1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Domingo é dia de missa? Sim. Mas também de Messi

Antero Greco

Amigo, se der trela para o que rola nas redes sociais, pode tirar o cavalinho da chuva, não se estresse diante da tevê – ou no estádio, se for um felizardo com ingressos – nem perca tempo de secar adversários. A Copa, que começou na quinta-feira pelas cidades do País, está comprada, tem vencedor previamente acertado. Quem? Ora, o Brasil. Só que assim você deixa de curtir grandes nomes, como Messi. Azar seu.

Olhe o papo que circula por aí, para nos perturbar: acordo secreto – quer dizer, nem tão sigiloso assim – selou o destino dos 32 participantes: 31 não passam de figurantes, e a nossa querida equipe canarinha comemorará o hexa, dia 13 de julho, na final no Rio.

Há conluio entre a Fifa e o governo brasileiro. Sem tirar nem pôr, isso é fato, nu e cru. A taça ficará por aqui, para acalmar os ânimos da população enfurecida e para satisfazer a interesses eleitoreiros. Só não vê quem não quer.

O primeiro indício da armação deu as caras na abertura, no pênalti que o árbitro japonês apontou em favor da seleção, num lance em que Fred mal foi relado por um rival croata na área. Ali estava a prova de que acompanhamos a um torneio de mentirinha.

Vamos parar de besteira, que tal? Todos que temos algumas décadas de folhinhas viradas em nossa biografia ouvimos papo semelhante em outras edições do torneio. A Argentina comprou a Copa de 1978 para sossegar os militares, assim como a Inglaterra papou na mão grande a de 1966. A CBF vendeu para a França a final de 1998, e em troca conquistou o penta em 2002 e o direito de organizar o campeonato de 2014.

Com essa conversa mole, esquecemos do principal, ou seja, que grandes astros do mundo da bola já desfilam no quintal de casa. Na sexta-feira, Van Persie e Robben deram recital memorável pela Holanda diante da Espanha. Fizeram Iniesta, Casillas e companheiros se ajoelharem, batidos, humilhados. O primeiro grande espetáculo de uma Copa que ensaia ter muitos erros de arbitragem – nem por isso, sinais de má-fé – e jogos com gols acima da média de edições recentes.

E a qualidade pode crescer hoje à tarde. Quando era garoto, se dizia que domingo era dia de missa. Verdade. Pois agora, com a licença do trocadilho, em tempos de Mundial, é também dia de Messi. Oportunidade de ver em ação o jogador que conquistou os principais prêmios nos últimos anos. E nada mais adequado de que o palco seja o templo do futebol.

Messi chega cercado de expectativa, pressão e dúvidas. Pela idade, 26 anos, está no ponto da maturidade na carreira, aquele ideal para que um craque brilhe. Ao mesmo tempo, aumenta a cobrança, após o desempenho apagado na Copa de 2010, e ficam interrogações em torno da condição física. 

A Argentina depende muito de Messi, mas tem compensações com Di Maria, Higuain e outros jogadores de categoria. Os vizinhos desembarcam como candidatos ao título. O desafio é a Bósnia.