Deic investiga esquema de notas frias no Corinthians

Presidente Alberto Dualib é acusado de liderar quadrilha de estelionatários; rombo chega a quase meio milhão

Robson Morelli, Jornal da Tarde

14 Agosto 2007 | 22h16

O inquérito policial que será aberto pelo Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) contra o presidente do Corinthians, Alberto Dualib, vai analisar as 80 notas fiscais entregues ao clube pela empresa N.B.L. Serviços Contábeis, Consultoria e Assessoria Empresarial S.C. Ltda. A apuração pega carona nas acusações do Ministério Público estadual de que existia uma quadrilha de estelionatários no Corinthians, liderada por Dualib e seu vice-presidente, Nesi Curi. A N.B.L. é acusada pelos promotores de vender notas falsas e simular a prestação de serviços contábeis que nunca existiram, com o propósito de obter proveito próprio mediante meio fraudulento. As notas tiraram dos cofres do Corinthians a quantia de R$ 436,5 mil entre os anos de 2000 e 2005, quando o esquema funcionou, e como se pôde constatar materialmente, com provas em notas apreendidas na apuração. O proprietário da N.B.L., Juraci Benedito, também acusado pelo MP, será um dos primeiros a ser interrogado. Em declarações aos promotores, ele chegou a admitir que recebeu mensalmente, durante seis anos, R$ 17 mil. "Não seria demais concluir sobre a manipulação de valores muito superiores em prejuízo do clube", afirmam os promotores nos autos da investigação. Não se tem notícias, por exemplo, de notas frias em 2001 e 2002. Das 80 notas conhecidas, todas falsas, já que Juraci Benedito mostrou total desconhecimento da situação contábil do clube, apenas duas, de R$ 14 mil, eram de 2000. A maior parte das notas apreendidas foi emitida em 2004 e 2005 - ano em que o Corinthians foi campeão brasileiro e que se embebedava com o dinheiro farto da MSI. Era comum o presidente Dualib assinar dois ou três pagamentos, de valores diferentes da N.B.L., no mesmo dia. Em 20 de janeiro de 2004, por exemplo, a empresa de contabilidade cobrou do clube, em três notas (248, 249, 250), três quantias diferentes: R$ 9.000,00; R$ 3.250,00; R$ 1.500,00 - total de R$ 13.750,00. Mas foi no mês de setembro de 2004, quando o time corintiano tentava tirar o título brasileiro do Santos - terminou em 5.º lugar apenas -, que a N.B.L. mais trabalhou ou pelo menos mais notas falsas tirou para o Corinthians. Foram oito notas nos valores de R$ 3.250,00; R$1,500,00; R$ 7.000,00 (duas); R$ 9.000,00 (duas); R$ 8.000,00; R$ 6.000,00 - totalizando R$ 50.750,00. Ainda neste ano, o esquema montado no Parque São Jorge, segundo apuração dos promotores José Reinaldo Guimarães Carneiro, Roberto Porto e Eder Segura, movimentou em notas frias, apreendidas, o valor de R$ 293.047,73. Esse dinheiro saiu dos cofres do clube, acreditavam os dirigentes, sem deixar rastros. O Deic, além de ouvir os cartolas corintianos e o dono da empresa de contabilidade, vai interrogar Marcos Roberto, controlador financeiro do Corinthians levado ao clube naquela época pelas mãos do presidente Dualib, e Daniel Espíndola, seu diretor administrativo de recursos humanos. Pelas investigações do Gaeco, era Marcos Roberto quem aferia todas as notas antes de elas chegarem ao presidente e seu vice. Sabia de tudo e nunca denunciou nada. E Espíndola dava à trama um caráter de legalidade aparente. Em 2004 e 2005, quando a quadrilha mais faturou, todas as receitas do Corinthians após abril já estavam nas mãos dos investidores da MSI, que pagavam as contas do clube, inclusive do departamento de futebol amador.

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