Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Gonçalo Junior e Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

07 Maio 2017 | 07h00

Os jogadores do Corinthians vão entrar em campo para a decisão do Campeonato Paulista ansiosos para que os 90 minutos passem rapidamente, sem risco nem surpresas. Querem administrar a vantagem de 3 a 0 obtida na primeira partida e festejar um título que muitos duvidavam que o time seria capaz de ganhar. E, desta vez, com o gosto especial de ser em casa, em Itaquera, diante de sua gente, 40 anos depois da conquista sobre essa mesma Ponte Preta, ocorrida no Morumbi, ou seja, do outro lado da cidade. Para estragar a volta olímpica agendada há uma semana, a Ponte precisa de quatro gols de diferença – ou três, e depois levar nos pênaltis. O técnico Gilson Kleina usou a expressão “jogar pela honra” para definir os últimos suspiros da equipe. 

Várias razões justificam a falta de confiança. O Corinthians tem a melhor defesa do torneio e nunca perdeu para a Ponte em casa (quatro vitórias). O time de Campinas chegou à final superando Santos e Palmeiras e segurando a vantagem fora de casa. Hoje, terá de ter outra cara para triunfar, difícil para um esquema calçado no contragolpe. 

A diretoria do Corinthians prepara homenagens para os campeões de 40 anos atrás, que encerraram o jejum de títulos na mítica decisão diante da Ponte no Paulistão de 1977. Os jogadores devem exibir os nomes dos heróis da conquista em suas camisas. O clube não confirma, sob a alegação de que se trata de uma surpresa. “Para não criar falsa expectativa se algo não der certo, prefiro não revelar as ações”, disse Vinicius Azevedo, gerente de marketing. 

O departamento queria promover um jogo festivo com veteranos de 1977, mas não conseguiu mobilizar os ex-atletas da Ponte Preta. As lembranças em relação à data são vistas com desconforto em Campinas. 

A exibição de um “bandeirão” – financiado pela Nike, fornecedora de material esportivo – nas arquibancadas está confirmada. Projetado para ocupar os dois andares do setor Leste do estádio, o mais visível nas transmissões de tevê, a bandeira gigante vai exibir o “Fé alvinegra”. Deve ser o ápice dos festejos para as arquibancadas, que estarão em festa desde o início do jogo. Depois dos 3 a 0 na ida, a torcida precisou de 45 minutos para esgotar os ingressos.

DESAFIO

Durante a semana, o grande desafio do técnico Fábio Carille foi evitar o clima do “já ganhou”. Manteve a rotina de treinos fortes, fez experiências táticas para substituir Rodriguinho e Gabriel, suspensos pelo terceiro cartão amarelo, e só divulgou ontem que Cássio seria o capitão, dentro do esquema de revezamento de líderes que incorporou da filosofia do técnico Tite, seu principal mentor. Hoje, o treinador espera uma partida parecida com a de domingo passado.

“É uma equipe que joga em cima de erro, joga em cima de contra-ataque. Para um jogo só fazer tantas mudanças, pode ser um risco, espero a Ponte Preta do mesmo jeito”, afirma.

Paulo Roberto será escalado no lugar Gabriel. Na vaga de Rodriguinho, autor de dois gols e uma assistência em Campinas, o técnico optou por Camacho. 

Quando Carille diz que espera a Ponte do mesmo jeito, ele quer dizer que o rival vai continuar confiando nos contragolpes. Gilson Kleina vai apostar, mais do que nunca, no trio de ataque formado por Lucca, Clayson e William Pottker. O trio vai pressionar o Corinthians, desde os zagueiros, para roubar a bola e surpreender. 

Pottker, artilheiro do Paulista, faz sua despedida. Depois de quase acertar sua ida para o próprio rival de hoje, o atacante assinou com o Inter e vai disputar a Série B do Campeonato Brasileiro. “Acho que vou deixar boas lembranças. Tive uma boa passagem”, defende o jogador. 

O retrospecto é amplamente favorável aos corintianos, mas a Ponte vai buscar forças e motivação em uma exceção histórica. Em 143 partidas entre os clubes, só conseguiu o triunfo por quatro gols uma vez. Foi exatamente em 1977. No dia 13 de fevereiro, a Ponte arrasou o Corinthians. Ruy Rey, Dicá, Jair Picerni e Parraga fizeram os gols que deram à equipe campineira sua maior vitória diante do time do Parque São Jorge. Mas o confronto aconteceu no Moisés Lucarelli, casa da Ponte. Fora de seu território, nunca fez quatro gols no Corinthians. Nunca. 

A confirmação do título representa uma vitória pessoal de Fábio Carille, desacreditado no início da temporada e que só foi efetivado depois que o Corinthians não conseguiu contratar o colombiano Reinaldo Rueda. Discípulo declarado de Tite, ele confessou que não esperava chegar tão rapidamente a um time grande. “É um sonho, tem hora que a gente pensa em tudo o que está acontecendo tão rápido, em cima de tanta desconfiança. É de emocionar.”

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Gonçalo Junior e Nathalia Garcia, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2017 | 07h00

Em seu 100.º jogo, o Itaquerão recebe sua primeira final de fato. Após os 3 a 0 na partida de ida contra a Ponte Preta, em Campinas, é bastante provável que a equipe levante a taça diante de sua gente, em festa cantada durante toda a semana. 

Em 2015, ano da conquista do título brasileiro, o Corinthians confirmou o título com antecedência ao empatar com o Vasco por 1 a 1, fora de casa. Faltando três rodadas para o fim do torneio, a equipe não poderia mais ser alcançada. O Atlético-MG, que ameaçava na segunda colocação, perdeu para o São Paulo. O jogo seguinte, diante do rival do Morumbi, quando a equipe goleou por 6 a 1, marcou a entrega do troféu – foi a primeira vez que houve volta olímpica na casa corintiana. 

