro lance perigoso foi a cabeçada de Origi, aos 41.

Com a Bélgica avançando, a Argentina encontrava espaço para jogar com velocidade nos contra-ataques, algo raro nos últimos jogos. Isso aconteceu no lance em que Messi fez lançamento preciso para Di María, mas, na finalização, a bola explodiu no zagueiro em Kompany.

O sol a pino prejudicou as duas equipes. Escaldada - literalmente - pelo quarto jogo no horário do almoço, a Argentina preferiu a cadência. Em pelo menos três momentos, Messi trocou a arrancada pelo toque de lado. A Bélgica não teve o entusiasmo e a força física da vitória contra os Estados Unidos, por exemplo. Foi muito bem-vinda a parada para reidratação pedida pelo árbitro Nicola Rizzoli.

Outro fator que freou o ímpeto argentino foi a contusão de Di María. Aos 33 minutos, ele sentiu uma lesão muscular e foi substituído. A equipe perdeu em movimentação e dinamismo na frente. Assim como havia acontecido nos outros jogos, Di María vinha sendo o segundo melhor do time, logo depois de Messi. 

DIFERENCIAL

A principal diferença entre a Argentina e as seleções que ela enfrentou nos outros jogos é a quantidade de bons jogadores de ataque. Quando um não está bem, o outro vai lá e resolve. Com Messi muito bem marcado por Witsel - sua única participação importante no jogo foi uma falta cobrada perto do ângulo - Higuaín assumiu a posição de destaque que não havia assumido em nenhuma outra partida.

Além de ter anotado o gol, arriscou algumas jogadas individuais, arrancando do meio. Foi assim que colocou a bola entre as pernas do zagueiro Compay e acertou o travessão aos 11 do segundo tempo. Quando foi substituído por Fernando Gago, aos 35, foi ovacionado.

A substituição deixou claro que Sabella não considerava o segundo gol uma prioridade. Ficou com três volantes e deixou no ataque apenas Messi e Palacio, que havia entrado no lugar de Lavezzi.

Faltava uma faísca para que a Bélgica deixasse o jogo com mais um final eletrizante na Copa. Lukaku e Fellaini tiveram chances, mas esbarraram na zaga, finalmente, segura. Os argentinos previram o pior quando Messi perdeu uma chance na cara de Courtois nos acréscimos. Mas soltaram o grito preso há 24 anos no apito final. O sonho do tri está vivo.

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