Pedro Ernesto Guerra Azevedo/ Santos FC
Pedro Ernesto Guerra Azevedo/ Santos FC

‘Criatividade tem de superar falta de recursos’

Candidato à reeleição, Modesto Roma Junior diz que viveu situação financeira caótica, mas conseguiu colocar o clube de pé

Entrevista com

Modesto Roma Junior

O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2017 | 07h00

Com apenas o 11.º time mais caro do País, Modesto Roma Junior afirma que ainda é possível se aproximar do Corinthians e tirar a diferença de dez pontos do líder do Brasileirão. A afirmação foi feita em entrevista ao Estado na véspera do lançamento de sua candidatura à reeleição à presidência do Santos. Depois de enfrentar uma situação financeira caótica, com pendência de salários e atraso nos direitos de imagem, o presidente afirma que conseguiu recolocar o Santos de pé, mas lamenta o fiasco de ser desclassificado em casa na Libertadores.

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É possível tirar a diferença de dez pontos para o Corinthians?

A criatividade tem de superar a falta de recursos. Outros investiram muito mais do que nós. Estamos em segundo lugar. Temos dez pontos de desvantagem para o primeiro colocado. Se não der para tirar, nós já estamos classificados para a Libertadores. O primeiro time que está fora da zona de classificação à Libertadores está 11 pontos atrás da gente. O Corinthians não pode descuidar. Vamos tirar? Não sei.

O senhor já conversou sobre a renovação com Levir Culpi?

Ainda não.

Queria que ele continuasse?

Depende. Não é algo premente. Já falamos sobre 2018, Levir e eu. É algo que precisamos discutir. Se tem interesse do Levir no nosso projeto e o nosso interesse no projeto dele. É algo que precisamos conversar.

E sobre o Ricardo Oliveira? Ele continua em 2018?

Já fizemos a proposta. Aguardo resposta. A mesma coisa é o Lucas Lima.

O Lucas Lima já conversou com o Palmeiras?

Ele me disse pessoalmente que não. Disse que não conversou com ninguém e que as notícias são todas infundadas.

O Robinho vai voltar?

Não falamos com o Robinho e nem vamos falar. É a questão inversa do Lucas Lima. Da mesma forma que o Palmeiras não falou com o Lucas Lima, porque respeita o contrato que ele tem com o Santos, eu não falei com o Robinho porque respeito o contrato que ele tem com o Atlético-MG. A lei permite, mas a ética, não.

Qual é o balanço geral que o senhor faz do seu mandato?

O nosso primeiro objetivo, que era colocar o Santos em pé, foi alcançado. Se tivéssemos acesos e acordados, iríamos enfrentar o Grêmio agora na Libertadores...

Como está a situação financeira do Santos hoje?

Melhor, mas ainda difícil. Em novembro, acabamos os empréstimos bancários. Isso significa que as cotas de TV serão recebidas integralmente. Passamos três anos com os valores de duas cotas de TV. Como no primeiro ano, ela estava toda tomada, nós fizemos três anos com duas cotas. Os principais jogadores estavam fatiados. Espero concluir o mandato sem comprometimento de atletas com investidores.

Existem pendências com os jogadores?

Não. A folha do mês está paga. Os salários estão em dia. A forma de gerir está mudando. Só uma minoria recebe direito de imagem. São oito ou dez jogadores. Estamos caminhando para que todos os contratos sejam assinados no regime CLT.

Como foi o início?

O futebol está mudando de cara. É uma atividade que tem de ter governança, ética e responsabilidade. Não pode ter mais aquela brincadeira: eu finjo que pago e você finge que joga. O caminho começou a ser percorrido. Essa mentalidade, não é só Santos, mas da maioria dos clubes, começa a pegar corpo no futebol brasileiro.

Se reeleito presidente, qual será a prioridade?

Temos de melhorar a governança, estamos implantando o planejamento estratégico. Nós nos comunicamos mal, internamente e externamente. O Santos pode ter mais visibilidade. O marketing pode melhorar muito.

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