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Copa 2014

Crianças sofrem com derrota do Brasil, mas podem aprender

Pais tentam explicar para pequenos que ainda haverá outras Copas

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Edison Veiga,
O Estado de S. Paulo

10 Julho 2014 | 05h00

Depois da tragédia, do vexame, da vergonha, é hora de levantar a cabeça e seguir em frente. Nem que seja para dar exemplo para a criançada - quem curtiu pela primeira vez uma Copa sentiu ainda mais os 7 a 1 para a Alemanha.

"Eu estava assistindo ao jogo com a minha filha (Cecília, de 7 anos). Quando saiu o terceiro gol, ela começou a chorar. O segundo tempo, nem viu: foi ver desenho no quarto", conta o administrador de empresas Conrado Cacace, de 43 anos. "É complicado porque, para ela, isso é a primeira noção de nacionalidade. É um pouco de confusão que as crianças fazem, de achar que a seleção brasileira é o próprio País." Ontem, 24h após a partida, a menina já estava mais conformada.

"Fiquei muito triste, quase morri. Eu pensei em chamar a polícia", diz o pequeno André, de 5 anos. "Ele está mais tranquilo, já aceitou", completa o pai, o farmacêutico Jaime Berenstein, de 42 anos - a família passou a tarde em um shopping.

De acordo com especialistas, o jeito é mostrar para as crianças que há um horizonte além da derrota. "Não existe solução maluca, não dá para negar a frustração. Mas é preciso mostrar que há outras perspectivas", explica o psicólogo Carlos Eduardo Carvalho Freire, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ele viveu isso na pele também. Sua filha Sofia, de 6 anos, ficou muito decepcionada com a derrota. "Um dia depois ela já estava querendo se vestir de cor de cenoura para torcer pela Holanda."

Assistir ao jogo entre Argentina e Holanda no Itaquerão foi a maneira que a família de Teresa, de 13 anos, encontrou para "curar as mágoas". "Eu disse que ela vai ter ainda muitas Copas pela frente e vai poder ver o Brasil campeão", diz a mãe, a jornalista Márcia Cunha, de 50 anos. "O Brasil perdeu, mas bola pra frente: a Copa continua", completa Teresa, bem resolvida.

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