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Futebol

UTOPIA EM 2010 VIRA REALIDADE PARA  ELEITOS DE FELIPÃO

Alguns dos convocados para a disputa do Mundial, na Copa passada olhavam a competição como um sonho praticamente impossível de ser realizado em 2014

Daniel Batista

06 Junho 2014 | 07h 59

Defender a seleção brasileira, ainda mais em uma Copa do Mundo, é o sonho da maioria dos garotos que correm atrás de uma bola pelo País. Para um jogador que atua na terceira divisão de um estadual, ou que acaba de chegar a um grande clube, após aparecer bem em um time do interior, pensar que dali a quatro anos estará no Mundial beira a loucura. Mas foi justamente o que aconteceu com alguns dos convocados pelo técnico Luiz Felipe Scolari.

O caso mais impressionante é o do meia Bernard. Enquanto os comandados de Dunga entravam em campo em busca do hexacampeonato mundial, o garoto, que na época tinha 17 anos, era ignorado no Atlético-MG, por ser considerado franzino demais. Após quase ser dispensado, foi emprestado ao Democrata de Sete Lagoas, onde marcou 14 gols em 16 jogos pela terceira divisão do Campeonato Mineiro (que é chamado de Segunda Divisão, já que a primeira é dividida em dois módulos). Pior, o time não conseguiu o acesso.

"Eu não queria ir e meu pai também não queria. Acho que ninguém queria lá em casa, mas foi importante para o meu crescimento", lembra o meia, que não podia imaginar que a transferência mudasse tanto sua vida. A boa exibição convenceu Dorival Júnior a lhe dar uma oportunidade no time principal. Ele não só voltou, como se tornou titular, um dos destaques na conquista da Libertadores, e foi negociado por R$ 77 milhões com o ucraniano Shakhtar Donetsk.

Outro que também mudou a carreira em quatro anos foi Paulinho. Após aparecer bem pelo Bragantino, no Campeonato Paulista de 2010, foi negociado com o Corinthians e chegou como promessa. O curioso é que ele entrou na partida em que a equipe foi eliminada na Libertadores e foi bastante criticado, assim como o técnico Mano Menezes. De lá para cá, o vaiado virou titular absoluto, ídolo da torcida alvinegra, e acabou sendo negociado por R$ 58 milhões com o Tottenham, para jogar no futebol inglês.

O volante teve de enfrentar, na Premier League, o cérebro do time de Felipão, Oscar. O meia também cresceu muito em quatro anos. Em junho de 2010, foi anunciado como reforço do Internacional, e teve início uma longa briga na Justiça, que durou meses. Sem poder atuar profissionalmente, foi jogar o Campeonato Brasileiro Sub-23 pelo clube gaúcho. “No time B, consegui recuperar o ritmo”, conta o jogador, que acabou indo para o Mundial de Clubes, em dezembro.

Luiz Gustavo até hoje não está entre os jogadores mais conhecidos do público, mas, em 2010, era praticante ignorado pelo torcedor brasileiro. O volante atuava no modesto Hoffenheim, onde era a estrela do time, e seu bom futebol despertou a cobiça de grandes clubes. O Bayern de Munique o levou, e a reação foi tão forte em seu antigo clube que o técnico Ralf Rangnick pediu demissão por não concordar com sua transferência.

Divulgação

QUEM SÃO ELES?

O volante encabeça uma lista de vários atletas desconhecidos em 2010 e que hoje vão lutar pelo hexa. Hulk, por exemplo, vivia grande momento no Porto, mas, em fevereiro, participou de uma confusão durante um clássico contra o Benfica e foi suspenso por quatro meses. Chegou a ser convocado em 2009, para dois amistosos, mas só passou a ser figurinha carimbada na seleção após o Mundial.

Fernandinho, que conquistou a vaga nos últimos amistosos, também estava no ostracismo durante a Copa na África. Ele jogava no Shakhtar Donetsk, onde atuou de 2005 até o ano passado. Como estava há muito tempo fora do País e num mercado em que não era tão visto, sonhar em defender a seleção em 2014 parecia algo impossível. Hoje, brilha no Manchester City.

Henrique já havia se destacado no Palmeiras campeão paulista em 2008, foi negociado com o Barcelona, nunca jogou no time catalão e passou a ser emprestado. Após defender o Bayer Leverkusen, foi para o Racing Santander. Mas, em um time médio na Espanha, foi esquecido no futebol brasileiro até retornar ao Palmeiras, em julho de 2011. Atualmente, está no Napoli.

Nem Felipão tinha os holofotes direcionados para ele. O treinador estava no Bunyodkor, do Uzbequistão, onde foi campeão nacional em 2009. Ele deixou o clube durante o Mundial, atacou de comentarista e depois assumiu a equipe do Palmeiras.