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'Cristiano Ronaldo é talento aliado ao trabalho, ao carisma e à vontade', diz técnico de Portugal

Fernando Santos afirma que seleção conseguiu unir o futebol do craque com a força coletiva e chama Neymar de ‘magnífico’

Entrevista com

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2017 | 07h00

Fernando Santos já fez história com a seleção portuguesa uma vez ao conquistar o inédito título da Eurocopa de 2016. Depois de colocar Portugal no topo da Europa, sonha mais alto e faz planos para a Copa do Mundo de 2018. Antes, porém, tem a Copa das Confederações no meio do caminho, mês que vem. Na quinta-feira, ele anuncia a lista de convocados e, mesmo sem depositar todas as fichas em Cristiano Ronaldo, confia no craque do Real Madrid para faturar mais uma taça. Ao Estado, o treinador diz também que Neymar é “um magnífico jogador” e que os “resultados desde a chegada de Tite têm sido excelentes”.

Portugal está no Grupo A da Copa das Confederações ao lado de Rússia, Nova Zelândia e México. Como o senhor avalia as chances de avançar para a próxima fase?

Estamos num grupo muito difícil, onde penso que a Rússia, que passa por uma renovação muito bem feita preparando o Mundial e joga em casa, é uma das favoritas. Depois, o México, grande potência do futebol mundial, sempre candidato a ganhar uma prova como esta e uma Nova Zelândia que vai querer surpreender quem a menosprezar. Dito isto, é evidente que também temos as nossas ambições e queremos seguir em frente, passando um grupo que será complicado.

Na sua opinião, quais são as seleções favoritas ao título da Copa das Confederações?

Esta competição é muito rápida. Tem um formato muito específico e tudo pode acontecer, mas diria que, para além de Rússia e México, que referi acima, partem também como favoritos os campeões do mundo, a Alemanha, e os campeões sul-americanos, o Chile.

O que os torcedores podem esperar de Cristiano Ronaldo na Copa das Confederações?

O habitual: o talento do melhor jogador do mundo aliado ao trabalho, ao carisma e também à vontade de vencer todas as adversidades.

O senhor concorda com a avaliação de que o desempenho de Portugal na Copa das Confederações depende do desempenho de Cristiano Ronaldo?

O futebol é um jogo coletivo e Portugal tem a sorte de contar com o melhor jogador do mundo. Os resultados da seleção portuguesa demonstram que temos casado de forma perfeita o contributo inigualável de Ronaldo com a força coletiva. Agora, é óbvio que os melhores jogadores têm sempre grande influência nas equipes que jogam.  Ronaldo é decisivo no Real Madrid, como já foi no Manchester United. Como não seria na seleção?

Portugal, com apenas dez milhões de habitantes, é o atual campeão europeu e possui alguns dos melhores jogadores e treinadores do mundo. Qual é a razão de tanto sucesso?

Excelente formação desde a base até ao topo, nos clubes e nas seleções; excelentes técnicos; uma organização federativa que não fica a dever nada a nenhuma outra no mundo. Muito talento e muita paixão pelo futebol e o apoio incondicional dos nossos torcedores.

A campanha na Portugal na Copa das Confederações servirá como referência para a Copa do Mundo de 2018?

Não, até porque ainda estamos disputando a classificação para estamos na Rússia. De qualquer forma, o próprio modelo de competição e as equipas que disputam a Copa do Mundo não têm nenhuma semelhança com a Copa das Confederações. São modelos competitivos completamente diferentes e que envolvem também uma preparação completamente diferente. A única semelhança entre as duas competições vai ser a nossa ambição.

Em uma entrevista recente, o senhor afirmou que Portugal “nunca vai ser dominador no futebol europeu”. Por que acredita que nem o título da Euro 2016 pode mudar essa situação?

Portugal tem dez milhões de habitantes e compete frente a nações como Alemanha, França, Itália, Espanha ou Inglaterra, países com 80, 70, 60, 50 e 45 milhões de habitantes. Somos obrigados a fazer melhor com menos recursos humanos e financeiros. A verdade é que a nossa organização e o nosso talento podem servir de base para excelentes prestações, mas isso é diferente de ter o domínio do futebol europeu.

Cristiano Ronaldo afirmou que é mais difícil ganhar a Eurocopa do que a Liga dos Campeões O senhor concorda?

Ele disse que é mais difícil ganhar a Euro por Portugal do que a Liga dos Campeões pelo Real Madrid. Por todas as razões que apresentei anteriormente, concordo com essa opinião. O Real Madrid é um gigante do futebol mundial de clube. Chega com alguma regularidade à final e é o clube com mais títulos europeus. Portugal chegou duas vezes na final da Eurocopa e venceu uma.

Na sua opinião, Neymar está no mesmo nível de Messi e Cristiano Ronaldo e poderá ser eleito o melhor jogador do mundo?

Já referi em anteriores entrevistas que considero Neymar um magnífico jogador, que ainda tem margem de progressão. O Cristiano Ronaldo e Messi já venceram, em conjunto, nove vezes o troféu de melhor jogador do mundo e continuam a níveis muito altos. Por isso, Neymar vai ter de continuar a trabalhar muito para um dia conseguir essa eleição.

Como o senhor avalia o atual momento da seleção brasileira, depois o 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo de 2014, as duas eliminações na Copa América e a chegada do Tite?

Com a base populacional, o talento dos jogadores, dos técnicos e a paixão que o país tem pelo futebol, o Brasil tem o mais importante para se impor novamente no panorama mundial. O Brasil é sempre favorito a ganhar qualquer competição que dispute. Aliás, os últimos resultados desde a chegada de Tite têm sido excelentes. Talvez o futebol brasileiro como em todo o lado, não falando apenas do valor da seleção, possa sempre melhorar alguns aspectos, como, por exemplo, a formação ou a organização. O Brasil saberá encontrar a forma de continuar melhorando.

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