De gols a recordes, Copa no Brasil entra na história do futebol

Após 31 dias e 64 partidas disputadas em 12 estádios, a 20.ª edição do Mundial é considerada uma das melhores dos últimos tempos

Diego Salgado e Esther Morel, O Estado de S. Paulo

14 Julho 2014 | 05h00

A Copa do Mundo chegou ao fim com o tetracampeonato da Alemanha no Maracanã, após a vitória do time europeu por 1 a 0 sobre a Argentina. Em 31 dias, o Mundial  disputado no Brasil entrou para a história como uma das melhores edições dos últimos tempos. Em campo, muitos gols - especialmente na primeira fase. A partir das oitavas de final, o número de gols diminuiu, mas as emoções só aumentaram.

A competição teve, ao longo das últimas semanas, muitos momentos que ficarão marcados para sempre. O Mundial brasileiro teve uma agressão histórica de Luis  Suárez, além de uma das mais comentadas contusões do futebol, responsável pela saída de Neymar do torneio. A Costa Rica eliminou dois campeões do mundo e  James Rodríguez se tornou um dos maiores destaques da Copa ao marcar seis gols em cinco partidas.

Nas finais, o Brasil foi goleado pela Alemanha por 7 a 1, na pior derrota da sua história. Os alemães, na sequência, conseguiram quebrar uma marca de 84  anos: pela primeira vez uma equipe europeia conseguiu erguer a taça da Copa no continente americano. Na decisão, Mario Götze marcou o gol do título em uma  final emocionante. 

RECORDES

Alguns recordes também foram batidos no Mundial. O colombiano Faryd Mondragón tornou-se o jogador mais velho a disputar a competição - ele esteve em campo por cinco minutos contra o Japão, na vitória por 4 a 1. Buffon, por sua vez, esteve presente na quinta Copa do Mundo, igualando-se ao goleiro do México, Antonio Carbajal, e o meia alemão Lothar Matthäus. Já Miroslav Klose balançou as redes duas vezes, superou Ronaldo e se isolou como o maior artilheiro da história da competição, com 16 gols.

FORA DA COPA

Craque da seleção brasileira, Neymar sofreu uma grave lesão na vitória por 2 a 1 sobre a Colômbia, nas quartas de final, e acabou fora do restante da Copa. No lance, o camisa 10  recebeu uma entrada de Zúñiga, já no fim da partida, e o impacto nas costas resultou na fratura de uma das vértebras da lombar. O atacante deixou a concentração do Brasil  no dia seguinte, mas acompanhou a derrota por 3 a 0 para a Holanda, na disputa de terceiro lugar, do banco de reservas.

SUSPENSÃO CELESTE

Luis Suárez foi o grande protagonista da vitória uruguaia por 2 a 1 sobre a Inglaterra, no segundo jogo da primeira fase. Na partida seguinte, o atacante  agrediu o zagueiro italiano Chiellini com uma mordida no ombro. O Uruguai venceu por 1 a 0, garantiu a classificação às oitavas de final, mas perdeu Suárez, que pegou um gancho de nove jogos de suspensão pela seleção, além de ficar quatro meses afastado do futebol.

GOLEADA HISTÓRICA

Um placar improvável em uma partida de apenas uma equipe. A Alemanha garantiu uma vaga na grande final depois de golear o Brasil por 7 a 1. O  primeiro tempo terminou 5 a 0 para os alemães, que chegaram a marcar quatro gols em apenas seis minutos. Na etapa final, a seleção campeã do mundo ainda  fez mais dois e Oscar diminuiu para a equipe anfitriã, na maior derrota da história centenária do futebol brasileiro.

PAREDÃO

Tim Howard entrou para a história das Copas ao fazer 16 defesas na derrota dos Estados Unidos para a Bélgica por 2 a 1. O norte-americano tornou-se o goleiro com mais intervenções em uma única partida. A Fifa começou a registrar a estatística na edição de 1966, há 48 anos. Mesmo com a atuação, os Estados Unidos acabaram eliminados nas oitavas de final. 

ARMERATION

Bastou a Colômbia marcar pela primeira vez para que as comemorações do time sul-americano se tornassem um dos destaques da competição. Após o gol  marcado contra a Grécia, o lateral-esquerdo Pablo Armero reeditou o "Armeration", famosa dança realizada quando era jogador do Palmeiras, em 2010. A festa colombiana em terras brasileiras durou até as quartas de final.

ESPECIALISTA EM PÊNALTIS

O holandês Tim Krul salvou a Holanda nas quartas de final ao defender dois pênaltis contra a Costa Rica. Após um empate sem gols, a seleção holandesa venceu  por 4 a 2. O goleiro reserva entrou em campo no lugar do titular Cillessen no fim do segundo tempo da prorrogação "apenas" para participar da decisão da vaga. Krul brilhou e também entrou para história ao pegar as cobranças de Bryan Ruiz e Umaña.

A GRANDE ZEBRA

A Costa Rica tornou-se, ao longo da Copa do Mundo, a maior surpresa. Logo na estreia, bateu o Uruguai, de virada, por 3 a 1. Depois, diante da  Itália, garantiu a classificação e, de quebra, eliminou a Inglaterra da competição. A vitória costa-riquenha veio após um gol de cabeça do capitão Bryan Ruiz. A ótima campanha da seleção da América Central chegou ao fim nas quartas de final, na derrota nos pênaltis para a Holanda.

GOLAÇO DA COPA

James Rodríguez marcou seis gols e fechou sua participação no Mundial como artilheiro isolado. O meia-atacante foi às redes em todas as partidas que entrou em campo. Diante do Uruguai, nas oitavas de final, fez um dos gols mais bonitos da competição. No lance, recebeu a bola cercado por cinco uruguaios, matou no peito fora da área, girou e bateu no gol, sem chances para o goleiro Muslera.

SANGUE DE CAMPEÃO

O volante Bastian Schweinsteiger é um dos símbolos da Alemanha, tetracampeã mundial no Brasil. Em sua terceira Copa do Mundo, o jogador do Bayern de Munique mostrou a vontade da seleção na final ao continuar em campo mesmo após um grande ferimento no rosto. O fato ocorreu após uma disputa aérea, no segundo tempo da prorrogação, na qual Agüero acertou um soco no alemão.

BICICLETA INUSITADA

A Argentina vencia a Suíça por 1 a 0 na partida válida pelas oitavas de final. No desespero, o goleiro Diego Benaglio foi ao ataque na tentativa de empatar a  partida, que já estava na prorrogação. Após um escanteio cobrado, o suíço tentou uma jogada improvável: deu uma bicicleta, que passou longe da meta defendida por Sergio Romero. O esforço, apesar de inusitado, foi em vão, pois a seleção da Suíça acabou mesmo eliminada da Copa.

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