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Jornais internacionais destacam protestos antes da abertura da Copa

Jornalistas feridos e confrontos entre policiais e manifestantes são manchete em grande parte dos meios de comunicação estrangeiros

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Ana Gabriela Verotti, Felipe Neves e Marcela Lima,
Especial para O Estado de S. Paulo

12 Junho 2014 | 16h34

A cobertura internacional da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, traz os protestos que acontecem nesta quinta-feira (12) e precedem a abertura do mundial. Os veículos italianos destacam o caso da produtora Barbara Arvanitidis, da CNN, atingida por estilhaços de bombas de efeito moral durante um protesto na manhã de hoje nas imediações da estação Carrão, na Zona Leste de São Paulo.  A manchete do portal Corriere Dela Sera aponta os confrontos na cidade, com o saldo de quatro jornalistas feridos. "Festa arruinada", diz ainda a  chamada da Gazzetta Dello Sport, com a imagem de Barbara deitada em uma maca com o braço esquerdo ferido.

No Reino Unido, a BBC vem fazendo a cobertura sobre os protestos contra a Copa desde as Jornadas de Junho, em 2013. Na abertura do evento, o jornal também foca nas manifestações que ainda acontecem poucas horas antes do apito inicial. A jornalista ferida da CNN, dos Estados Unidos, também é destaque, com vídeo de um correspondente que mostra o uso de balas de borracha e gás lacrimogêneo pela Polícia Militar para conter os manifestantes. As greves dos professores e dos aeroviários no Rio de Janeiro, que bloquearam o trânsito de veículos, também ganham menção da BBC.

O espanhol El País, assim como os demais, retrata os protestos contrários à Copa e os atrasos nas obras da Arena Corinthians, em Itaquera, Zona Leste de São Paulo. Segundo a publicação, "as manifestações ofuscam a estreia do campeonato" e "as obras são pedras nos sapatos dos organizadores". Em direção ao setor leste do estádio, os repórteres do jornal seguiram a sinalização e se afastaram do palco de estreia: as placas indicavam o local incorreto.

Em referência ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que comparou o mundial a um casamento que acontece mesmo que a noiva esteja atrasada, o veículo afirmou que "os convidados já estão chegando, mas, até agora, nada de a noiva aparecer pronta".

A CNN cobriu pela manhã a manifestação dos metroviários e de grupos contrários à realização da Copa do Mundo. A rede de notícias publicou um vídeo da cobertura com o momento exato em que a repórter foi atingida por uma bomba de gás lacrimogêneo. As jornalistas comentaram no Twitter que  foram ao hospital e postaram uma foto do ferimento da produtora Barbara Arvanitidis .

O site da CNN faz uma cobertura minuto a minuto com todas as informações da cerimônia de abertura e a preparação dos torcedores brasileiros para o primeiro jogo. A rede inclui fotos de protestos, torcedores e a preparação da Fan Fest no Rio de Janeiro.

O francês Le Monde segue as outras publicações, mas equilibra a cobertura de manifestações e da movimentação de torcedores pelo País e, principalmente, em São Paulo. Matéria intitulada "Um mundial do povo, para o povo ou pelo povo?" coloca em voga, de maneira crítica, as questões da corrupção e dos problemas da democracia brasileira. A dispersão dos manifestantes com gás lacrimogêneo em São Paulo também aparece em destaque.

Colaborou Rodolfo Almeida e Fabio Rossini

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