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Governo busca soluções para as arenas após Copa

Mundial já acabou para Curitiba, Cuiabá, Natal e Manaus

Raphael Ramos - Enviado especial a Brasília

29 Junho 2014 | 05h 00

A Copa do Mundo acabou. Pelo menos para Curitiba, Cuiabá, Natal e Manaus, que não terão mais partidas do torneio. Cada uma dessas cidades recebeu quatro jogos da primeira fase e viveu dias de efervescência. O balanço oficial feito pelos governantes é que o Mundial foi positivo e trouxe benefícios aos municípios.

O público total das 16 partidas realizadas nesses estádios foi de 634.102 torcedores, média de 39.631, número muito distante da realidade dos campeonatos regionais. Agora, de volta à rotina, os governantes buscam soluções para as arenas. A próxima cidade a se despedir da Copa é Recife, que recebe neste domingo Costa Rica x Grécia.

Arena da Baixada se torna um desafio ao Atlético-PR

Receitas de bilheteria serão decisivas para clube conseguir honrar os empréstimos feitos durante o período de reforma do estádio 

Em Curitiba, a Arena da Baixada se tornou um enorme desafio para o Atlético-PR. A diretoria planeja operar o estádio com média de público próxima à capacidade total, de 43 mil torcedores. As receitas de bilheteria serão decisivas para o clube conseguir honrar os empréstimos feitos durante o período das obras. "A parte mais difícil vem depois da Copa do Mundo, que é pagar a conta", admite o presidente, Mauro Celso Petraglia.

A previsão inicial era de que a reforma da arena custaria ao clube R$ 135 milhões, mas o valor saltou para R$ 330 milhões. O Atlético-PR tenta dividir a conta com o governo do Estado e a prefeitura de Curitiba, mas ainda não resolveu o impasse. Como a reforma atrasou, o estádio foi entregue incompleto à Fifa para a Copa. Agora, o Furacão vai ter mais gastos para terminar a obra e ainda fazer os trabalhos de adaptação da arena às necessidades do clube.

Rodolfo Buhrer/Reuters

Natal já faz planos para manter Arena das Dunas ocupada

Estádio terá capacidade reduzida de 40 mil para 31 mil lugares

Natal já faz planos para o seu estádio depois do Mundial. Com a retirada das arquibancadas provisórias, a Arena das Dunas terá sua capacidade reduzida de 40 mil para 31 mil espectadores. A ideia é não deixar o estádio com muitos lugares vazios em dias de jogo, já que ABC e América, os dois maiores clubes do Estado, têm médias de público baixas.

No primeiro semestre, a média no estádio foi de pouco mais de 6 mil torcedores por jogo. Assim, o governo planeja levar shows de grande porte para a cidade, a fim de manter a arena ocupada. "O Rio Grande do Norte tem o cenário propício para grandes eventos internacionais, que têm força para impulsionar o desenvolvimento do turismo", aposta o secretário de Esportes, Joacy Bastos.

Pelos próximos 20 anos, o local será administrado por uma Parceria Público Privada (PPP) entre o Estado e a concessionária responsável pela obra.

Canindé Soares/Governo do RN

Futuro da Arena da Amazônia preocupa e é motivo de polêmica

Tribunal de Justiça do Amazonas já chegou a sugerir que o estádio seja transformado em um centro de triagem de presos 

O futuro da Arena da Amazônia preocupa. O governo do Estado, proprietário do estádio, já contratou uma empresa que deverá apresentar nos próximos meses um estudo com as opções mais viáveis de utilização do espaço.

Hoje, há duas possibilidades: o Estado continua com o estádio, e apenas repassa a operação para a iniciativa privada, ou abre licitação para concessão integral durante o período de 20 anos. Um dos principais entraves da operação é o alto custo de manutenção, estimado em aproximadamente R$ 500 mil por mês.

O destino do estádio, inclusive, é motivo de muita polêmica em Manaus. O Tribunal de Justiça do Amazonas já chegou a sugerir que a arena seja transformada em um centro de triagem de presos. Há quem defenda que o estádio, que custou quase R$ 670 milhões, seja vendido.

Dida Sampaio/Estadão

Desafio é evitar que Arena Pantanal vire um elefante branco

Caberá ao governador conduzir negociações para levar as partidas do Campeonato Brasileiro para Cuiabá nos próximos meses

O secretário extraordinário da Copa no Mato Grosso, Maurício Guimarães, chegou a dizer que, se tivesse de dar uma nota para o desempenho de Cuiabá no evento, "sem dúvida seria dez", apesar de muitas obras de mobilidade urbana não terem sido concluídas. "A Copa do Mundo no Estado de Mato Grosso passou muito longe do fracasso que todos acreditavam que seria. Não houve necessidade de um plano B", disse Guimarães.

O desafio dos mato-grossenses agora é não deixar que a Arena Pantanal se transforme em um elefante branco. Já na quinta-feira, um dia depois do último jogo da Copa no estádio, o processo de licitação da arena para concessão à iniciativa privada foi iniciado. Também caberá ao governador Silval Barbosa (PMDB) conduzir negociações para levar jogos do Campeonato Brasileiro para Cuiabá nos próximos meses. Tudo para não deixar o estádio sem utilidade.

Eric Gaillard/Reuters