Dudu e Ademir da Guia dedicaram a vida ao Palmeiras

Formaram a melhor dupla que já correu no meio de campo do time. Um carregava o piano e o outro tocava

Entrevista com

Ademir da Guia e Dudu

Daniel Batista, Diego Salgado, Glauco de Pierri e Gustavo Zucchi, O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2014 | 06h00

O melhor meio-campo da história do Palmeiras mantém o entrosamento dos tempos áureos. Dudu e Ademir, lado a lado, como fizeram em campo entre 1964 e 1975, reviveram, em entrevista ao Estado, as glórias palmeirenses – com eles, o clube conquistou títulos e marcou época. Ademir é o recordista em números de títulos, com 11 - dois a mais que o eterno companheiro. O meia é também líder em jogos disputados: 901 entre 1962 e 1977. Dudu, por sua vez, é o terceiro, com 609. Juntos, no meio-campo do Palmeiras, os jogadores fizeram parte das duas Academias do clube, em uma das maiores demonstrações de amor à camisa dessa história centenária. 

Como foi a chegada ao clube?

(Ademir) O Armando Renganeschi me viu jogar com o Bangu e me levou. O elenco me recebeu muito bem: Carabina, Scotto, Zequinha, Chinesinho, Valdir...

(Dudu)Era um ambiente alegre. Fomos bem tratados. Djalma Santos, Júlio Botelho e Vavá eram da seleção e davam segurança para nós.

Como surgiu o entrosamento entre vocês dois?

(Ademir) Eu era um jogador que não sabia defender direito, mas precisava voltar para marcar também. No Palmeiras, um completava o outro. Ele defendia muito bem e eu era mais clássico. Nós jogamos 12 anos juntos. Ele entendeu a maneira como eu jogava.

(Dudu) Na Ferroviária eu tinha muita liberdade. O Palmeiras era uma equipe grande e tinha um esquema tático definido. Certo jogo o Carabina e o Djalma Santos me chamaram para falar que eu estava correndo muito. Eu precisei assimilar o sentido de marcação e cobertura, deixando o Ademir mais à frente. Dividimos bem as funções e nós dois crescemos de produção. Jogamos 12 anos juntos e nos entendíamos só no olhar. Um aprendeu com o outro.

Qual o melhor técnico com quem vocês trabalharam no Palmeiras?

(Ademir) O Oswaldo Brandão. Ele ganhou tudo e manteve uma equipe por quatro anos seguidos. Eram 11 e mais quatro reservas.

(Dudu) Em 1972, fomos campeões de tudo. Em janeiro de 1973, o Brandão reuniu todos em Lindoia. Fomos para lá com a família. Aquilo valeu muito e ajudou o time a se unir. O Brandão conseguiu unir o grupo dentro e fora do campo.

Qual o melhor time: a primeira ou a segunda Academia?

(Ademir) A segunda conquistou mais títulos e jogou mais tempo. Ela marcou mais, todos sabem a escalação. A primeira durou só um ano, mas já jogávamos um futebol acadêmico.

(Dudu) A primeira tinha Valdir, Djalma Santos, Djalma Dias, Tupã, Servílio. Era uma seleção. A segunda também. Ela marcou mais por ter durado mais.

E como foi representar o Brasil em 1965 contra o Uruguai?

(Ademir) Foi mais simples porque era a nossa equipe. Chegamos no Mineirão já sabendo que seríamos titulares. Isso nos deixou tranquilos.

(Dudu) Os uruguaios achavam que iam enfrentar um time fraco. Começamos a tocar a bola e vencemos por 3 a 0. Eles não podiam nem respirar.

Vocês acreditam no surgimento de outra academia?

(Ademir) Não há mais afinidade do jogador com o clube. Isso existia quando jogávamos. Hoje é mais complicado. Mudou muito o futebol. O técnico não tem tempo para achar um time. É difícil achar 11 titulares e fazer jogar por muito tempo.

(Dudu) É difícil porque o futebol mudou. No nosso tempo o jogador ficava mais no clube. Vai ser difícil. Na época da Parmalat isso quase aconteceu.

Qual a maior conquista como jogador?

(Ademir) Foi ter jogado por 16 anos com a camisa do Palmeiras e ter entrado para a história do clube.

(Dudu) Chegar no Palmeiras e ser titular durante 12 anos. E com isso chegar à seleção brasileira.

O que o Palmeiras representa na sua vida?

(Ademir) Foi o clube que acreditou no meu futebol, me trouxe para São Paulo. Eu devo tudo ao Palmeiras. O clube deu a oportunidade de sermos campeões.

(Dudu) Tudo. Vim de Araraquara, cheguei aqui e consegui vencer as etapas, com muita dedicação e perseverança. 

O que esperar do futuro ?

(Ademir) Espero que o Palmeiras possa voltar a ter grandes vitórias.

(Dudu) Quero que o clube consiga diminuir as despesas e montar uma equipe forte para buscar vitórias e título. Temos esperança.

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