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Copa 2014

Superantena capta sinal de 20 satélites, com jogos do mundo inteiro

Lyvia Rocha e Paulo Favero - enviados especiais a Fortaleza - O Estado de S. Paulo

21 Junho 2014 | 16h 11

Fanático por futebol, técnico de telecomunicações de Fortaleza montou estrutura em casa para ver as partidas com filho e amigos

O técnico em telecomunicações Elenilson Dantas, de 40 anos, realizou o sonho de muito marmanjo. Fanático por futebol, ele conseguiu montar uma estrutura em sua casa para ver jogos de futebol do mundo inteiro.

A superantena que ele instalou no telhado é capaz de captar o sinal de 20 satélites e possibilita o acesso a mais de 450 canais abertos do mundo inteiro. “É tudo legal, pois são canais abertos nos quais a codificação não precisa ser quebrada”, vai logo avisando.

Ele conta que a paixão pelo esporte começou na Copa de 1982, quando a seleção comandada por Telê Santana empolgou todo o mundo. “Eu era criança, mas fui no embalo. Fiquei viciado em assistir às partidas e também em jogar futebol, pois aqui na periferia ainda tem muitas quadras para a prática do esporte”, conta Elenilson, que até hoje mora distante do centro de Fortaleza. “Vários vizinhos vêm aqui em casa ver as partidas comigo, fazemos festa, tomamos uma cervejinha”, continua.

Para realizar o sonho, começou fazendo uma boa pesquisa sobre o tipo de equipamento que precisaria instalar. “Eu sabia que existia uma antena com base móvel e rastreável por satélite. Isso foi em 2004. Pesquisei diversas lojas e descobri que em São Paulo eu podia adquirir os materiais. Fui comprando aos poucos. As coisas foram chegando aqui em casa, mas o problema maior era que eu não sabia montar aquele tipo de equipamento”, conta.

Filipe Araújo/Estadão
Superantena capita sinal de 20 satélites no mundo todo

Elenilson recorreu a técnicos que conhecia no Ceará, mas acabou só gastando dinheiro: ninguém resolveu seu problema. Até que teve a ideia de ligar para a loja de São Paulo onde havia comprado o material.

“Falei com o proprietário e perguntei se ele tinha algum técnico que queria passar o fim de semana em Fortaleza com tudo pago. Usei minha milhagem de empresa aérea, o rapaz veio para cá e em poucas horas tudo estava instalado. Deu até para passear por cidade com ele no dia seguinte”, diz.

Segundo o técnico em telecomunicações, sua antena aponta para o satélite, mas só consegue captar sinais mais próximos do horizonte.

Assim, ele tem a possibilidade de ver partidas de todos os campeonatos da América do Sul, os torneios da América Central de países que utilizam satélite, como Honduras, El Salvador, Costa Rica e México, quase todas as competições da Europa e algumas continentais da Ásia e da África. “Como é algo bastante móvel, às vezes muda a frequência e aí tem de localizar de novo o canal”, explica.

Sem legenda. Com um mundo de possibilidades à sua frente, claro que não faltariam boas histórias sobre jogos de outros países. “Quando vejo o campeonato da Grécia, preciso pesquisar antes quem vai jogar porque os caracteres são todos em grego, caso contrário não saberei quais são as equipes”, conta.

Mas o Campeonato Grego não é o único difícil de entender. “Nos jogos transmitidos dos países árabes não se entende nada”, afirma.

Elenilson também gosta de assistir ao Campeonato da Costa Rica. “O clássico Saprissa e Alajuelense é muito bom, cheio de rivalidade e com torcida superempolgada.”

Entre os fatos curiosos que ele coleciona vendo tantas partidas de outros lugares é que, certa vez, em uma partida entre América-RN e Potiguar, pela TV União, o locutor passou cinco minutos invertendo os times na narração.

Prioridade. Em sua casa, tudo gira em torno do futebol e a mulher dele, Rosângela, já se convenceu disso. “A gente namorou nove anos antes de casar, então, quando fomos morar juntos, ela não teve nenhuma surpresa”, revela.

O filho mais velho, Pedro Henrique, de 12 anos, já aderiu ao estilo do pai e adora assistir às partidas do Campeonato Inglês. “Como ele não trabalha, tem mais tempo que eu para ver futebol”, brinca Elenilson, que tem outro filho, Levi, de 2 anos.

Na Copa do Mundo, ele até conseguiu ingressos para alguns jogos, mas lamentou não ter bilhetes para ver a partida entre Brasil e México no Castelão. Outro hobby do rapaz é colecionar camisas de futebol. Torcedor fervoroso do Fortaleza, prefere os uniformes de times nacionais e tem mais de 300 peças em seu guarda-roupa.

“Tenho camisa de tudo quanto é lugar. Quando uma equipe vem jogar aqui em Fortaleza, entro em contato para conseguir alguma, seja na base da compra ou da troca”, conclui. 

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