Dualib, para driblar a Justiça, faz sua 'Operação Uruguai'

Presidente afastado transfere seus bens para uma empresa no país vizinho e dificulta bloqueio judicial

Robson Morelli, do Jornal da Tarde,

09 Agosto 2007 | 23h26

Pode ser tarde para a Justiça bloquear os bens do presidente Alberto Dualib, caso sejam comprovados eventuais prejuízos ao Corinthians durante sua administração. Por um simples motivo: os bens já não lhe pertencem mais. Não oficialmente. Ele repassou imóveis avaliados em R$ 14,3 milhões para uma empresa com sede no Uruguai, em esquema de offshore e administrada por um procurador. Dualib não quis se pronunciar sobre o caso. Nos últimos três anos, o dirigente corintiano prepara o terreno para sair de cena sem correr risco de deixar para trás ou entregar ao clube parte do que conquistou na vida. Dualib é presidente do Corinthians há 14 anos. Já rasgou e modificou estatutos para se perpetuar no poder. Mas somente agora, aos 87 anos e perseguido pela torcida que ajudou a criar, o cartola começou a se coçar motivado não pela idade avançada, mas pelas leis específicas criadas no futebol que condenam dirigentes por má administração, com penas que podem ir desde a prisão até a penhora de bens pessoais. Dualib passou então a temer pela segunda opção. Trabalhou nos bastidores para se ‘desfazer’ de posses sem ferir as leis brasileiras. O Jornal da Tarde teve acesso a documentos que mostram uma manobra jurídica do presidente para tirar de seu nome imóveis avaliados em R$ 14,3 milhões, número calculado abaixo do preço de mercado e que poderia dobrar segundo pesquisa feita por especialistas. Os documentos também justificam o que a oposição corintiana batizou de "Operação Uruguai". Dualib se desfez de 33 imóveis, entre casas, apartamentos e terrenos, nos dois últimos anos - uma limpa em sua declaração de imposto de renda. Muito pouco ou nada deve estar agora em seu nome ou no nome de sua mulher, Elvira Real Dualib, já que ambos são casados em regime de comunhão de bens. Se um dia for responsabilizado pela Justiça por administração ruim no Corinthians, como manda o Estatuto do Torcedor e a Lei de Responsabilidade Social, Dualib não terá muito para deixar como penhora. Perderá pouco. "As leis estão aí para serem cumpridas. Sabemos que umas pegam mais rapidamente que outras, mas elas existem no futebol e devem ser usadas", disse o relator do Estatuto do Torcedor e líder do governo no Congresso, o deputado Gilmar Machado, do PT de Minas. "Fez o que não devia no clube, tem de responder por isso agora." Dualib está afastado da presidência do Corinthians, com risco de impeachment. Pediu 60 dias para preparar sua defesa das acusações do Ministério Público de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Sua situação se agravou depois de o Conselho Deliberativo do clube ter votado pelo seu afastamento em definitivo, decisão que ainda precisa da aprovação dos associados.

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