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Copa 2014

Robben não sabe se terá tempo para reescrever a história da Holanda

Ciro Campos - O Estado de S. Paulo

09 Julho 2014 | 21h 24

Aos 30 anos e com três Copas disputadas, o craque holandês ainda não sabe se estará no Mundial que acontecerá na Rússia em 2018

Arjen Robben chegou ao Brasil com o sonho de apagar as falhas da derrota na final da Copa de 2010. Marcou três gols, teve papel importantíssimo ao "cavar" um pênalti contra o México e ao converter sua cobrança contra a Argentina. Ainda assim, não foi desta vez que o camisa 11 se tornou decisivo para a Holanda em um Mundial.

Aos 30 anos e com três Copas disputadas, Robben ainda não sabe se estará na Rússia, em 2018. O principal craque holandês teve boas atuações no Mundial do Brasil, mas não solucionou o antigo estigma do país, que acumula, desde 1974, três vice-campeonatos - sempre chega ao torneio com grandes times e nunca conquista o título. "Saímos do torneio de uma forma que é muito chata. Mas não podemos culpar ninguém e nem quem bateu os pênaltis."

Argentina bate Holanda nos pênaltis e está na final
Frank Augstein/AP

Nos pênaltis, a Argentina derrotou a Holanda e conseguiu a tão sonhada vaga para a final da Copa do Mundo.

A decepção era evidente depois da eliminação. O semblante sério não foi alterado nem quando se aproximou da arquibancada para conversar com a mulher e o filho, que chorava convulsivamente pela queda holandesa na Arena Corinthians.

A Copa começou com muito otimismo para Robben e sua equipe. A goleada por 5 a 1 sobre a Espanha, na estreia, foi uma impiedosa revanche com gosto especial para ambos. O jogador foi muito criticado por ter perdido duas chances claras de gol contra os espanhóis quatro anos antes, na decisão. Em ambas, conduziu a bola sozinho, teve tempo de escolher o que faria com ela, mas, ao finalizar, parou nas defesas de Casillas.

A fama de ser um jogador que sente a pressão nos momentos decisivos aumentou em 2012, quando perdeu um pênalti na final da Liga dos Campeões. A cobrança foi defendida pelo goleiro do Chelsea, Petr Cech. A oportunidade desperdiçada teve enorme peso, porque contribuiu para o Bayern de Munique perder a decisão para o clube inglês em seu estádio.

Pelo menos no ano seguinte, e por seu clube, Robben conseguiu se redimir. Nos minutos finais, fez o gol da vitória por 2 a 1 na final caseira contra o Borussia Dortmund, no estádio de Wembley - e, com isso, parecia pronto para buscar, com a Holanda, na Copa, reescrever a própria história.

A campanha no torneio do Brasil foi praticamente impecável para Robben. Contra o Chile, na primeira fase, arrancou sozinho para armar o contra-ataque e dar a assistência para Depay confirmar a Holanda como primeira colocada do grupo.

Depois, contra o México, pelas oitavas de final, a virada nos minutos finais só veio graças ao camisa 11. O atacante entrou na área e se chocou com o zagueiro Rafa Márquez. O árbitro marcou pênalti, Huntelaar convertou e, depois, o próprio Robben admitiu ter se jogado no lance."Fizemos uma boa Copa e todos trabalhamos juntos e perdemos juntos. Tenho orgulho do meu time", disse.

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