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Elias

Corinthians passa aperto, mas escapa de derrota em Araraquara

Time de Tite leva enorme sufoco da Ferroviária em empate por 2 a 2

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Gonçalo Junior,
O Estado de S. Paulo

21 Fevereiro 2016 | 21h38

Mesmo com os titulares em campo (só Elias e Felipe de fora), o Corinthians não superou uma das surpresas do Paulistão. Empatou com a Ferroviária por 2 a 2 e perdeu os 100% de aproveitamento no torneio. O Corinthians não conseguiu impor seu jogo, passou sufoco no final e deve comemorar o resultado.

A Ferroviária fez um jogo inteligente, bem pensado e procurou espaços entre as linhas de jogadores do Corinthians. Naquela faixa entre o quarteto de defensores e o volante Bruno Henrique, por exemplo, sempre havia um meia ciscando. Na saída de bola, Cássio só conseguia sair com chutões, porque sempre havia um atacante enchouriçando os zagueiros.

Não é por acaso que o time é uma das surpresas do torneio e briga pela liderança do grupo do São Paulo. Vale lembrar que ele é treinado pelo português Sergio Vieira, único europeu do torneio. No jogo, mostrou que pode arejar taticamente o futebol do interior paulista.

O Corinthians, no entanto, é um time encardido. Sabe sofrer, ser acuado. Ficou sem a bola, mas não passou sufoco no início da partida. Quando conseguia parar e pensar, jogava para o velho Danilo, que cadenciava o jogo e tirava o time das cordas. Velho está aqui como elogio: é o mesmo confiável, famoso, pode jogar a bola nele.

O caminho das pedras eram os lados do campo. Com Romero (direita) e Lucca (esquerda), era mais fácil esgarçar a defesa rival. Foram três chances: Rodriguinho acertou a trave aos 17 e Uendel perdeu o duelo contra o goleiro Rodolfo em duas finalizações seguidas.

A organização tática da Ferroviária começou a se transformar em chances reais no final do primeiro tempo. Em um lance estranho, que surgiu por falha da zaga corintiana, a equipe de Araraquara abriu o placar com Juninho, sem marcação, aos 28. Foi um cruzamento alto, bola lenta, que os zagueiros não rebateram.

O tento foi uma espécie de senha para que o time do interior vislumbrasse a vitória. Aí, o poderoso Corinthians passou sufoco. Mesmo sem estar lotada, a Fonte Luminosa fez barulho e incomodou o rival. Nesse embalo, Fagner salvou o segundo gol em cima da linha aos 32.

O duelo tático entre os dois treinadores teve como moldura um jogo intenso, vívido e veloz, com raros erros de passe. O cenário que mostrou a iminência do segundo gol do time do interior mudou pouco na etapa final. Agora pelos lados do campo, Rafael Miranda e Samuel davam trabalho.

Tite adiantou suas linhas, o time voltou a ser consistente e contou com a sorte para empatar. Danilo cruzou na mão de Igor Julião e pênalti, aquele lance em que jogador está com o braço aberto e a bola bate nele. Lucca cobrou no meio do gol e empatou.

E, como um pêndulo, o jogo voltou para o domínio da Ferroviária. Sempre equilibrado taticamente, o time começou a chutar de fora da área. Conseguiu o 2 a 1 em uma falha de Cássio, que foi desajeitado para a bola após chute de Juninho, de novo.

Mesmo sentindo o peso da viagem pela Libertadores, o Corinthians conseguiu o empate em um dos poucos avanços de Fagner na etapa final. Ele cruzou e Giovanni Augusto fez de canela.

Empolgada, a Ferroviária procurou a vitória até o final e, aos 42, Caíque acertou a trave de Cássio. Fim de um dos melhores jogos do torneio.

FICHA TÉCNICA

FERROVIÁRIA 2 x 2 CORINTHIANS

Ferroviária: Rodolfo; Igor Julião, Wanderson, Marcão e Thalisson; Juninho (Danielzinho), Fernando Gabriel (Rafinha), Rafael Miranda e Samuel; Tiago Adam (Caíque) e Wescley. Técnico: Sergio Vieira

Corinthians: Cassio; Fagner, Yago, Vilson, Uendel; Bruno Henrique, Rodriguinho, Maycon (Marlone) e Danilo (Giovanni Augusto); Romero (André) e Lucca. Técnico: Tite

Árbitro: Flávio Rodrigues de Souza

Cartões amarelos: Caíque, Fagner e Rodolfo

Público: 9272 pagantes

Renda: R$ 474.960,00

Local: Fonte Luminosa (Araraquara)

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