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Esportes » Documentos mostram como a CBF 'vendeu' a seleção brasileira

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Jamil Chade / CORRESPONDENTE GENEBRA

16 Maio 2015 | 17h00

A seleção brasileira virou uma mina de ouro para empresários e CBF. Contratos secretos obtidos pelo Estado revelam, de forma inédita, como a entidade leiloou a seleção em troca de milhões de dólares em comissões a agentes, cartolas, testas de ferro e empresas em paraísos fiscais, longe do controle da Receita Federal brasileira.

Pelos acordos, a lista de jogadores convocados precisa atender a critérios estabelecidos pelos parceiros comerciais e qualquer substituição precisa ser realizada em "mútuo acordo" entre CBF e empresários. O contrato deixa claro: o jogador que substituir um "titular" precisa ter o mesmo "valor de marketing'' do substituído.

As condições fazem parte de minutas de contratos secretos obtidos pelo Estado e que revelam, de forma inédita, como a CBF leiloou a seleção brasileira, em troca de milhões de dólares em comissões a agentes, cartolas, testas de ferro e o envolvimento de empresas em paraísos fiscais, longe do controle da Receita Federal brasileira.

Desde 2006, a CBF mantém um contrato com a companhia ISE para a realização dos amistosos da seleção. O acordo foi mantido em total sigilo por quase dez anos. Documentos obtidos pelo Estado revelam agora que a ISE é uma empresa de fachada com sede nas Ilhas Cayman. Não tem escritório nem funcionários. É mera Caixa Postal, número 1111, na rua Harbour Drive, em Grand Cayman. A ISE é apenas uma subsidiária do grupo Dallah Al Baraka, um dos maiores conglomerados do Oriente Médio, com 38 mil funcionários pelo mundo.

Em 2011 esse contrato de 2006 foi renovado por dez anos pelo então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em um encontro em Doha, no dia 15 de novembro. Ele seria oficializado no dia 27 de dezembro daquele ano. Entre 2006 e 2012, a ISE sublicenciou a operação para a Kentaro, companhia que passou a implementar cada partida da seleção com base no acordo.

Em 2012, o contrato de operação passou para as mãos da Pitch International, depois de uma negociação com a ISE e a CBF que continua em vigência.

Nos primeiros acordos e emendas entre a CBF e a ISE, os termos não faziam qualquer menção às regras para a convocação de jogadores. Tudo mudaria em 2011. Os aspectos esportivos foram colocados em segundo plano. Trata-se, acima de tudo, de um esquema para explorar a marca da seleção em todos os seus limites, independentemente do resultado em campo ou do significado de uma partida para a preparação do time.

Convocados

Pelo acordo secreto, ficou estipulado que a seleção deveria entrar em campo sempre com seus principais jogadores, sem qualquer possibilidade de testar jovens promessas ou usar amistosos para preparar o grupo olímpico. "A CBF garantirá e assegurará que os jogadores do Time A que estão jogando nas competições oficiais participarão em qualquer e toda partida", diz o artigo 9.1.

Qualquer violação desse acordo significa pagamento menor de cota. "Se acaso os jogadores de qualquer partida não são os do Time A, a taxa de comparecimento prevista nesse acordo será reduzida em 50%", estipula o contrato. Por jogo, a CBF sai com US$ 1,05 milhão (R$ 3,14 milhões) se seguir o acordo.

Caso um jogador seja cortado por contusão, por exemplo, a CBF precisa provar com um certificado médico aos empresários da ISE que o atleta não tem condições de jogar. "Qualquer alteração à lista será comunicada por escrito à ISE e confirmada por mútuo acordo. Nesse caso, a CBF fará o possível para substituir com novos jogadores de nível similar, com relação a valor de marketing, habilidades técnicas, reputação.''

Para deixar claro o que significa "Time A", a ISE alerta que não aceitaria o que ocorreu em novembro de 2011 quando o Brasil foi ao Gabão e depois a Doha para enfrentar o Egito. Na época, o então treinador, Mano Menezes, não contou com Neymar, Ganso, Lucas, Marcelo, Kaká e Leandro Damião, nomes da lista original para os amistosos.

No novo contrato (o que passou a valer em dezembro daquele ano e vai até 2022) a empresa deixou claro que tal situação passaria a ser punida com uma redução em 50% do cachê pago.

