É preciso cobrar a CBF

Entidade deveria ter cancelado o jogo entre Coritiba e Corinthians após briga quase acabar em tragédia

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

19 Junho 2017 | 03h00

Começo com uma cobrança à CBF, que deveria ter paralisado o Campeonato Brasileiro nas primeira horas da manhã deste domingo, quando informações vindas de Curitiba davam conta de que um torcedor do Corinthians, de nome Jonathan José Gomes Silva, de 29 anos, havia morrido de tanto apanhar de rivais do Coritiba. As duas equipes se enfrentariam às 11 horas, no Estádio Couto Pereira, na capital paranaense. O ônibus dos corintianos errou o caminho, desgarrou do comboio, o motorista titubeou e um dos torcedores foi arrancado da condução para ser (quase) linchado em rua pública. Chutes na cara, na barriga, em todos os lugares do corpo, de um e de muitos torcedores do Coritiba, até que o rapaz desacordou no meio da avenida e as primeiras sirenes da polícia foram ouvidas. Foi dado como morto até pelo delegado que conduziu o caso.

Um vídeo da pancadaria circulou pela internet. Mais do que o horror das agressões covardes, deu vergonha de constatar o estágio de selvageria do torcedor de futebol. Não da maioria, mas daqueles que se propõem a brigar em estádios por nada, sem causa aparente, pelo simples fato de querer matar o seguidor do time adversário, seja ele corintiano, palmeirense, santista ou de qualquer outra bandeira do futebol.

Felizmente, descobriu-se no fim da tarde de domingo que Jonathan não estava morto, que o delegado havia se confundido com informações desencontradas e que o rapaz, já lúcido, recebeu alta do Hospital do Trabalhador após relato do médico: fratura no braço e traumatismo craniano. Sem entrar no mérito do atendimento, a liberação do corintiano por volta das 16h não condizia com as cenas que todos viram.

Um dos agressores foi preso. É bom registrar seu nome, repassado pelo delegado: João Carlos de Paula, 24 anos.

Ficará preso até que seja solto, como sempre ocorre nessas confusões de torcida. Existe uma lei não escrita entre eles de não se fazer boletim de ocorrência. Não precisa. O troco será dado na partida de volta do Brasileiro, lá em São Paulo, nas imediações da Arena Corinthians ou em alguma emboscada pelo caminho. Se não for agora, será mais para frente. É certo que aconteça. Tem sido assim há anos, há décadas até.

E por que é preciso cobrar a CBF? Porque o jogo entre Coritiba e Corinthians (0 a 0) não deveria ter acontecido, em respeito ao torcedor de bem, às regras, a uma punição exemplar para que não ocorra novamente em outras praças do Brasil. Mas como a confusão ocorreu por volta das 8h30, muito provavelmente não havia ninguém da CBF acordado para tomar a providência. Nem se fosse às 16h, tradicional horário dos jogos, poderia se esperar alguma coisa. A entidade que organiza o futebol no País não tem vontade de melhorar nada, tampouco de tomar medidas duras que fira anseios, desejos e negócios de seus parceiros. Segue o jogo e o morto que se ressuscite.

CORINTHIANS

O próprio técnico Fábio Carille disse que seu time foi prejudicado pelo atraso na chegada ao estádio e nos preparativos por causa da briga de torcida. Cobrou providências dos organizadores. O empate sem gol mantém o time sem perder após oito rodadas do Nacional, nada mal nesse começo de torneio.

PALMEIRAS

Finalmente o time de Cuca jogou com mais coragem, sem medo de errar ou pressionado pelas cobranças. Resultado: 4 a 2 no Bahia, com gols bonitos e bem tramados. Festejou a primeira vitória no Brasileiro fora de casa. Até então, o Palmeiras amargava quatro tropeços. O Bahia também não havia perdido ainda na Fonte Nova.

SÃO PAULO

A derrota por 2 a 1 para o Atlético-MG provocou fratura exposta na defesa do São Paulo. O setor voltou a cometer erros. A impressão é que ninguém quer ficar.

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