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Copa 2014

Seleção brasileira busca forças para disputar o terceiro lugar da Copa

Robson Morelli - enviado especial a Belo Horizonte - O Estado de S. Paulo

08 Julho 2014 | 22h 20

Jogadores admitem que briga pelo 3.º lugar não passou pela cabeça

A conversa no vestiário do Brasil não foi de cobrança. Poucos falaram. Queriam ouvir o chefe, receber dele uma explicação e um rumo para deixar o Mineirão após os 7 a 1 sofridos diante da Alemanha. Não tinham chão.

Maicon foi um dos primeiros a aceitar a explicação de Felipão. "Perdemos em dez minutos, quando tivemos uma pane diante de um time que se preparou melhor para a Copa. É triste. Talvez um dos dias mais tristes da minha vida, porque todo mundo sabe como foi duro para mim me preparar para disputar esta Copa. Mas a vida tem de seguir. Daqui a quatro anos, haverá outra Copa do Mundo."

Alemanha goleia Brasil e está na final
Themba Hadebe/AP

Com isso, o Brasil espera o perdedor de Holanda x Argentina para a disputa de terceiro e quarto lugar, enquanto a Alemanha enfrentará o vencedor do confronto na final, no Maracanã.

Daniel Alves, que perdeu posição para Maicon e por isso não jogou em Minas, estava arrasado. Da mesma forma, no entanto, não jogou a toalha sobre a preparação do Brasil e tudo o que foi feito até o massacre alemão. O lateral do Barcelona, no entanto, admite que "acabou" sua animação para continuar no Mundial.

"Eu sempre entro para ser o primeiro. Não me interessa nada diferente da conquista", disse, referindo-se ao fato de a seleção ter agora de continuar treinando em Teresópolis, para onde voltou ontem à noite e onde fica até sexta, a fim de participar da disputa do 3.º lugar, em Brasília, contra o perdedor de Holanda e Argentina, que jogam hoje em São Paulo.

MUNIÇÃO

Daniel Alves tentou, de certa forma, minimizar o tamanho da derrota. Nunca um anfitrião de Copa, desde 1930, havia sofrido surra tão grande. "Para nós, e imagino que para o torcedor também, era a mesma coisa perder de 1 a 0 ou de 7 a 1, como foi, nesta semifinal. O jogo era eliminatória e qualquer derrota nos deixaria fora da decisão da Copa." Ele rebateu que a comissão técnica tenha feito tudo errado e admitiu que a derrota agora, e da forma como foi, dará munição para os críticos.

"O fato é que somos todos responsáveis pelo resultado, pelo que aconteceu em campo. Digo que não há culpados nesta derrota. Há culpados quando alguém não trabalha para que dê certo, e isso não foi o nosso caso desde quando nos juntamos."

Daniel foi o primeiro jogador a deixar o vestiário. Saiu sozinho, sem receio de explicar o inexplicável. Estava abatido. Mas também os alemães deixaram o Mineirão sem sorrir, talvez ainda não acreditando no que aconteceu. Ou mostrando ainda respeito pelo futebol brasileiro.

Oscar, muito criticado pelo torcedor, era um dos mais abalados. Ele chorou no gramado, atirado ao chão. Com 22 anos, o meia não fez boa Copa. E sabe disso. Teme que seu nome seja condenado pela derrota gigantesca. Ele e Hulk buscam forças para voltar a jogar sábado, quando o Brasil se despede de vez da competição no Mané Garrincha. "Temos de pedir força a Deus para seguir. Não queríamos o jogo em Brasília. Queríamos a final. Perdemos por nossos deméritos", disse Hulk.

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