Cuidado com o andor!

São Paulo pode botar os pés pelas mãos, se chamar Muricy para ser ‘consultor informal’

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2017 | 03h00

A água bate no pescoço e os são-paulinos estão preocupados com o que lhes reserva o destino em 2018. Com razão. Desta vez, o perigo de ir para a Série B não é imaginário, como em ocasiões mais ou menos recentes, mas real, quase iminente: o retrospecto precário no Brasileiro e a penúltima colocação atestam a fase angustiante.

A primeira reação em casos semelhantes foi a tradicional troca de comando. Saiu Rogério Ceni, com a imagem desgastada de ídolo como jogador, e veio Dorival Júnior. Na ocasião, se optou por técnico experiente como forma de acelerar a recuperação. Já ali se via um sintoma de nervosismo, típico de quem teme o pior.

Pois bem, a mudança não trouxe os efeitos desejados. A equipe continua a balançar, os resultados negativos se acumulam, a pontuação míngua. Crescem pressão e medo, a torcida comparece em massa ao estádio; no entanto, já cobra com veemência e algumas vaias. Jogadores escancaram mal-estar interno, como provam declarações de Rodrigo Caio em relação a Cueva. 

Agora, surge outro episódio que pode incrementar a tensão – e surgiu com a maior das boas intenções. Muricy Ramalho, no momento comentarista do SporTV, disse que gostaria muito de ajudar o clube com o qual tem enorme ligação afetiva. Falou assim, de maneira espontânea, no ar. Como tem compromisso com a emissora de tevê, ficaria à disposição para ajuda voluntária.

A oferta foi imediatamente encampada pela direção, como admitiu Vinicius Pinotti, diretor de futebol tricolor. Tanto que houve contato com o treinador, sempre na base de sabe como é, pois então, toda ajuda é bem-vinda, porém precisa ter a concordância de Dorival Júnior e observações do gênero. Na tentativa de não ferir suscetibilidades. 

O São Paulo pisa na bola ao abrir brecha para Muricy. Não por ele, querido pelo público e tricampeão brasileiro. Mas por Dorival. Ao acenar com a possibilidade de chamar o ex-técnico ao menos para “dar palestras”, implicitamente admite que o professor atual não preenche os requisitos necessários para tirar o time do fundo do poço. Passa atestado de que, no momento, se faz necessário reforço exterior. 

Se fosse um novato, Dorival ficaria desconfortável, embora provavelmente aceitasse. Mas, com o que tem de rodagem, a “visita” de um colega renomado tem tudo para ser interpretada como uma intervenção branca. E isso só pode piorar as coisas, ou ser visto como um recado de que o chefe atual entrou no limbo na etapa do prestigiado, antessala para a demissão. A não ser que o próprio Dorival ache aceitável.

Não cravo que ele safe o São Paulo da degola inédita; se bem que ainda esteja em tempo de fazê-lo. Mas, ou a direção confia em Dorival ou o dispensa. Não pode é fritá-lo em banho-maria. E Muricy, correto e profissional, deve esquecer a gratidão pelo clube de origem, porque agora está do lado de cá do balcão. Devagar com este andor que o santo, em 2017, infelizmente é de barro.

 

DESAFIOS BRASILEIROS

Santos, Botafogo e Grêmio são os remanescentes patrícios na corrida pelo título da Libertadores e entram em campo nesta noite. Os gaúchos têm elenco mais forte, na teoria são favoritos no duelo doméstico com os cariocas. O Botafogo conta, em seu favor, com retrospecto surpreendente de superação na atual temporada. Começou como um dos azarões na competição sul-americana e avança com denodo. Tem direito de sonhar com final inédita. O Santos, invicto, precisa tomar cuidado para não cair na armadilha do Barcelona, adversário com pouco brilho, mas ajustado. 

 

ALGUMA DÚVIDA?

Messi destruiu a Juventus, nos 3 a 0 do Barcelona, na primeira rodada da Liga dos Campeões. Está provado que, enquanto estiver no time catalão, não há espaço para outro astro. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.