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Copa 2014

Dinamarquês leva Brasil ao título em torneio de videogame

Ronald Lincol Jr. - O Estado de S. Paulo

04 Julho 2014 | 05h 25

August Rosenmeier usou o Brasil de Neymar para vencer a Alemanha do inglês David Bytheway

Neymar recuperou a bola no meio de campo, carregou até a área e bateu na saída do goleiro para marcar o terceiro gol da seleção e garantir o título da Copa do Mundo para a Dinamarca. Isso mesmo, foi assim que o dinamarquês August Rosenmeier – jogando com a seleção brasileira – venceu a Alemanha do inglês David Bytheway, na última quinta-feira, por 3 a 1 e conquistou a Copa do Mundo de videogame, competição organizada pela Fifa em parceria com a EA Sports e a Sony Playstation.

A 10.ª edição da Copa do Mundo Interativa Fifa 2014 foi realizada no Pão de Açúcar, um dos principais pontos turísticos do Rio de Janeiro. Os 20 melhores jogadores de Fifa 14 do mundo batalharam com quase 2 milhões de pessoas pela classificação para o torneio – com direito a três dias no Rio para a grande final. E para quem pensava que era só uma brincadeira, é sim só uma brincadeira, mas que rendeu a Rosenmeier um prêmio de US$ 20 mil e convite para o Fifa Ballon d'Or, premiação para o melhor jogador de futebol do mundo.

Se na Copa de verdade a seleção brasileira não tem um desempenho espetacular, no videogame só dá Brasil. As partidas da semifinal foram vencidas pelos jogadores que usaram a canarinho, assim como na final. Nesta, a Alemanha de Bytheway saiu na frente, mas Rosenmeier empatou ainda no primeiro tempo.

Marcos Arcoverde/Estadão
Rosenmeier recebeu o troféu das mãos de Ronaldo

Na segunda etapa, o dinamarquês foi melhor. Com uma cabeçada, virou para 2 a 1. Depois, com a jogada de Neymar, ampliou para 3 a 1.

Os jogos contaram com narração do ex-jogador do Bayern de Munique Alan McInally e com os comentários de Dwight Yorke, ex-atacante do Manchester United. E apesar de ser futebol virtual, a cada drible desconcertante e chances de gol, a torcida, na arquibancada montada para o evento, vibrava de emoção real.

O troféu de campeão foi entregue pelo ex-jogador Ronaldo Fenômeno. "Acho ótimo ver esse torneio maravilhoso aqui durante a Copa do Mundo. Mas uma final real talvez seja mais difícil. Talvez aqui seja um pouco mais fácil", disse Ronaldo.

Ainda com a adrenalina do jogo, o dinamarquês comemorou. "A Dinamarca não está na Copa do Mundo, mas nós mostramos que sabemos jogar futebol nos gramados virtuais." E quanto ao dinheiro? "Vou guardar uma parte e, com o resto, comprar tênis", brincou o rapaz de apenas 18 anos de idade.

JOVEM CARIOCA BRINCA E DIZ QUE RESULTADO FOI INJUSTO

O carioca Rafael Fortes foi o brasileiro que chegou mais longe na competição: perdeu nas quartas de final. Para ele, a derrota por 5 a 1 foi injusta. "O resultado não mostrou como foi o jogo. Estava 2 a 1, aí o juiz deu um pênalti meio roubado para o outro time, tomei mais um gol e tive de me lançar ao ataque atrás do resultado. Acabei tomando a goleada", argumentou. "Acho que representei bem o Brasil. Fiz a melhor campanha da primeira fase logo no meu primeiro campeonato internacional."

As goleadas frequentes sobre o irmão Miguel foram o sinal verde para Rafael se arriscar nas competições. Em sua primeira, um torneio promovido pela LG, conseguiu o segundo lugar e, em seguida, passou a disputar competições online. "Tem gente que até recebe ajuda de custo e patrocínio, eu ainda não consegui, mas estou procurando."

Rafael tem apenas 18 anos e mora com os pais, que resistiram à ideia quando ele começou a disputar os torneios. "No início, eles reclamavam bastante, achavam que iria atrapalhar os estudos, mas, quando comecei a ganhar prêmios, eles deixaram de olhar o jogo como apenas uma brincadeira e passaram a me apoiar."

Procurado por vários jornalistas durante toda a semana para falar sobre seu desempenho na competição, Rafael viveu dias de celebridade – e se divertiu com isso. "Está vendo aquele gordinho ali?", perguntou à reportagem, que respondeu afirmativamente. "Depois que dei entrevista para uma TV, ele veio pedir para tirar foto comigo. Olha só, e o cara não deve fazer a mínima ideia de quem eu sou", contou, aos risos.

Viciado? Que nada. "Me chamam de viciado porque eu jogo bem, mas não tem nada disso, não", garantiu. "Jogo uma ou duas horas por dia, quando muito."

No próximo semestre, ele começa a estudar Relações Públicas na Uerj, mas pretende, em breve, passar para Jornalismo. "Meu sonho é ser jornalista esportivo, mas é difícil falar bem em público."

Com o início da faculdade, estágio e outras responsabilidades, a tendência é que Rafael tenha dificuldades para conciliar a vida de boleiro virtual com a real. "Vou jogar até quando der. Se começar a me atrapalhar, eu deixo as competições. Tudo bem."

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