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Eterno 'Furacão'

O Estado de S. Paulo

13 Junho 2014 | 14h 58

A trajetória do jogador com um recorde impressionante das Copas

SÃO PAULO -  Jair Ventura Filho chegou ao México como Jairzinho e saiu como "Furacão da Copa de 70". Graças a um recorde que perdura até hoje.É o único atleta que balançou as redes em todos os jogos de um Mundial, da estreia à decisão. Foram sete gols em seis partidas na campanha 100% do tricampeonato.

Gols que fizeram história também pela beleza.Dois deles marcados na goleada da estreia por 4 a 1 sobre a Tchecoslováquia. No primeiro, Jair "chapelou" o goleiro Viktor, matou a bola no peito e chutou forte para o gol vazio.

No seu segundo, avançou do meio-campo em direção à área driblando quem aparecia pela frente."Jairzinho faz o quarto gol e começa o Carnaval", é o título de uma das seis páginas dedicadas pelo Estadão à cobertura da Copa de 70 no dia 4 de junho. E o comparou ao craque de 1962: "Levou quase todo o time tcheco na corrida e chutou com raça contra o goleiro. Neste gol o torcedor paulistano lembrou de Garrincha".

Pouco antes do Mundial Jairzinho nem sequer tinha lugar garantido entre os titulares. Lutava pela vaga na ponta-direita com Rogério, colega de Botafogo. No primeiro semestre de 1970, a seleção disputou cinco amistosos - em três Jairzinho foi escalado na posição. Rogério ocupou o posto em duas.

Mas a 15 dias do Mundial Rogério se contundiu. Estava resolvida a dúvida do técnico Zagallo. "Rogério não suporta e chora com Jair no final", noticia o Estadão no dia 14 de maio de 1970. "Rogério tentou, mas não conseguiu esconder sua tristeza. Ao encontrar Jairzinho,abraçados, os dois choraram à vontade", descreve o texto sobre o pedido de dispensa.

Teria Rogério conseguido ser tão decisivo como Jairzinho? Difícil. Da segunda rodada em diante, o Furacão fez um gol por jogo. O da vitória por 1 a 0 sobre a Inglaterra ele considera o mais importante. "Foi a partida de maior dificuldade e, na minha opinião,Banks e Félix (os goleiros) foram os melhores em campo", afirmou o jogador ao Estadão em reportagem do dia 30 de abril de 2006.

Arquivo/AE
Jairzinho fez sete gols em seis jogos na Copa de 70

 Não apenas pela relevância, na época o jornal destacou em título a bela composição do tento. "Todo o ataque no gol que nos deu a vitória", referindo-se aos passes de Tostão e Pelé até a finalização certeira de Jair.

Contra o Uruguai, na semifinal, o Brasil saiu perdendo. Jairzinho desempatou, após Clodoaldo marcar o primeiro, no final do primeiro tempo. "Fiz um gol de 80 metros. Iniciei a jogada no nosso campo, arranquei, teve uma troca de passes e apareci para a conclusão. Gosto desse gol. Mas o duelo contra o Uruguai não foi o mais complicado, como muitos pensam. O time deles era fraco. Tanto que apelaram para a violência e não nos abalaram", lembra na entrevista concedida para O Estado de S. Paulo.

Na final veio o mais espetacular triunfo brasileiro: 4 a 1 em cima da Itália. O Estadão abriu a principal reportagem sobre a conquista com elogios da imprensa italiana. Um deles era: "o Brasil foi um furacão irresistível". Talvez daí, dos próprios rivais derrotados, tenha vindo a inspiração para o locutor Geraldo José de Almeida criar o codinome do artilheiro do Brasil.

Na final veio o mais espetacular triunfo brasileiro: 4 a 1 em cima da Itália. O Estadão abriu a principal reportagem sobre a conquista com elogios da imprensa italiana. Um deles era: "o Brasil foi um furacão irresistível". Talvez daí, dos próprios rivais derrotados, tenha vindo a inspiração para o locutor Geraldo José de Almeida criar o codinome do artilheiro do Brasil.