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Copa 2014

Para cônsul, ultimato da Polícia Federal 'saiu barato' para chilenos

TIAGO ROGERO - Agência Estado

19 Junho 2014 | 19h 23

Samuel Ossa agradeceu a 'compreensão e rapidez' do governo

O cônsul-geral do Chile no Rio, Samuel Ossa, disse nesta quinta que "saiu barato" para seus compatriotas que invadiram o Centro de Mídia do Maracanã na última quarta-feira o ultimato da Polícia Federal para que deixem o Brasil até sábado - se ficarem, serão deportados. Entre os 88 invasores chilenos, há até dois imigrantes que moram no Brasil e que, segundo o cônsul, não precisarão deixar o País, nem responderão pelo artigo 41-B do Estatuto do Torcedor, pelo qual a Polícia Civil informou terem sido todos os invasores autuados.

Segundo o cônsul-geral, muitos reconheceram o erro e que têm de pagar por ele. "Outros, não. Porém, a maioria está consciente de que lhes saiu barato porque poderiam estar presos, esperando por uma deportação". Ossa - para quem os invasores não são "delinquentes, mas pessoas que cometeram um erro" - agradeceu a "compreensão e rapidez" do governo brasileiro. Segundo ele, o consulado não vai ajudar financeiramente os chilenos a voltar para casa: "Eles bancaram suas viagens para cá e da mesma forma agora terão de voltar".

O diplomata fora ao Maracanã para assistir à partida contra a Espanha (devido à confusão, não viu o jogo) e acompanhou os detidos desde a prisão até a Cidade da Polícia, a seis quilômetros do estádio. Ali, os chilenos ficaram até por volta de 23 horas, quando foram levados ao consulado, na zona sul do Rio, e liberados. Segundo ele, além dos 88 chilenos, foram detidos um boliviano e um colombiano.

Nesta quinta, cerca de 10 chilenos do grupo que invadiu o Maracanã estiveram no consulado. A maioria não quis falar com a imprensa e, antes de entrar, um deles ainda cometeu nova infração: à luz do dia, urinou numa árvore do Aterro do Flamengo, em frente ao prédio onde fica o consulado. Outro chileno, que não quis se identificar, disse que tinha passagem de volta, de avião, marcada para 29 de junho: "Agora vou tentar ir de ônibus pelo Paraguai ou Bolívia, quero sair logo do Brasil para não ser preso".

Segundo a Polícia Federal, os chilenos devem sair em 72h e não poderão voltar durante o período da Copa. Depois, podem. "Se saírem em 72h estarão cumprindo o combinado", disse o cônsul-geral do Chile no Rio. De acordo com a PF, foram inseridas notificações nos passaportes e nas "tarjetas de entrada" - que viajantes do Mercosul recebem ao entrar no Brasil e obrigatoriamente têm de apresentar às autoridades brasileiras durante seu deslocamento no País - dos chilenos presos.

"Qualquer agente público, ao conferir seus documentos, saberá até quando poderão ficar no Brasil. Constatando que o prazo foi ultrapassado, o agente deve encaminhá-los à unidade mais próxima da PF para possível deportação sumária", informou a PF.

O cônsul-geral negou que os chilenos sejam de torcidas organizadas e que a ação tenha sido orquestrada. Depois das prisões e dos depoimentos, a Polícia Civil informou que os detidos foram autuados no artigo 41-B do Estatuto do Torcedor - promover tumulto, praticar ou incitar a violência, ou invadir local restrito aos competidores em eventos esportivo. O texto prevê pena de até dois anos de detenção, e que o caso será encaminhado ao Juizado Especial Criminal. Mas, segundo o cônsul-geral, a punição ficará só mesmo no encurtamento da estadia de seus compatriotas no País, inclusive para os dois chilenos que aqui residem e nem mesmo precisarão sair.

"Nenhuma pessoa gosta que seus compatriotas manchem ou deixem mal seu país, sobretudo porque nossa seleção está bem e fez um jogo fantástico, e acabamos ficando mais preocupados com a prisão deles do que com o ótimo resultado", disse Ossa.

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