Data especial

Dia de festa nacional e, talvez, de outro título pra República Popular do Corinthians

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2017 | 04h00

Amigo leitor, o feriado de hoje é especial para duas Repúblicas – a nossa querida Federativa do Brasil e a Popular do Corinthians. A primeira relembra 128 anos do movimento que dissolveu o regime monárquico por aqui. Ela anda meio bagunçada, mas segue em frente, com fé em Deus e pé na tábua. A segunda se prepara para comemorar o sétimo título da Série A, o quarto no século. Esta balançou um pouco no returno, mas se aprumou e caminha firmemente adiante. 

O Corinthians será campeão – isso pedras, cimentos e mármores do estádio de Itaquera sabem. Só a matemática faz com que se tome a cautela de nos metermos em contas para chancelar uma conquista merecida. 

Você sabe que o cálculo é simples: basta bater o Fluminense, à noite, na 35.ª rodada, e usar as três restantes para estender a festa antes das férias. Empate e derrota também podem servir, desde que Grêmio e Palmeiras igualmente tropecem. Em resumo: pode não vir nesta quarta-feira, mas virá em algum dos próximos domingos. 

Para chegar a situação tão cômoda os corintianos superaram desconfianças generalizadas e as próprias limitações. O grupo colocado à disposição de Fábio Carille não era visto como “top de linha”. Não contava com estrelas, tampouco era recheado de pernas de pau. Imaginava-se que campanha decente, com colocação na parte de cima da tabela, já compensaria o esforço e ajudaria em planejamento melhor para 2018. O treinador mesmo ficou sob observação no início da temporada.

O resto da história todos sabemos de cor e salteado. O Corinthians superou expectativas no Estadual, ao levantar a taça, e se tornou protagonista de um primeiro turno histórico no Brasileirão. O aproveitamento com índice de 80% pra cima fez com que abrisse vantagem abissal sobre os demais. 

Sobreveio período de turbulência no returno, acumularam-se derrotas e empates – que serviram apenas para provocar ilusão nos perseguidores. Grêmio, Palmeiras, Santos, Flamengo não tiveram competência e regularidade para aproveitar-se dos vacilos do líder e não passaram do “quase” na reta decisiva da competição. Contentam-se com G-4, G-7, G-8 e siglas do gênero. Rendem-se ao melhor.

Na crônica de domingo, o tema foi abordado outra vez; vale agora como registro. O futebol jogado nestas bandas não é, atualmente, de primeira grandeza. Há dificuldades técnicas evidentes, assim como carece de ousadia. Nada disso tira o valor da trajetória alvinegra, nem torna o título menos importante ou digno de júbilo. Houve trabalho, dedicação, eficiência dos corintianos – e sejam respeitados. 

A propósito de possibilidade de passar a régua nesta rodada, uma questão: por ser feriado, não seria bacana trazer o jogo para o período da tarde? Assim haveria tempo suficiente para cerimônia de entrega do troféu, com o calor da torcida, volta olímpica, etc. Não precisaria da conversa fiada de que não poderá ser cumprido o protocolo à noite, porque tumultuaria o retorno do público para casa. Ah, existem outras questões na grade...

DEU SONO

Esperava-se teste vibrante para o Brasil diante da Inglaterra, primeiro rival europeu da era Tite. Pois o amistoso em Wembley foi modorrento, arrastado, insosso, sem graça e sem emoção. Aquele 0 a 0 desalentador. Ok, o sistema defensivo da turma da amarelinha funcionou – os ingleses deram pouco trabalho. Mas meio-campo e ataque comportaram-se sem criatividade. 

AZZURA

Uma pena o fiasco da Itália, que morreu na repescagem e não vai à Rússia. Bola cantada, e não é de agora. As campanhas ruins em 2010 e 2014 não serviram de lição e, para piorar, apostou-se num técnico sem lastro. Não adianta chorar.

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