Além disso, todos os direitos de transmissão, copyright ou qualquer outro aspecto ficam sob controle total da empresa de fachada registrada nas Ilhas Cayman. Num dos artigos do contrato, fica ainda estipulado que, mesmo que o acordo for suspenso, os direitos de copyright são mantidos sem data para acabar. Qualquer violação significa que a CBF teria de pagar uma multa de US$ 1 milhão.

O contrato ainda prevê que os períodos de preparação da seleção brasileiras para as Copas de 2018 e 2022 também serão de exploração exclusiva da ISE.

O acordo ainda termina com termo bem claro: confidencialidade. "Todos os termos e condições deste acordo serão tratados pelas partes como informações confidenciais e nenhuma das partes os divulgará".

Guerra

Os documentos também revelam uma guerra interna na CBF pela fatia mais importante dos lucros. Quando Ricardo Teixeira assinou o novo acordo com a empresa de Cayman (em 15 de novembro de 2011), ele já planejava sua saída da entidade, passando o controle para José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. Mas o que se viu na transição de poder dentro da CBF foi um braço de ferro que, ao final, seria vencido por Teixeira, mesmo já fora da entidade.

E-mails confidenciais obtidos pelo Estado revelam que Marin e Del Nero, o atual presidente da CBF, estavam negociando um novo contrato com a Kentaro, que oferecia aos parceiros valores superiores aos que estavam sobre a mesa, deixados por Teixeira.

Quem convenceu Marin e Del Nero a se lançar na ofensiva foi o Grupo Figer, que não poupou recursos e viagens para garantir o que seria um negócio da China. Documentos mostram que a família Figer, atuando apenas como intermediadora na assinatura de um contrato entre Kentaro e CBF, ficaria com US$ 132 milhões por permitir mais de cem jogos da seleção entre 2012 e 2022 - valor superior ao que a CBF levaria com base no contrato da ISE.

Todos os detalhes fazem parte de uma ação judicial. De acordo com o relato dos fatos, documentos e e-mails juntados no processo, a renegociação dos acordos para realização dos amistosos teria começado logo depois da renúncia de Teixeira, no dia 8 de março de 2012.

Dias depois, o CEO da Kentaro, Phillip Grothe, enviou e-mail procurando entender o que estava ocorrendo, já que a empresa mantinha um contrato com a ISE desde 2006 e queria saber qual seria o futuro de seu acordo - que venceria em outubro daquele mesmo ano.

Naquele momento, Juan Figer e seus filhos André e Marcel decidiram que o fim da 'era Teixeira' poderia ser ocasião para passar a fazer parte dos intermediários que lucrariam com a seleção. O encarregado de falar com Del Nero foi Marcel Figer.

Ainda de acordo com os fatos relatados no processo, encontros se proliferaram na residência de Marin, na rua Padre João Manuel, esquina com Alameda Franca, num flat de Del Nero em São Paulo, em hotéis em Londres e Budapeste e até na Federação Paulista de Futebol.

Depois de uma série de discussões, a Kentaro, o Grupo Figer, Marin e Del Nero fixaram um encontro em Londres. No dia 25 de abril de 2012, no hotel Claridge. No dia 2 de maio, um e-mail enviado por Phillip Grothe resumia o encontro e traçava as soluções e estratégias para o sucesso da empreitada.

Para que pudessem montar uma proposta que derrubasse o acordo da ISE, um dos sócios do Grupo Figer, Marcel, pediu e obteve de Del Nero uma cópia traduzida do contrato sigiloso entre a entidade e os sauditas, justamente para servir de base para o novo contrato a ser fechado com a Kentaro.

O documento foi fornecido por Del Nero a Marcel num encontro na sede da FPF, no dia 3 de maio de 2012. Marcel aproveitou um momento em que Del Nero se ausentou para fotografar cada uma das páginas, no intuito de encaminhá-las à Kentaro. No dia seguinte, Marcel e Juan Figer foram ao apartamento de Marin e conseguiram dele sinal verde para tocar o acordo.

Contra-ataque

Mas Teixeira não estava disposto a ver a arquitetura que montara na CBF desabar. No dia 19 de maio de 2012, ele viajou até a Alemanha para um encontro com Marin e Del Nero. Ambos estavam em Munique para a final da Liga dos Campeões, vencida pelo Chelsea. Teixeira, para não ser visto pela imprensa, ficou em uma cidade mais afastada.

