Christophe Ena| AP
Christophe Ena| AP

Copa no Brasil previa quase R$ 100 milhões para Blatter e Valcke

Contratos sob suspeita apontam que, em 5 anos, Fifa fechou contratos de R$ 284 milhões em salários para só 3 dirigentes

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2016 | 08h57

Joseph Blatter e seus dois principais assistentes tinham contratos para receber quase R$ 100 milhões em prêmios e bônus pela realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014. Os dados fazem parte de contratos que estão sendo investigados pelo FBI e pela Justiça da Suíça que aponta para suspeitas relativas aos critérios estabelecidos para justificar os pagamentos. Segundo os advogados do caso, os três dirigentes fizeram um "esforço coordenado para se enriquecer" graças ao futebol. 

No total, a Fifa pagou para Blatter, Jérôme Valcke e Markus Kattner (vice-secretário-geral) US$ 80 milhões (R$ 284 milhões) em apenas cinco anos em salários e prêmios. Os pagamentos geraram suspeitas depois que os contratos revelaram que o dinheiro foi garantido ainda em 2010 e previa que os valores seriam distribuídos até 2019, mesmo que Blatter, Valcke e Kattner fossem demitidos por justa causa de seus cargos. 

O que surpreende a Fifa é que os valores foram autorizados em contratos assinados pelos próprios beneficiários, sem qualquer consulta. Outra suspeita é de que parte dos contratos foram assinados ainda em 2010, antes mesmo da eleição de Blatter para a presidência da Fifa naquele ano. Para pessoas próximas ao caso, Blatter tinha contratos de US$ 12 milhões (R$ 42,46 milhões) por sua contribuição para realizar a Copa no Brasil em 2014. Valcke, que chegou a sugerir que o Brasil recebesse um "chute no traseiro", recebeu mais US$ 10 milhões (R$ 35,38 milhões), contra US$ 2 milhões (R$ 7,08 milhões) para Kattner. Além destes acertos, os três dirigentes ainda dividiriam mais US$ 2 milhões. Assim, somariam US$ 26 milhões (R$ 93 milhões) em prêmios e bônus.

A mais rica Copa da história foi realizada com dinheiro público. Mas gerou uma renda recorde para a Fifa de US$ 5,7 bilhões (R$ 20,17 bilhões). Sem pagar impostos nem no Brasil e nem na Suíça, Blatter insistia que o dinheiro a renda do Mundial seria revertido ao futebol mundial, inclusive o brasileiro. 

BUSCA NA SEDE DA FIFA

A polícia fez mais uma operação na sede da Fifa para obter informações e documentos sobre pagamentos para Joseph Blatter e Jerome Valcke, ex-dirigentes da entidade. O Ministério Público da Suíça confirmou a operação, realizada na noite do dia 2 de junho. A busca se referia aos contratos envolvendo os dois dirigentes, ambos já afastados da entidade por suspeitas de irregularidades. Um ano depois do início do processo contra a entidade e com mais de 41 pessoas afastadas ou indiciadas, a nova operação revela que as investigações continuam e se aproximam cada vez mais da direção da entidade por décadas. 

A busca ocorreu nas salas de Markus Kattner, vice-secretário-geral da Fifa até o dia 23 de maio e demitido por Gianni Infantino, dirigente máximo da Fifa. Ele teria fechado acordos com Blatter e Valcke considerados como suspeitos. 

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