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Copa 2014

Felipão trabalha física e psicologicamente para exorcizar Copa de 1950

Robson Morelli - Enviado especial a Teresópolis - O Estado de S. Paulo

08 Junho 2014 | 07h 00

A dias da abertura, treinador tenta tirar peso da derrota de 64 anos atrás das costas dos jogadores do atual grupo da seleção brasileira

Nesses quatros dias que faltam para a estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo, Felipão vai trabalhar com os jogadores em duas frentes. Primeiro, pretende usar o tempo de bola para melhorar o rendimento do time nas jogadas aéreas de ataque e fortalecer o posicionamento em campo. Segundo, pretende exorcizar todos os fantasmas ainda presentes da Copa de 1950.

A comissão técnica sabe que assim que a bola rolar na Arena Corinthians, dia 12, contra a Croácia, o Brasil será assombrado pelo fantasma da primeira competição mundial da Fifa no País, pela triste lembrança deixada por Gigghia e pelo silêncio de 200 mil torcedores presentes no Maracanã, palco de mais uma final de Copa 64 anos depois. Sobretudo se jogar mal.

No trabalho desenvolvido com os jogadores pela psicóloga Regina Brandão, o assunto foi abordado. A conclusão que todos chegaram foi que aquela derrota no Mundial de 50 não pertence a esse grupo nem a Felipão nem a Parreira nem a qualquer jogador individualmente. Nem o Brasil talvez seja mais mesmo. Daquele fracasso, sobrou apenas a história. Os jogadores que defenderam a seleção não estão mais aí. O goleiro Barbosa, se não foi perdoado em vida pelo gol sofrido, certamente descansa em paz depois de condenado injustamente pela derrota diante dos uruguaios.

Wilton Junior/Estadão
Felipão quer que atletas do atual grupo da seleção brasileira não sintam o peso por uma derrota que aconteceu 64 anos atrás

Quando se faz comparações desta seleção com a do tetra, também dirigida por Felipão, o treinador repete e repete e repete que esse elenco tenta fazer sua própria história. É assim que blinda seus atletas. E se não vale para o sucesso da Coreia do Sul e do Japão de 2002, não pode valer também para a decepção da primeira Copa realizada no País. Felipão vai bater nessa tecla sempre que preciso. De lá para cá, o Brasil ganhou cinco Copas, viu Pelé e Garrincha encantarem o mundo, antes de forjar em seus campinhos de terra talentos como os de Rivellino, Sócrates, Zico, Romário, Rivaldo, Ronaldo, Ronaldinho e Neymar, herdeiro legítimo dessa turma.

Em campo, embora tenha reclamado do pouco tempo para colocar esses jogadores em iguais e boas condições físicas, Felipão já tem a certeza que o elenco suporta sete partidas até a decisão do torneio. Taticamente, o posicionamento da equipe continuará sendo fortalecido para que nada mude nas três primeiras partidas da etapa de grupo. É ordem do treinador que o Brasil não mude sua distribuição tática mesmo se sofrer gols.

Os treinos em espaços reduzidos, de 60 metros, vão continuar, assim como os ensaios das bolas erguidas na área. Os jogadores se reapresentam neste domingo na Granja para começar, de fato, a Copa do Mundo. Serão agora 34 dias de trabalhos intensos, sem mais descanso e focados num só objetivo: ganhar a competição. Nada menos que isso faz parte desse time.

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