Corinthians: seleção preocupa Parreira

Com sua experiência de treinador tetracampeão mundial, Carlos Alberto Parreira sabe que esta semana a Seleção Brasileira irá influenciar e muito o ambiente no Parque São Jorge. A convocação que Luiz Felipe Scolari fará na quinta-feira para o amistoso diante da Iugoslávia está cada vez mais envolvendo um trio de jogadores fundamentais no clube. Muito mais do que a vitória obrigatória diante da Ponte Preta no sábado por 3 a 1, Parreira tem consciência de que a ansiedade pode complicar Dida, Vampeta e até Kléber na quarta-feira diante do São Caetano. O treinador corintiano decidiu que logo nesta segunda-feira na reapresentação conversará com os jogadores. Ele pedirá que não deixem se influenciar pela importante convocação. Scolari jurou que 90% dos chamados estarão no Mundial. "Não podemos deixar que nenhum fator externo atrapalhe os nossos planos de chegar à fase decisiva do Rio-São Paulo e de seguir na Copa do Brasil", disse Parreira. "Nós conseguimos uma importante vitória contra a Ponte e precisamos somar pontos contra o São Caetano. Será uma partida duríssima e todos precisam estar tranqüilos, confiantes e concentrados." O mais inseguro do trio sem nenhuma dúvida é Dida. O goleiro sofreu outro gol defensável no sábado. Além disso continua mostrando seguidas falhas em cruzamentos. A fase é péssima. Ele que foge de entrevistas desde que foi pego com passaporte falsificado na Itália, continua cada vez mais calado. O medo generalizado está no fato de querer mostrar estar bem na véspera da convocação e falhar novamente. "O Dida é um grande goleiro e merece ir para a Copa. Ele já mostrou o porquê. Não serão alguns gols esporádicos, normais na carreira de qualquer goleiro do mundo, que irão tirá-lo do Mundial. O Luiz Felipe confia nele da mesma maneira que aposta no Marcos e no Rogério Ceni. O Dida não tem motivo de preocupação. Eu já falei isso para ele", diz o supervisor e que por décadas foi preparador de goleiros, Valdir de Moraes. Se no sábado continuava monossilábico nas entrevistas, Dida mostrava dentro de campo sua preocupação. Fugindo às suas características, gritou bem mais do que o normal com os zagueiros corintianos. Estava claro o pavor de sofrer gols que o comprometessem ainda mais. Para aliviar a pressão, seus amigos mais íntimos lembram que mesmo quando estava impedido de atuar no Milan por causa do passaporte falso e ainda não havia acertado com o Corinthians, Luiz Felipe o convocava para a Seleção. Já o falante Vampeta sabe que seu problema deixou de ser a fase atual. O que o ameaça é mesmo a concorrência. Scolari está encantado com Gilberto Silva e Kléberson. Emerson da Roma já foi convocado. A esperança do jogador corintiano é que o treinador opte por sua facilidade em atuar também como lateral direito. "Eu quero ir para a Copa. É um grande sonho que eu tenho. A cada dia se aproxima a hora da definição. Estou esperando, mas isso não irá me atrapalhar no Corinthians. Tenho 28 anos, sou experiente o suficente para poder separar as coisas. Iremos enfrentar o São Caetano na quarta-feira e precisamos de um bom resultado. É isso que importa agora. No dia seguinte, eu penso na Seleção." Kléber que voltou entusiasmado de Cuiabá depois de haver mostrado bom futebol diante dos amadores islandeses, sabe que suas chances na Seleção são reduzidíssimas. Scolari chamou Roberto Carlos e Júnior. "Eu tenho de continuar trabalhando sério no Corinthians. Seleção é mesmo a consagração de um jogador e não importa se sou jovem, gostaria de ir para a Copa como todos os outros. Para mim, só resta tentar jogar o melhor possível e esperar por um chamado. Lógico que irei ficar torcendo." Enquanto isso, a diretoria tentará durante a semana reverter na justiça a liminar que Luís Mário conseguiu para jogar no Grêmio. Os advogados que trabalham pelo clube têm mais motivos para sofrerem pressão. Os dirigentes ainda querem barrar de qualquer maneira a transferência de Luizão ao Grêmio. Mas as duas situações estão complicadíssimas e o desânimo começa a dominar a diretoria preocupada com o prejuízo e com a humilhação pública.

Agencia Estado,

17 Março 2002 | 16h59

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