Gilvan de Souza/Flamengo
Gilvan de Souza/Flamengo

De São Gonçalo a Madri, Vinícius Jr. não vê a hora de jogar no Real

Destaque da seleção no Sul-Americano Sub-17 há dois meses, joia do Flamengo foi comprada por R$ 164 milhões

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2017 | 08h06

Ele tem 16 anos e, há pouco mais de 10 meses, nem mesmo poderia trabalhar, de acordo com a legislação brasileira. Mesmo assim, já é um dos profissionais mais valorizados do (seu) mercado, a ponto de ter sido contratado por um gigante espanhol pela fortuna de R$ 164 milhões. E só poderá trabalhar do outro lado do Oceano Atlântico daqui a pouco mais de um ano, quando atingir a maioridade. O atacante do Flamengo Vinicius Júnior é aquilo que no mundo do futebol costumam chamar de joia. Desde já, é o novo candidato a fenômeno do futebol.

Nascido em São Gonçalo, cidade pobre na região metropolitana do Rio de Janeiro, o jogador começou a treinar em uma escolinha do Flamengo em 2006, antes mesmo de completar seis anos. Depois, chegou a jogar futsal em um clube de futsal de Niterói (RJ) antes de voltar em definitivo para os campos do time rubro-negro, em 2010.

Vinicius Júnior estourou nas manchetes há pouco mais de dois meses. No Sul-Americano Sub-17, disputado no Chile, deu uma sequência de três chapéus na partida contra o Paraguai e encerrou a competição vencida pelo Brasil como artilheiro, com sete gols.

Por ora, contudo, as cifras envolvendo a transação do atacante do Flamengo para o Real Madrid falam mais do que o jogador conseguiu mostrar em campo. Classificado pelo clube merengue como um atleta "habilidoso, rápido, com boa finta e faro de gol", Vinicius Júnior não iniciou ainda nenhum jogo como profissional. Ao todo, disputou apenas 25 minutos em duas partidas pelo Campeonato Brasileiro.

Na última quarta-feira, ele assistiu do banco de reservas à vitória do Flamengo sobre o Atlético Goianiense no estádio Serra Dourada, em Goiânia, naquela que foi a sua primeira partida com o status de segunda maior negociação da história do futebol brasileiro. Perde apenas para a transferência de Neymar para o Barcelona, cujo valor ainda está sendo discutido na justiça espanhola, mas é de cerca de R$ 320 milhões.

"Ele tem passado tantas emoções nas últimas horas. Talvez eu tenha tido um pouco mais de cuidado, porque era um jogo eliminatório, e isso poderia alterar a questão psicológica dele", justificou o técnico Zé Ricardo, ao final da partida válida pelas oitavas de final da Copa do Brasil. "Mas é um garoto com um talento muito grande".

Daqui até julho do ano que vem, quando completará 18 anos e poderá finalmente se transferir para o Real Madrid, Vinicius Júnior deverá ganhar mais espaço. Primeiro porque a pressão da torcida já é grande, a ponto de um grupo de torcedores chamar Zé Ricardo de "burro" na última quarta-feira. Segundo porque o clube espanhol espera que o rubro-negro dê rodagem a sua nova aquisição.

O garoto tenta manter a tranquilidade. Mede bem as palavras e não demonstra descontentamento por ter de assistir aos jogos do banco, mesmo sendo o jogador mais caro a atuar no futebol brasileiro e já ter sido contratado por um dos clubes mais badalados do mundo.

"Não estou pensando nisso ainda, não", desconversou Vinicius Júnior, ao ser indagado sobre como prevê a estreia pelo Real Madrid. Pouco depois, porém, deixou escapar uma ponta de ansiedade. "Às vezes vêm à cabeça um passe do Cristiano Ronaldo, um passe do Kroos. Mas agora estou com a cabeça só no Flamengo".

Apesar de completar 18 anos em julho de 2018, o acordo entre Flamengo e Real Madrid prevê que a transferência possa se concretizar apenas no ano seguinte. A única certeza é que, por enquanto, os torcedores do Real Madrid precisam confiar na opinião de seus dirigentes - que dizem que "aos 16, o atacante brasileiro é uma das grandes promessas do futebol mundial" - e na do técnico que, até o momento, só o colocou em campo por 25 minutos. "Boas coisas estão por vir para o torcedor do Real", disse Zé Ricardo.

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