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Copa 2014

Copa não está isenta de tentativas de manipulação de resultados, diz Fifa

Brian Homewood - Reuters

22 Janeiro 2014 | 17h 36

Chefe de segurança da entidade disse que é possível até adiar partida no Mundial caso seja provada fraude

ZURIQUE - A Copa do Mundo não está isenta de tentativas de manipulação de resultados e a Fifa não permitirá que isso aconteça, disse em entrevista à Reuters o diretor de segurança do órgão que dirige o futebol mundial, Ralf Mutschke. Ele afirmou que a Fifa poderá até mesmo adiar uma partida do Mundial se houver indicações de que foi alvo de manipulação por parte de grupos criminosos, embora ele tenha enfatizado que esse tipo de medida seria um último recurso.

Ele acrescentou que há uma linha tênue entre resultados arranjados por apostadores e o cenário de equipes jogando por um empate confortável no final da fase de grupos, de modo que ambas possam se qualificar para a próxima etapa, algo que, de modo geral, ele considerou uma tática e fora de sua principal área de responsabilidade.

Os jogos arranjados se tornaram uma enorme preocupação para os dirigentes de futebol nos últimos anos, já que redes ilegais de apostas pagam a jogadores, juízes ou dirigentes para que manipulem partidas e desse modo ganhem enormes quantias de dinheiro apostando no resultado. Os fraudadores preferem frequentemente agir longe dos holofotes, por isso, se concentram em amistosos internacionais de pouco destaque e ligas nacionais em países menores.

No entanto, Mutschke, um ex-agente do alto escalão da polícia federal alemã com mais de 30 anos de experiência no combate ao crime, disse que há tanto dinheiro em apostas de jogos da Copa do Mundo que a tentação é grande para os criminosos. "Você tem grandes apostas nas partidas da Copa do Mundo, uma porção de dinheiro envolvida nessa aposta, portanto, temos de considerar que os fraudadores gostariam de manipular partidas da Copa do Mundo e, portanto, temos de agir contra isso", declarou Mutschke à Reuters.

"Seria estúpido não levar em consideração que partidas da Copa do Mundo possam ser alvo de arranjadores de resultados. Temos de nos preparar e, claro, não acreditar que a Copa do Mundo está isenta disso", acrescentou. Mutschke disse que funcionários da segurança da Fifa estarão em cada uma das 64 partidas durante o torneio de 12 de junho a 13 de julho no Brasil, armados com um dossiê detalhado sobre quais jogos representam maior risco.

"Nós temos uma estratégia coerente para agir contra a manipulação de jogos, começando com a avaliação de risco e focando nas equipes jogando, tendo ou não havido no passado alegações de jogos arranjados, e também em cada fase em que se realiza a partida, em uma partida de grupo, no começo ou no fim", disse ele.

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