1. Usuário
Assine o Estadão
assine
Copa 2014

'O responsável fui eu', afirma Felipão após a derrota no Mineirão

Luiz Antônio Prósperi - Enviado especial a Belo Horizonte - O Estado de S. Paulo

08 Julho 2014 | 18h 50

Técnico diz que vive 'o pior dia de sua vida' e afirma que será lembrado pelos 7 a 1 sofridos pelo Brasil contra a Alemanha

Atualizado às 20 horas

Luiz Felipe Scolari entrou na sala de entrevistas do Mineirão abatido e lutando para não ser incoerente na hora de dar a sua versão para o vexame. Nem poderia ser diferente. Nas suas costas estava a pior derrota da história do futebol brasileiro em Copas do Mundo. Último técnico do Brasil a levantar a taça, Felipão agora vira o símbolo do maior fracasso. Digno, em um momento mais duro de sua carreira, assumiu a responsabilidade pelo vexame no Mineirão.

“Os jogadores querem dividir comigo essa derrota. Mas quem convoca, quem escala e quem escolhe a forma de jogar sou eu. Então, sou o responsável. Se eu for pensar na minha vida como jogador, treinador, foi o pior dia da minha vida, mas a vida continua. Vou ser lembrado por este 7 a 1, mas eu sabia que um era risco que ia correr quando assumiu a seleção.”

Depois de assumir o fracasso histórico da seleção, Felipão pediu desculpas à torcida e o povo do Brasil. “Minha mensagem aos torcedores ao povo é que tentamos fazer o que tínhamos condições, de fazer, de dar o nosso melhor. Perdemos para uma grande equipe que, em 5 a 7 minutos, fez quatro gols. Ao povo peço desculpas pelo resultado negativo. Agradeço aos torcedores que mesmo perdendo por 5 no primeiro tempo continuaram apoiando nossos jogadores.”

Alemanha goleia Brasil e está na final
Frank Augstein/AP

Jogando no Mineirão, o Brasil viu o sonho do hexa em casa ser esmagado pela Alemanha, ao ser goleado por 7 a 1.

Felipão não concorda que a derrota representa uma atraso do futebol brasileiro em relação ao que se joga hoje na Europa e em outros continentes. Disse que não se arrepende de ter escalado Bernard numa formação que ainda não havia testado.

Sem gaguejar e muito firme na voz, o treinador fez questão de ressaltar que Neymar fez falta, mas não foi a ausência dele que derrubou o Brasil. Nem o estado emocional dos jogadores pesou na hora de enfrentar um grande adversário.

“Esqueçam tudo isso. Não foi a falta de Neymar, nem falarmos que o Brasil era o favorito, nem os choros, nem o jeito de cantar o hino. Levamos um gol, o time entrou em pânico e os alemães, que têm muita qualidade, aproveitaram para liquidar o jogo em cinco minutos.”

Felipão disse que não gostaria de falar sobre o seu futuro na seleção. Lembrou que ainda tem a disputa do terceiro lugar no sábado em Brasília. “A vida continua, a minha e de todos os jogadores.”

Copa 2014