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Surpresa fenomenal

O Estado de S. Paulo

24 Junho 2014 | 19h 47

Convulsão de Ronaldo antes da final da Copa de 98 é cercada por mistérios

SÃO PAULO - Uma surpresa provocou alvoroço horas antes da finalíssima da Copa de 98 entre Brasil e França. O nome de Edmundo apareceu entre os titulares da seleção brasileira no lugar de Ronaldo. Seria erro na divulgação da escalação ou o principal astro da seleção brasileira passara por algum problema?

Por critérios técnicos seria impensável Zagallo abrir mão do "Fenômeno". O atacante fazia grande Copa. Havia marcado um dos gols no triunfo por 3 a 0 contra Marrocos na primeira fase; dois nas oitavas de final diante do Chile, quando o Brasil goleou por 4 a 1, e na semifinal foi dele o tento no empate ante a Holanda por 1 a 1, duelo vencido pelo Brasil nos pênaltis.

Foi mesmo Ronaldo, e não Edmundo, quem saiu jogando naquele 12 de julho no Stade de France, em Saint-Denis. O que não evitou a derrota brasileira por 3 a 0.

"O que houve com Ronaldo?", questionava o Estadão na edição do dia seguinte à final. Logo após o revés, Zagallo foi vago em suas palavras. Declarou que Ronaldo havia sofrido uma indisposição antes do jogo, relatou o periódico.

Ouça o que Joaquim da Mata, médico da seleção em 98, disse ao Estadão sobre o atendimento a Ronaldo:

"O problema com o atacante abateu psicologicamente nossa equipe", justificou o treinador nas entrevistas pós-derrota. Perguntado então por qual motivo o atacante teria sido escalado se não estava em condições, Zagallo perdeu o controle: "Ele entrou porque entrou. Você quer me detonar, pô". Levantou e encerrou a coletiva, descreveu o Estadão.

Jogadores da seleção e médicos foram ouvidos para tentar explicar o que poderia ter acontecido. "Para especialistas, atacante pode sofrer de epilepsia", repercutiu o Estadão no dia 15 de julho.

A versão oficial era de que Ronaldo sofrera uma convulsão na madrugada da final. A comissão técnica cogitou por isso escalar Edmundo. Mas Ronaldo pediu para jogar, jurou que estava bem e Zagallo, apesar da hesitação, escalou-o.

Arquivo/AE
Zagallo, vice em 98

O assunto, contudo, continuou cercado por mistérios. Informações contraditórias e teorias mirabolantes aventando um esquema de manipulação de resultados transformaram a polêmica em uma CPI.

A influência da Nike, patrocinadora da seleção brasileira, no resultado da Copa foi investigada na Câmara dos Deputados. Executivos da multinacional, o técnico Zagallo e jogadores foram convocados. "Edmundo vai à CPI e desmente Zagallo", relata o Estadão em 24 de novembro de 2000. Dois depois o assunto continuava em pauta.

"O Brasil entregou o jogo para receber um Mundial no futuro? A Nike exigiu a escalação de Ronaldo? A França pagou para ficar com o título em casa? Dez anos após a polêmica, em 2008, reportagem do Estadão sepultou as teorias da conspiração surgidas. Nada de irregular foi comprovado. O único fato irrefutável era mesmo a  merecida vitória francesa.