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Copa 2014

Nova invasão no Estádio do Maracanã abre crise na Fifa

Jamil Chade, Luiz Antônio Prósperi, Marcio Dolzan, Raphael Ramos, Ronald Lincoln Jr e Sergio Torres - O Estado de S. Paulo

18 Junho 2014 | 17h 28

Cúpula da entidade está mobilizada para tratar da segurança da Copa após invasão de chilenos, e governo cobra medidas concretas

A segurança voltou a falhar no Maracanã e uma nova invasão no estádio abre uma crise dentro da Fifa. Nesta quarta-feira, o restrito Centro de Mídia foi invadido às 15h15 por, pelo menos, 200 torcedores chilenos, momentos antes do início da partida entre Espanha e Chile, válida pela segunda rodada do Grupo B. Eles derrubaram uma cerca de arame, quebraram um portão de vidro e se espalharam em correria por entre mesas, computadores, jornalistas, câmeras e equipamentos. Não havia seguranças suficientes para contê-los.

A invasão assustou a Fifa e o assunto fez a cúpula da entidade interromper todas as atividades para tratar exclusivamente da segurança da Copa. Representantes do governo voltaram a telefonar para o centro de operações da entidade, cobrando uma explicação e medidas concretas. O caso chegou até o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, que foi alertado que seria responsabilizado se algum desses incidentes resultasse em feridos, tanto entre os invasores quanto entre o público ou jornalistas.

A Fifa garantiu que, depois do incidente, a segurança será reforçada, até porque a falha não ocorreu apenas na entrada da sala de imprensa. No início da partida, rojões foram usados dentro do Maracanã, o que é proibido. O governo quer saber da entidade como a segurança montada pela Fifa permitiu, mais uma vez, que os artefatos burlassem o controle. No domingo ocorreu a primeira invasão do estádio, quando torcedores argentinos pularam muros e derrubaram um portão para assistir a partida em que a Argentina derrotou a Bósnia por 2 a 1.

No centro de imprensa, assessores não disfarçavam o nervosismo. A ordem da entidade era simplesmente a de não comentar o fato. A estimativa é de que pelo menos 80 chilenos conseguiram chegar até as arquibancadas e se misturar entre os torcedores.

Como os invasores não sabiam para onde correr, a confusão foi imensa. Três biombos de metal, erguidos como paredes, ruíram sobre mesas, aparelhos e jornalistas. Uma mulher com a camiseta vermelha do Chile, sem credencial de mídia, teve ferimentos em um dos braços. Possivelmente, era uma invasora.

Ao fim da confusão, 85 invasores acabaram detidos. Não se sabe quantos deles conseguiram chegar às arquibancadas. Representante da Fifa ouvido pelo Estado disse que alguns chilenos alcançaram a área dos torcedores.

A invasão expôs a fragilidade da segurança particular do Maracanã. Fontes na Fifa informaram que o grupo de chilenos estava concentrado por quase duas horas no mesmo portão e levantou suspeitas por não estarem se dirigindo para dentro do estádio.

Meia hora antes do ataque, os invasores já se posicionavam junto à cerca, que veio a ser suplantada. Um dos chilenos simulou estar doente e pedia atendimento. O grupo começou a gritar e clamou por ajuda dos vigias. Quando alguns deles socorriam a suposta vítima, o grupo aproveitou para invadir o estádio. Os torcedores, simultaneamente, forçaram a grade e a ultrapassaram diante de segurança atônitos.

Já na área de acesso ao Centro de Mídia, os chilenos correram por um portão que estava aberto, ainda ao ar livre, destruíram a vidraça da portaria seguinte, e invadiram, dentro do estádio, a área em que cerca de 800 profissionais de imprensa trabalhavam à espera do início da partida. A partir de então, aqueles que estavam no Centro de Mídia viveram momentos de pânico.

Os invasores arrombaram uma porta, acessando o corredor no térreo do estádio. Sem saída, ficaram acuados e passaram a derrubar os biombos que os separavam do espaço de trabalho dos jornalistas. Os estrondos, a algazarra e a gritaria tomaram conta do saguão, grande o suficiente para abrigar, aos menos, 5.000 profissionais de imprensa.

O segurança que se identificou como Diogo Gonçalves reclamou ter sido deixado sozinho junto ao gradeamento que foi derrubado. “Era para ter 20 (seguranças). Só tinha eu”, disse ele.

Um dos detidos, o torcedor chileno Milton Duran, de 34 anos, afirmou que a invasão foi planejada por um grupo de torcedores sem ingressos. Segundo ele, todos ali tinham dinheiro para comprar as entradas, mas não conseguiram encontrar quem as vendesse. “Estávamos dispostos a pagar R$ 1.000 por ingressos. Mas não havia ninguém para vender. Então decidimos invadir”, afirmou ele.

Segundo a Fifa, 85 pessoas foram detidas. Numa nota, a informação da entidade se contrastava com a realidade dentro da sala. "Os invasores foram contidos pela segurança e não chegaram aos assentos. A situação rapidamente foi controlada e pelo menos 85 invasores foram detidos, de acordo com a Polícia Militar", garantiu a Fifa. "Os organizadores da Copa do Mundo condenam esses atos de violência e darão mais informações e as medidas a serem tomadas em breve", completa. 

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