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Depois da Copa, brasileiros perdem espaço no mercado

Segundo dados da Fifa, 140 jogadores brasileiros foram transferidos para clubes estrangeiros na última janela de transferências

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Jamil Chade,
O Estado de S. Paulo

02 Setembro 2014 | 21h12

Os jogadores brasileiros perdem espaço no mercado internacional depois do fiasco da seleção na Copa do Mundo. Em 2013, depois de vencer a Copa das Confederações, 175 atletas brasileiros foram negociados no mercado internacional. Dados oficiais colhidos pela Fifa indicam que, neste ano, a Espanha superou o Brasil e cerca de 140 jogadores brasileiros foram transferidos para clubes estrangeiros no período de compra e vendas de atletas que terminou na segunda-feira.

A janela de transferência foi concluída no dia 1 de setembro com um recorde de investimentos por clubes europeus. Apenas os times de Inglaterra, França, Alemanha, Espanha e Itália gastaram um montante recorde de US$ 3 bilhões em novos jogadores. Mais de um terço do gasto veio justamente da Inglaterra.

Mas se os brasileiros eram as commodities mais procuradas por ano, a janela de 2014 revelou uma nova realidade. Superando o Brasil está a Espanha, com 190 transferências. Um ano antes, os espanhóis apareciam abaixo do Brasil, com cerca de 150 jogadores.

A liderança nos registros ainda é dos jogadores do Reino Unido, incluindo ingleses, galeses, escoceses e irlandeses. Mas o sistema registra as transações entre os clubes dessas quatro federações como se fossem compras internacionais, o que distorce os números.

Em 2013, cerca de 215 jogadores britânicos foram vendidos. Em 2014, eles chegaram a 252. Em segundo lugar veio a França, com 227 transferências de seus jogadores. Diante de um número elevado de jogadores africanos com passaportes franceses, o dado também sofre distorções.

 

PRESENÇA

Se a atual fase revela uma queda substancial no interesse pelos brasileiros, os dados da Fifa apontam que os brasileiros continuam liderando o número de transferências desde 2011, quando o sistema eletrônico de vendas de jogadores foi criado pela entidade em Zurique.

Entre 2011 e 2014, 2,6 mil transferências internacionais envolvendo brasileiros foram registradas, um recorde mundial. Só entre o Brasil e Portugal foram 805 jogadores exportados e importados nesse período.

Não foram apenas clubes brasileiros que venderam jogadores nacionais. Em três anos, mais de mil atletas brasileiros foram vendidos por clubes estrangeiros a outros times no exterior.

De acordo com a Fifa, o total de brasileiros representa o dobro da segunda nacionalidade mais comercializada, os argentinos.  

O comércio de jogadores brasileiros também garantiu aos clubes nacionais o maior superávit no mundo em termos de renda com a venda de atletas. Em três anos, os times nacionais acumularam lucros de US$ 883 milhões. Descontando o que gastaram para comprar jogadores, os clubes nacionais terminaram o período com uma renda líquida de US$ 579 milhões. Os recursos seriam suficientes para quitar metade das dívidas dos clubes nacionais. 

 

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