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Decisão da Fifa de punir Suárez provoca indignação entre uruguaios

REUTERS

26 Junho 2014 | 12h 53

A punição da Fifa ao atacante do Uruguai Luis Suárez, suspenso por nove jogos por morder um zagueiro italiano em partida pela Copa do Mundo, despertou a indignação e repúdio entre os uruguaios.

Além das nove partidas, a Fifa proibiu Suárez de realizar qualquer atividade relativa ao futebol pelos próximos quatro meses e o multou em 100 mil francos suíços (111 mil dólares). 

A Fifa também decidiu que Suárez não poderá sequer entrar nos recintos dos estádios em que a seleção uruguaia disputar seus jogos, enquanto esteja cumprindo a suspensão por ter mordido o zagueiro Giorgio Chiellini na partida em que o Uruguai bateu a Itália por 1 x 0 e se classificou para as oitavas de final.

A comoção dos uruguaios nas ruas, nas redes sociais, e nos meios de comunicação foi imediata.

"É muito. Há casos piores que não tiveram punição, ou tiveram sanções menores, como a cabeçada de (Zinedine) Zidande. Não quero entrar em teorias conspiratórias, mas parece que não interessa à Fifa que um país pequeno como o Uruguai avance", disse Andrés Ramírez, um advogado de 62 anos.

A equipe do treinador Oscar Tabárez, que teve uma campanha difícil desde a estreia com uma surpreendente derrota para a Costa Rica por 3 x 1, deverá ficar sem seu principal jogador pelo resto do torneio. 

A celeste enfrenta a Colômbia no sábado no Rio de Janeiro no Maracanã, onde há mais de 63 anos ganhou a Copa diante do Brasil, garantindo o campeonato mundial de 1950, o segundo de sua história.

"Penso que é uma punição excessiva. Estão tratando Suárez como um delinquente, um terrorista, por quatro meses não pode jogar ou estar vinculado à Fifa. Embora eu acredite que deveria haver uma sanção, estão exagerando o que foi a agressão", disse María Cardozo, funcionária administrativa, de 48 anos.

A página do jornal uruguaio El País na Internet dizia "A Celeste fica sem seu goleador", e o portal Montevideo.com "O que não mata, fortalece". "Que injusto, que triste, que máfia", expressou a jornalista uruguaia Viviana Ruggiero.

Na última hora desta quarta-feira no Twitter os uruguaios promoveram a hashtag  #DeOficioTodosoNinguno, pedindo que todos jogadores que cometeram faltas e não foram punidos dentro de campo sejam tratados como foi Suárez.

"Todos os jogadores são iguais, se vale para um, vale para todos, ou que não valha para nenhum", disse o jogador uruguaio Jorge Fucile, aderindo ao movimento antes de conhecer a decisão da Fifa.

"Se é punida uma falta, que sejam punidas todas as similares", acrescentou o jogador da seleção uruguaia Alvaro Pereira.

(Reportagem de Malena Castaldi)