Colômbia derrota Uruguai e encara o Brasil nas quartas

Equipe de James Rodriguez, artilheiro da Copa do Mundo, alcança quartas de final do torneio pela primeira vez na história

Luís Augusto Monaco - Enviado especial ao Rio de Janeiro, O Estado de S. Paulo

28 Junho 2014 | 19h00

Colômbia entrou no caminho do Brasil em grande estilo. Num Maracanã que parecia um pedaço de Bogotá, tamanha era a superioridade de sua torcida nas arquibancadas, a equipe ganhou com autoridade – e sem sofrer – do Uruguai por 2 a 0 e chegou às quartas de final de um Mundial pela primeira vez em sua história. A Celeste, desta vez, sucumbiu no palco de sua maior conquista.

Foi o triunfo de um time que joga futebol sobre um que esperava se impor apenas com luta e cara feia, porque jogo, que é bom, esta seleção uruguaia mostrou bem pouco. Mas não houve nem como lutar, porque a Colômbia teve o controle da partida do primeiro ao último segundo e tocou a bola com enorme consciência.

Os gritos dos torcedores uruguaios, que tão importantes haviam sido para empurrar os jogadores na vitória sobre a Itália, em Natal, ontem foram abafados pela massa que pintou o Maracanã de amarelo – com o reforço de brasileiros, é verdade, mas colombiana em sua esmagadora maioria. E quando conseguiam se fazer ouvir, os uruguaios gritavam o nome de Suárez – o maluco que deixou a equipe à deriva por causa da mordida em Chiellini, atitude que o alijou do Mundial

Sem força no ataque, porque Forlán é uma caricatura do jogador que foi eleito o melhor da Copa passada e o meio-campo não via a bola, que corria de pé em pé do lado colombiano, o Uruguai apenas assistia a Colômbia jogar. Aos 22 minutos, talvez impressionada com o número, a TV da Fifa colocou nos telões do estádio, para o mundo inteiro ver, que os colombianos tinham ficado com a bola 70% do tempo até aquele momento.

A equipe montada pelo argentino José Pékerman não dava chutão. Trocava passes com segurança e tinha a ousadia do versátil Cuadrado para tentar abrir espaços na base do drible, porque ele vivia indo para cima dos uruguaios. Sempre na vertical, sempre na direção do gol, pela direita ou pela esquerda.

O domínio colombiano recebeu o prêmio merecido aos 27 minutos, quando James Rodríguez fez um daqueles gols que todo jogador já sonhou fazer numa Copa do Mundo: matada no peito com classe e, antes que a bola tocasse a grama, uma bomba no ângulo.

O Uruguai tentou reagir, mas não sabia como. Pelo alto, uma arma que o ajudou em outras partidas (como contra a Itália, por exemplo), era quase impossível, porque a zaga colombiana formada por Zapata (1,87m) e o veterano Yepes (1,86m), de 38 anos, era soberana. Por baixo, não conseguia trocar três passes seguidos com objetividade. E, pelos lados, o ponto vulnerável da defesa da Colômbia, seus laterais não produziam nada.

Tabárez não desmanchou sua linha de três zagueiros no intervalo nem tentou uma mexida para dar mais lucidez ao meio-campo ou força ao ataque. Parecia acreditar que o peso da camisa azul-celeste bastaria para mudar o jogo. Mas logo percebeu que não seria assim, porque nem sempre pode ser assim contra um time melhor.

Aos quatro minutos, depois de uma jogada bem costurada na frente da área uruguaia, o ótimo James Rodríguez mandou a bola para o fundo da rede – seu quinto gol na Copa, que o transforma no novo artilheiro do torneio. E liquidou a fatura.

O técnico uruguaio fez, aos sete minutos, as mudanças que deveria ter feito quando ainda perdia só por 1 a 0. E, claro, não deram resultado. Sua equipe já estava entregue.

Sem gracinhas. Com personalidade, sem as firulas que costumavam prejudicar a equipe e despertar os adversários, a Colômbia colocou o Uruguai no bolso. Jogou como gente grande, com juízo e qualidade, e fez sua torcida cantar sem parar.

Quatro vitórias em quatro jogos numa Copa não é para qualquer um. E esta Colômbia de James Rodríguez e Cuadrado, mas principalmente de um treinador que soube unir à conhecida qualidade técnica dos jogadores do país a consciência tática e a responsabilidade que costumavam lhes faltar nos momentos decisivos, não é qualquer um. É um time que diverte e se diverte – e que coloca os adversários em apuros.O Brasil que se prepare bem, porque sexta-feira, dia 4, a encrenca será grande.

FICHA TÉCNICA

COLÔMBIA 2 x 0 URUGUAI

COLÔMBIA - Ospina; Zuñiga, Zapata, Yepes e Armero; Carlos Sánchez, Aguilar, Cuadrado (Guarín), James Rodríguez (Adrian Ramos) e Jackson Martínez; Teófilo Gutiérrez (Mejía). Técnico: José Pekerman.

URUGUAI - Muslera; Cáceres, Giménez, Godín, Álvaro Pereira (Ramírez); Maxi Pereira, Álvaro González (Abel Hernández), Arévalo Ríos, Cristian Rodríguez; Cavani e Forlán (Stuani). Técnico: Óscar Tabárez.

GOLS - James Rodríguez, aos 27 minutos do primeiro tempo; James Rodríguez, aos 4 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS - Armero (Colômbia); Lugano (no banco) e Giménez (Uruguai).

ÁRBITRO - Bjorn Kuipers (FifaHolanda).

RENDA - Não disponível.

PÚBLICO - 73.804 presentes.

LOCAL - Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ).

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