A diretoria do clube acredita no recorde de público neste domingo. A carga de ingressos para o duelo com a Ponte é de 45 mil – a quantia não foi confirmada. A maior ocupação do estádio foi exatamente no dia da festa do hexa brasileiro, em 2015, na vitória sobre o São Paulo: 44.976 pessoas pagaram ingresso. 

Construída em 2014, a Arena Corinthians foi palco de partidas da Copa, Olimpíada e da seleção. Será a primeira final profissional, mas o estádio já recebeu decisões de categorias de base, ambas do sub-20. Em 2015, o time se sagrou campeão paulista ao superar o Santos. Já em 2016, foi vice brasileiro ao ser derrotado pelo Botafogo.

Em 99 jogos, o Corinthians teve ótimo aproveitamento: 69 vitórias, 23 empates e 7 derrotas

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Gonçalo Junior e Nathalia Garcia, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2017 | 07h00

Sucessor de Tite no Corinthians, Fábio Carille também faz do sistema defensivo o seu trunfo. A partir do setor liderado por Pablo e Balbuena, o treinador iniciou a reorganização da equipe e afastou a desconfiança de todos. Com apenas 10 gols sofridos, o time é o dono da melhor defesa do Paulistão. “Nos últimos três jogos do Campeonato Paulista, fizemos seis gols e tomamos apenas um, ainda estou buscando o equilíbrio, mas o setor já está dando boa resposta”, disse Carille.

Ter a defesa menos vazada tem sido uma marca do Corinthians nos últimos anos. A consistência da dupla formada por Gil e Felipe no hexacampeonato brasileiro, em 2015, ainda está viva na memória do torcedor.

Quem chega não demora a assimilar a proposta defensiva, que já se tornou até uma filosofia. “O Corinthians tem esse histórico de boas defesas e, sem dúvida, isso ajudou na minha evolução. Os que entraram também deram conta do recado e tudo isso é reflexo da ajuda de todos em campo. No hexa, todos trabalhavam pensando no bem da equipe como um todo”, disse Felipe, que atualmente defende o Porto, de Portugal.

Gil também acredita que o coletivo é o segredo para o bom desempenho dos zagueiros corintianos. “O sucesso deles se deve à entrega de todos em campo. Uma dupla de zaga só vai bem se todos ajudarem. A qualidade deles é indiscutível e estão muito bem, mas é preciso que tudo funcione para conseguirem os resultados nos jogos.”

O paraguaio Balbuena chegou ao clube no ano passado e, aos poucos, foi ganhando espaço. Já mostrava evolução quando Pablo veio do Bordeaux, da França, nesta temporada. O rápido entendimento entre ambos e a regularidade da dupla têm dado fruto em campo. Fora dele, os dois se tornaram líderes silenciosos. Hoje, serão novamente os pilares do Corinthians. Se trabalharem bem, o 28.º título estadual está garantido. “Pablo e Balbuena são experientes. Já passaram por grandes clubes. O Balbuena chegou antes, já conhecia o Corinthians, e deve ter passado tranquilidade ao colega”, analisa o zagueiro Felipe.

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Gonçalo Junior e Nathalia Garcia, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2017 | 07h00

A Ponte não pôde fazer o treino tradicional aberto ao público, na véspera da partida, no estádio Moisés Lucarelli. Como o estado do gramado estava inadequado, o trabalho de ontem foi marcado para o CT do Jardim Eulina, que não tem infraestrutura para receber o torcedor.

Após a primeira partida da final estadual contra o Corinthians, em Campinas, o entusiasmo da torcida diminuiu. Os 2,2 mil ingressos ficaram à disposição entre quinta-feira e sexta-feira, depois de um dia de venda exclusiva para os sócios. Antes do primeiro jogo, os 17 mil foram adquiridos em sete horas, com filas ao redor do estádio. A diretoria ofereceu oito ônibus gratuitos para a partida desta tarde, em São Paulo.

Independentemente do resultado de hoje, a Ponte quer modificar a rotina de desmanche dos times do interior após uma boa campanha no Campeonato Paulista. Para a saída já anunciada de Willian Pottker (vai para o Internacional), o clube contratou Emerson Sheik, que será a referência ofensiva e um dos líderes do elenco de Campinas.

No lugar de Clayson, uma das revelações do torneio e que deverá se transferir para o próprio Corinthians, o time de Gilson Kleina deve apostar no atacante Fernandinho, revelação do Noroeste na Série A3 do Campeonato Paulista. O atacante de 19 anos ajudou o clube a se livrar do rebaixamento para a quarta divisão – disputou nove jogos e marcou um gol pela equipe de Bauru. Ele deverá ser aproveitado no sub-20 da Ponte para ganhar experiência.

Já estão integrados os laterais-esquerdos Fernandinho (ex-Botafogo-SP) e João Lucas (ex-Novorizontino), além do meia Xuxa (ex-Mirassol). Aos 38 anos, Sheik vai fazer um trabalho de transição física antes de poder estrear. Ele treinou normalmente ontem e hoje.

O próximo jogo da Ponte Preta – ainda sem Emerson Sheik – será na terça-feira, pela Copa Sul-Americana. Depois do empate por 0 a 0 no confronto de ida, em Campinas, a Ponte joga por um empate com gols – ou vitória – para se classificar. Após chegar à final do Paulistão, a diretoria tentou adiar o duelo da volta, mas o pedido foi negado pela Conmebol.

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