Ainda assim, as negociações para mudar o parceiro da CBF teriam sido mantidas. No dia 21 de maio, o advogado do Grupo Figer, Alexandre Verri, elaborou a minuta do contrato entre Figer e Kentaro.

Dois dias depois, André e Marcel Figer teriam viajado para Londres e, dali, usaram um jato privado da Kentaro para ir a Budapeste, no Hotel Four Seasons, onde ocorria uma reunião da Uefa com Marin e Del Nero como convidados. A meta era fechar os últimos detalhes e impedir a contraofensiva de Teixeira.

Cinco dias depois, uma versão final do contrato foi acatada por e-mail tanto pela Plausus, por meio de seu representante legal Santiago Baraibar, como pela Kentaro, pelo seu CEO Philllip Grothe. Entre os itens do acordo estava a comissão de US$ 132 milhões que a Kentaro pagaria para o Grupo Figer. Os empresários das duas empresas chegaram a comemorar no lobby do luxuoso hotel The Dorchester, em Londres.

Mas a renovação pretendida pela Kentaro não vingou. No dia 16 de agosto de 2012, um acordo da CBF foi anunciado com a empresa Pitch International, depois de uma intermediação de Teixeira com os sauditas da ISE. A empresa com sede em Londres, que jamais havia organizado um jogo de futebol sequer, passaria a operar as partidas da seleção brasileira como subcontratada da ISE. O esquema montado por Teixeira estava preservado.

Dias depois, o CEO da Kentaro, Phillip Grothe, enviou e-mail em que dizia: "O acordo foi assinado no dia 15 de agosto. Vinte e quatro horas antes Marin e Marco Polo nunca tinham ouvido falar de Pitch. Nós todos sabemos que a Pitch é apenas a testa de ferro da Al Jazeera. Eu acho que eles pagaram 50 milhões de dólares à ISE e aos outros pela assinatura - totalmente loucos".

Teixeira acabou vencendo e, mesmo fora da CBF, continuou mandando na seleção ao lado de seus parceiros comerciais. E isso tudo até 2022.

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17 Maio 2015 | 16h48

Após a revelação feita pelo Estado de minutas de contratos que mostram que a CBF "vendeu" os direitos de amistosos da seleção a uma empresa de fachada até 2022 e que as convocações atendem aos critérios de parceiros comerciais, o Bom Senso FC cobrou mais transparência da entidade que controla o futebol brasileiro. O meia Alex, um dos principais líderes do movimento que cobra melhorias no futebol brasileiro, pediu a democratização da CBF. "Sinto-me absolutamente mal, enojado! É mais um sinal daquilo que pedimos: transparência! O Congresso Nacional precisa urgentemente aprovar a MP 671, para que se democratize a CBF, dando participação e direito de voto aos atletas", disse o ex-jogador, que agora é comentarista de tevê.

"O futebol é patrimônio do povo brasileiro e não pode ser usurpado como está sendo, a tanto tempo por uma sociedade privada como é a CBF", acusou o ex-jogador. "Já não jogo mais, mas essa notícia é como um soco enorme no estômago. Que sejam apurados todos os fatos para que saibamos realmente tudo o que acontece no comando do nosso futebol, que se faça uma limpa", declarou Alex.

O meia, que jogou na Seleção Brasileira entre 1998 a 2005, é taxativo em relação ao papel dos parceiros comerciais na escolha dos jogadores. "A escolha deveria ser exclusivamente técnica, da preferência do treinador. Diante da denúncia, todos podem pensar o que quiserem", disse. "Como ex-atleta minha maior preocupação é com o futebol brasileiro, que tem clubes muito endividados, pobre de pensamentos e pouco preocupado em melhorar. Enquanto a CBF enriquece em cima da área comercial e pouco se preocupa com o futebol", completou.

CBF REPUDIA MATÉRIA

A reportagem feita com exclusividade pelo Estado sobre as suspeitas negociações da CBF junto a agentes, cartolas, testas de ferro e empresas em paraísos fiscais, causa polêmica na entidade. Por meio de nota divulgado na tarde deste domingo, a confederação repudia as informações da matéria e afirma que suspeitas de irregularidades no acordo com a empresa ISE, do Grupo Dallah All Baraka, são "infundadas".

