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Copa 2014

Para Cafu, falta 'sangue nos olhos' da seleção brasileira na Copa

Reuters

03 Julho 2014 | 19h 10

Capitão do penta mundial disse que jogadores de Felipão precisam chorar menos, esquecer e entrar em campo com mais vibração

Capitão do Brasil na conquista do pentacampeonato mundial, o ex-lateral Cafu acredita que ainda está faltando "sangue nos olhos" para a seleção brasileira na Copa do Mundo e que o time do técnico Luiz Felipe Scolari precisa jogar mais para convencer a torcida de que vai conseguir o hexacampeonato. Cafu ficou impressionado com o comportamento de alguns jogadores brasileiros na dramática vitória sobre o Chile nos pênaltis, pelas oitavas de final do Mundial, no sábado, quando alguns choraram antes e durante a cobrança de pênaltis vencida pelo Brasil por 3 a 2, após empate por 1 a 1.

"Temos que chorar menos, esquecer e entrar em campo mordendo todo mundo e com sangue nos olhos. Está faltando um pouco mais disso na seleção para que torcida possa vibrar e gritar pela seleção", afirmou a jornalistas ex-jogador, que atuou nas Copas de 1994, 1998, 2002 e 2006.

Como capitão do Brasil na Copa de 2002, também sob o comando de Felipão, Cafu conhece bem o papel de um capitão dentro e fora de campo. Na partida com o Chile, o capitão brasileiro, Thiago Silva, se isolou durante a cobrança de pênaltis enquanto os demais jogadores se reuniam em um roda para se motivarem. Coube ao então reserva Paulinho liderar a conversa e estimular o grupo antes das cobranças.

Nilton Fukuda/Estadão
Cafu fez críticas às atitudes dos jogadores brasileiros em campo

"Capitão é uma referência entre treinador, entre jogadores, torcida, imprensa. É um cara que tem responsabilidade com tudo que ocorre no grupo; que vai bater no peito e resolver situações e é respeitado dentro do grupo", disse o ex-lateral. 

"Não é só para bater par ou ímpar ou escolher lado de campo. Tem que assumir seu papel dentro e fora de campo", completou.

O capitão do penta acredita que o papel assumido por Paulinho era uma função que deveria ter sido executada por Thiago Silva. “Ter sentado na bola quando todos estavam vendo o Paulinho dar um chacoalhão, acho que esse era o momento do Thiago chamar o grupo para ele, a responsabilidade para ele e demonstrar confiança”, declarou Cafu.

Sobre o pedido a Felipão para ser o último na cobrança de pênaltis, depois até do goleiro Julio Cesar, o capitão brasileiro foi anistiado pelo ex-lateral do Brasil. "Nesse aspecto não dá para crucificar o Thiago. Pênalti é de momento, treinamento e tem gente que não gosta, evita, mas tem quem prefere bater. Isso foi normal. Nem todo mundo tem sangue frio para bater", disse.

O único choro admissível na seleção, segundo Cafu, foi o do goleiro Julio Cesar antes da cobrança por pênaltis que acabou transformando o camisa 12 em herói da classificação, ao defender duas cobranças. "O choro dele é extremamente aceitável. Muitos disseram que ele não deveria estar lá, veio de críticas da última Copa do Mundo, foi um momento de explosão. Foi aceitável", finalizou. 

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