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Marcelo Tasso/Estadão

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Delator revela ao FBI esquema de Ricardo Teixeira na Suíça

Testemunha diz que dirigente recebeu propinas em contas secretas

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Jamil Chade, correspondente em Genebra,
O Estado de S. Paulo

05 Janeiro 2016 | 07h00

Um delator disse ao FBI que o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, recebeu por uma década propinas em contas bancárias na Suíça e que até mesmo gerentes de alto escalão de bancos suíços chegaram a operar transferências para ele. Documentos oficiais do FBI obtidos pelo Estado revelam que Teixeira teria passado mais de uma década recebendo propinas em contas em Zurique, a mesma cidade da sede da Fifa e para onde o dirigente viajava com frequência para reuniões da entidade.

No documento o nome do delator não é publicado, e é citado apenas como "CW1", siga em inglês para "Cooperating Witness" (testemunha que está cooperando). Mas as informações apontam que ele estaria envolvido com uma empresa de marketing com sede na América do Sul e filial nos Estados Unidos.

Segundo o FBI, Teixeira foi identificado por um magistrado do Cantão de Zug, na Suíça, por "ter recebido mais de 20 milhões de francos suíços (US$ 20 milhões) em contas das quais ele era o único beneficiário em propinas da ISL entre 1992 e 2000, em violações ao Código Penal Suíço". A ISL era a empresa de marketing que, em 2001, quebrou e levou a Fifa a uma crise profunda.

Para os norte-americanos, Teixeira caminhava para ser o "próximo presidente da Fifa", ao "alavancar" sua posição de poder dentro da CBF e da entidade em Zurique. E o escândalo da ISL não seria o único que renderia recursos ao brasileiro. "Acredita-se que Teixeira tenha recebido milhões de dólares durante aproximadamente o mesmo período (1992 e 2000), e continuou a receber depois disso, da parte do CW 1 e de outros", aponta o informe do FBI.

"CW1 declarou que Teixeira tinha uma conta no UBS de Zurique e ele fazia pagamentos de propinas e subornos de uma conta numerada de CW 1 diretamente para a conta UBS por meio de transferências internas", diz o informe.

Segundo a delação, um banqueiro suíço também fazia parte do esquema. Urs Meier, do UBS, realizava viagens para a América do Sul para se encontrar com cliente. O delator conta que instruiu Meier a fazer as transferências diretas para as contas de Teixeira. "Tais transferências possivelmente ocorreram entre o começo dos anos de 1990 e 2000, e possivelmente além dessa data também", revela o documento.

Em dezembro o Estado já havia revelado que o FBI havia identificado contas controladas por Teixeira em pelo menos três bancos: o UBS, o Banca del Gottardo e o BSI, comprado este ano pelo banco brasileiro BTG Pactual.

LARANJA

Em duas dessas contas, um total de US$ 800 mil foram transferidos de contas nos Estados Unidos para a Suíça, envolvendo a Somerton, empresa controlada pelo também brasileiro José Margulies (conhecido como José Lázaro e que também foi indiciado pelo FBI). Ele é suspeito de agir como testa de ferro para o empresário J. Hawilla e realizar os pagamentos de propinas para dirigentes do futebol mundial. A empresa de fachada de Hawilla, portanto, também teria abastecido as contas suíças de Teixeira.

A suspeita do FBI é de que Teixeira usaria um nome de fachada para não ter sua identidade revelada. Mas aparecia como beneficiário das contas. O "laranja" seria Willy Kraus, dono da Kraus Corretora de Câmbio, no centro do Rio. Numa das transações suspeitas, o FBI registrou como a empresa Blue Marina, com contas nos Estados Unidos, pediu para transferir seus ativos para a Suíça. No dia 25 de setembro de 2008 a conta em território americano foi fechada e o dinheiro enviado a uma conta de Kraus na Banca del Gottardo. O valor transferido foi de US$ 478,2 mil.

Outro nome registrado pelos americanos é o da sociedade Summerton, usada também pelo dirigente. Para o FBI, Teixeira mantinha o "efetivo controle" sobre essas contas. Agora, no novo documento do FBI, os investigadores apontam que acreditam que Kraus "permitia que Teixeira usasse suas contas como forma de esconder sua verdadeira fonte."

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