Szilard Koszticsak/MTI via AP
Szilard Koszticsak/MTI via AP

Nova onda de prisões na Fifa visa futebol sul-americano

Entre os detidos estão presidente da Conmebol e de Honduras

Jamil Chade, correspondente em Zurique, O Estado de S. Paulo

03 Dezembro 2015 | 05h20

Numa operação que visa principalmente o futebol sul-americano, as polícias da Suíça e dos EUA realizaram mais uma onda de prisões na manhã desta quinta-feira em Zurique, sede da Fifa. Um dos presos é o atual presidente da Conmebol, Juan Napout. Ele é o terceiro presidente da Conmebol detido em seis meses.

O outro preso é o cartola de Honduras, Alfredo Hawit, presidente da Concacaf. Os dois, encontrados no hotel Baur Au Lac, são vice-presidentes da Fifa. Fontes de dentro da entidade confirmam ao Estado que mais prisões deverão acontecer ao longo do dia em vários locais do mundo. O número poderia superar a dez e visam em especial os dirigentes sul-americanos. "Será um tsunami na região", alertou uma fonte policial próxima ao processo.

Durante o dia, outros cartolas serão indiciados e operações estão sendo aguardadas em diferentes partes da América Latina. Fontes confirmaram também ao Estado que Marco Polo Del Nero, presidente da CBF, e que está no Brasil, é um dos investigados pelo FBI e que estaria entre os detidos se tivesse viajado para a reunião da Fifa. Ele, desde maio, não sai do País, nem para acompanhar jogos da seleção brasileira. Joseph Blatter, ex-presidente da Fifa, não está entre os detidos, apesar de estar sob investigação na Suíça e afastado do cargo por 90 dias.

As prisões ocorreram no mesmo local onde, em 27 de maio, sete outros dirigentes foram detidos, entre eles José Maria Marin, da CBF. Os cartolas estavam em Zurique para as reuniões do Comitê Executivo da entidade, que ocorreram nesta quinta-feira. Estavam sendo monitorados. Eles são suspeitos de corrupção e lavagem de dinheiro e aguardam o processo de extradição para os EUA.

Segundo o Departamento de Polícia da Suíça, os dois são acusados de receber milhões de dólares em propinas por contratos comerciais em torneios. O total da propina não foi registrado. Ao Estado, Napout havia insistido esta semana que queria "reformar a Conmebol" e que era "totalmente favorável à transparência". Adotando um tom de "reformador", ele insistia que "não renunciaria" e que a entidade sul-americana entrava em uma nova fase, depois das prisões dos ex-presidentes Eugênio Figueredo e Nicolás Leoz.

Brincando e caminhando tranquilamente pelo lobby do hotel onde seria preso nesta quinta, Napout nos últimos dias distribuiu sorrisos, deu entrevistas e tentava fazer campanha para seu amigo, Gianni Infantino, para a presidência da entidade. Em comunicado, a Justiça suíça apontou que vai continuar colaborando com os Estados Unidos. Na Fifa, as reuniões foram mantidas e a entidade apontou que vai "colaborar" com a Justiça.

Fernando Sarney, o novo representante do Brasil na Fifa, não foi preso, apesar de estar hospedado no mesmo hotel da operação. Procurado pela reportagem, Sarney desconhecia a operação e disse que iria para as reuniões da Fifa como planejado. Ele volta na noite desta quinta ao Brasil e seria acompanhado justamente por Napout, que havia servido como seu "guia" nas primeiras reuniões na entidade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

0 Comentários

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.