Por meio de 16 pontos enumerados no comunicado, a CBF diz que "não vendeu" a seleção brasileira, chamando o conteúdo de "insinuação infantil". "A CBF afirma que os critérios de escolha dos convocados para os jogos da Seleção Brasileira são e serão, sempre, técnicos. Jogarão e jogaram, sempre, os melhores jogadores em atividade.

A entidade explica que amistosos contra seleções menores, como ocorreu em 2011 contra o Gabão, ajudam na montagem do plantel. "É muito importante dizer que muito além do significado comercial estes jogos têm absoluta importância técnica. Servem para avaliação da equipe, a evolução do conjunto dos jogadores e o conhecimento de adversários internacionais."

No fim do comunicado, a CBF se coloca à disposição "de forma transparente" para esclarecer dúvidas que ainda possam surgir a após a publicação da matéria pelo Estado.

LEIA NA ÍNTEGRA A NOTA DIVULGADA PELA CBF

Reportagem publicada neste domingo no jornal Estadão levanta infundadas suspeitas de irregularidades no tocante ao contrato que a CBF celebrou com a empresa ISE, que integra o Grupo Dallah All Baraka.

A CBF, ao mesmo tempo em que repudia, com veemência, tais insinuações maliciosas, aproveita para ressaltar a lisura dessa contratação, esclarecendo o seguinte:

1 – Ao contrário do que diz a reportagem do Estado de S. Paulo de hoje, (17/05/2015), a CBF não “vendeu” a Seleção Brasileira, hipótese ridícula, manchete que não se  sustenta em nenhuma evidência e somente se explica pela necessidade do jornalista Jamil Chade de buscar a notícia fácil, que gera escândalos.

2 – a CBF informa também que não leiloou a Seleção Brasileira como diz a reportagem do jornal, outra hipótese infantil, tradição das reportagens deste repórter. O tal contrato citado pelo jornalista não é secreto e em nenhum momento tem influência sobre convocações de atletas e, tampouco, traz prejuízo técnico para a seleção. A matéria, inclusive, pode ser chamada de requentada, já que vários dados deste contrato já foram divulgados, inclusive no próprio jornal.

3 – A CBF afirma que os critérios de escolha dos convocados para os jogos da Seleção Brasileira são e serão, sempre, técnicos. Jogarão e jogaram, sempre, os melhores jogadores em atividade. A população brasileira acompanha, jogo após jogo, a escolha dos convocados, anunciados publicamente, e, portanto, sabe que o jornalista mentiu ao afirmar que as escolhas são feitas por critérios comerciais.

4 – A CBF mantém um contrato com a companhia ISE para a realização de amistosos da Seleção Brasileira. O contrato tem cláusulas de confidencialidade como qualquer outra transação comercial deste nível.

5 – Exceto por causa da leitura mal intencionada que fez o jornalista, o contrato não diz, não aborda, não dá margem a dúvida ou interpretação de que a CBF daria o direito de induzir a convocação de jogadores a quem quer que fosse.

6 – A matéria alardeia, sugere e não prova, a não ser por ilação do autor, que a CBF leiloou a seleção e distribuiu comissões a agentes, cartolas, testas de ferro e empresas em paraísos fiscais. Nada disto existiu e nada disto foi comprovado na matéria.

7 – A CBF paga rigorosamente todos os tributos em dia, inclusive os pertinentes ao contrato em questão, a despeito de sua formatação jurídica que lhe conferiria isenção fiscal por ser entidade sem fim lucrativo. A CBF informa também que mantém suas contas bancárias sediadas exclusivamente no Brasil.

8 – Se a ISE tem sede nas Ilhas Cayman ou em qualquer outro lugar, este critério para a localização de sua sede é dela e não da CBF. A sua existência é legal e protegida por leis internacionais. A ISE é uma subsidiária do Grupo Dallah Al Baraka, um dos maiores conglomerados do Oriente Médio. O Grupo Baraka tem 38 mil funcionários em todo mundo. A ISE subcontratou direitos à Pitch Internacional, dentro das prerrogativas contratuais que tem.

9 – A leitura de Jamil Chade sobre as cláusulas contratuais foi, como sempre, feita de maneira mal intencionada. No ramo do futebol se um time não se apresenta com a equipe principal o valor do amistoso pode ser reduzido. Se o Barcelona for jogar com o seu time B, sem contar com suas grandes estrelas, como por exemplo Neymar,  Messi e Suarez, suas cotas comerciais serão menores. Se uma banda de rock não se apresentar com o seu vocalista, o valor será renegociado.

