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Copa do Mundo

Os campos onde Jô, Ramires, Willian e Paulinho começaram

Jogadores seguiram o roteiro comum no mundo do futebol: saíram de torneios disputados de chinelo e com traves improvisadas e se tornaram ídolos da bola

Sergio Torres - enviado especial a BARRA DO PIRAÍ

Meia do Chelsea e da seleção brasileira, reserva com chance de tornar-se titular na Copa, Ramires viveu até os 17 anos numa comunidade de negros no alto de um morro na área rural de Barra do Piraí, no Estado do Rio. O local foi no século 19 reduto de escravos fugidos de fazendas cafeeiras. Não deve ser à toa que é chamado até hoje de Boa Sorte.

A família de Ramires vive toda ali – mãe, irmã, irmãos, tios e primos. São pelo menos 50 parentes, que habitam oito casas muito pobres construídas em terreno enlameado e espremido entre um barranco e a estradinha que leva ao topo do morro.

Nenhum adulto da família chegou à faculdade. Talvez nenhuma das crianças alcance o ensino superior. O fato de Ramires ter saído de um lugar desses, ermo e desassistido, é encarado pelos parentes como uma espécie de milagre. Ninguém na região jogou futebol profissional. Ninguém dali já esteve no Maracanã, a 120 km de distância.

Marcos de Paula/Estadão

DESTINO

Até ir para o interior de Santa Catarina, há dez anos, Ramires era um garoto sem perspectivas ambiciosas de vida. Passava o tempo jogando peladas em um campinho de pouca grama na Boa Sorte. Estudara só até a quinta série. "Ele sempre gostou de bola. Mas falar que a gente esperava esse destino, seria mentira", observa Marta Santos do Nascimento, de 46 anos, irmã de Judith Santos do Nascimento, mãe de Ramires.

Ramires Santos do Nascimento, de 27 anos, não conviveu com o pai, de quem não traz o sobrenome. Quando ele tinha 3 anos, a mãe mudou-se para Mendes, cidadezinha próxima. Pequeno ainda, Ramires, o terceiro dos quatro filhos de Judith, ficou na Boa Sorte.

O rapaz foi levado aos 17 anos para o Joinville, após ter se destacado em competições fluminenses. De lá, transferiu-se para o Cruzeiro, onde chegou à seleção e disputou a Olimpíada de 2008 e a Copa de 2010. Passou pelo Benfica, antes de estabelecer-se no Chelsea, em 2010.

Um mundo muito distante da realidade do local onde ele nasceu e cresceu. E que os parentes da Boa Sorte parecem não ter muito interesse em conhecer. Casado com uma das tias do jogador, o metalúrgico Paulo Roberto de Assis Inácio, de 49 anos, conta que ninguém gosta muito de sair do lugarejo. "Michele (irmã de Ramires, de 29 anos) esteve uma vez na Inglaterra. Voltou dizendo que sentiu muito frio e que só bebeu cerveja ruim. Olha que ela é cervejeira, não dispensa. Ela disse que chegou a cuspir uma cerveja que bebeu lá, de tão ruim que era. Melhor a gente ficar por aqui mesmo", pondera.

Ramires esteve na Boa Sorte um fim de semana antes de se apresentar ao treinador Luiz Felipe Scolari, reencontrou parentes e amigos. "Aqui ele come de panelada. É feijoada, é mocotó. Tomamos um monte de cervejas, se bem que ele segura, é atleta, não pode abusar", fala o tio Paulo Inácio, enquanto organizava um mutirão para decorar o morro.

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