10 – É natural e compreensível que o contrato de um jogo de futebol de uma grande equipe seja definido com base na presença de seus grandes astros. Caso a Seleção Brasileira viesse a ser representada por jogadores de sua equipe sub-20 ou sub-23, os valores decorrentes poderiam ser inferiores. Importante dizer que esta cláusula tão alardeada jamais foi invocada ou levada a efeito desde o início de vigência do acordo.

11 – Isto não significa direcionamento de convocação do jogador A ou B, segundo a esdrúxula interpretação e conclusão do jornalista Jamil Chade. Trata-se de cláusula meramente de preço e não de ingerência.

12 – É muito importante dizer que muito além do significado comercial estes jogos têm absoluta importância técnica. Servem para avaliação da equipe, a evolução do conjunto dos jogadores e o conhecimento de adversários internacionais.

13 – Os termos do acordo em vigor desde 2006 – portanto, há quase 10 anos – têm inequivocamente proporcionado bons resultados financeiros à Seleção Brasileira.

14 – Há dois anos, aproximadamente, a CBF foi procurada por outra empresa para negociar assuntos que fazem parte do objeto em questão. A CBF conversou e chegou à conclusão de que não era um negócio melhor do que o existente com a ISE, razão pela qual o contrato seguiu vigente. O fato de a CBF ter ouvido outros potenciais interessados significa que está atenta ao mercado e que tem gestores responsáveis e que não se acomodam com situações já estabelecidas em contratos.

15 – A CBF lamenta a leitura arbitrária do jornalista que escreveu a matéria. Sobre diálogos e possíveis minutas que nunca se concretizaram em contratos, a CBF não pode se manifestar. São versões unilaterais, especulações, que ficam sob a responsabilidade do que escreveu o jornalista, que deu asas à imaginação, a insinuações, inclusive sobre comissões de contratos que simplesmente não existem.

16 – A CBF se põe à disposição, de forma transparente, para esclarecimentos de dúvidas remanescentes.

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Almir Leite e Luiz Antonio Prósperi

16 Maio 2015 | 17h00

O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, defendeu o contrato feito na administração Ricardo Teixeira com a ISE para a realização dos amistosos da seleção. Ele disse que o acordo foi estabelecido numa época em que os jogos da equipe feitos no Brasil davam prejuízos e que, hoje, a entidade não corre o menor risco de ficar no vermelho quando o time entra em campo.

“O contrato, na medida do possível, a gente faz para cumprir. Nós chegamos já tinha esse contrato, temos de cumprir. Eu não chego a dizer que esse contrato é tão ruim. Porque quando a gente jogava aqui no Brasil não chegava a tirar esse valor (US$ 1,05 milhão). Hoje quanto é isso? R$ 3 milhões é pouco? Se analisar, hoje o contrato é bom", disse ao Estado.

O presidente garantiu que, em todos os amistosos, as cotas de transmissão são da CBF. “O direito da televisão é nosso, da CBF. Qualquer maneira é da CBF. Fora do Brasil também".

Ele rebate o argumento de que os intermediários ganham muito mais do que a CBF com os amistosos. “Há jogos que dão prejuízos. O amistoso em Porto Alegre (contra Honduras, em 10 de junho) não vai ter lucro. Vai dar o quê? R$ 4 milhões? Fora do Brasil os amistosos que rendem bem é o momento de lucro deles. Eles perdem dinheiro, ganham dinheiro. Perdem e ganham. Mas a CBF não corre risco nenhum.’’

Del Nero enfatizou que não estava na entidade quando os contratos com a ISE foram feitos e afirmou não conhecer seus integrantes. Disse ter sido apresentado a um executivo, mas que seu contato era com um funcionário, com quem tratava sobre “uma série de fatores’’. “Mas fui informado que esse funcionário está saindo da empresa.’’ A relação da diretoria da CBF é com a Pitch, empresa que desde 2012 faz a operação dos jogos da seleção.

O dirigente admitiu ter conversado, junto com o ex-presidente José Maria Marin, com o Grupo Figer, que tinha o objetivo de oferecer novo parceiro para a seleção. “Toda vez que vem uma proposta você tem de ouvir. Se for interessante, podemos romper o contrato (em vigência), desde que sejam pagas as multas. Então nós analisamos (a proposta da Kentaro, via Figer), mas não chegou àquilo que podia interessar.

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