Ego e talento gigantes

Cristiano Ronaldo posudo? Sim, e com todo mérito. O português do Real é uma lenda do futebol

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2017 | 03h00

A história mostra que craques combinam com o Real Madrid. Uns e outros nasceram para identificar-se reciprocamente. E independentemente da nacionalidade. Tanto faz se é brasileiro, húngaro, francês, argentino, inglês, alemão, chileno, holandês. É bom de bola, entra na mira do clube mais premiado do futebol. Para se dar bem. 

Nas últimas temporadas, o dono da bola merengue é português e atende pelo nome civil e artístico de Cristiano Ronaldo. A camisa 7 lhe cai à perfeição, com elegância invejável, incomparável. Parece ter sido cortada apenas para envelopar com luxo a arte do maior astro nascido em terras lusitanas. O moço voa com ela, tão rápido ao deslocar-se pra cá e pra lá que os adversários ficam zonzos, atarantados, sem saber como pará-lo. 

As vítimas são recorrentes, e aumentaram de uns tempos para cá. Não importa, tampouco, se vem do campeonato local ou de competição internacional. Às vezes, coincide de ser as duas coisas ao mesmo tempo. Que o digam os zagueiros do Atlético de Madrid, até agora à procura do furacão Cristiano que os arrasou no Santiago Bernabéu.

Quem foi ao mítico estádio madrilenho, na noite de ontem, saiu de novo encantado com outro espetáculo único oferecido pelo Bola de Ouro: fez os gols da vitória por 3 a 0, participou de outras jogadas decisivas, praticamente colocou o time em outra decisão da Liga dos Campeões. E, de quebra, ampliou o recorde de gols (agora 104) no torneio de que seu time já tem 11 taças.

Para variar, foi o destaque, o centro de atenções dos fãs do Real e motivo de tormenta para os rivais, com os dribles, as cabeçadas, os arremates certeiros. Com direito a olhar-se no telão, a reafirmar que se acha lindo, o máximo, como complemento de cada comemoração de gol, outra marca registrada.

Cristiano já cavou lugar na galeria das maiores estrelas do esporte bretão, como escreveriam cronistas clássicos. Como todo gênio tem consciência disso. Vaidoso, ego inflado? Sim, e não há problema algum. Merece imodéstia, pois possui talento gigantesco. Como um dom puxa outro, tem a sorte de jogar ao lado de um punhado de foras de série. Tremenda moleza torcer pro Real Madrid; garantia de alegria e rotina de conquistas. Fácil escrever a respeito de Cristiano Ronaldo; as palavras brotam sem esforço, com naturalidade. 

O FUNIL ESTREITA

A maioria dos brasileiros na disputa da Libertadores entra em cena neste meio de semana, quase todos pela quinta rodada da fase de grupos. A depender de combinação de resultados, a metade já pode preparar planos para a etapa de mata-mata. A situação mais tranquila, na teoria, é a de Palmeiras e Grêmio, ambos com 10 pontos nas respectivas chaves, e com obrigação de fazer um ponto em dois jogos. Ou seja, se por acaso não se garantirem nesta quarta-feira, fora de casa (contra Jorge Wilstermann e Iquique), têm chance na seguinte. Atlético-PR, Fla e Atlético-MG podem juntar-se à dupla, se vencerem. O Santos joga amanhã, pela 4.ª rodada. 

O alívio palmeirense veio com a vitória dramática, e de virada, por 3 a 2 sobre o Peñarol, na semana passada. O jogo em Montevidéu tem tudo para representar marca na caminhada do campeão brasileiro no campeonato sul-americano. O técnico Eduardo Baptista confirmou esquema e praticamente os titulares da apresentação anterior. Abre mão de Felipe Melo (suspenso) e de Borja, em fase ruim. O colombiano chegou como candidato a ídolo; porém, tem oscilado e precisa de cuidado, conversa e bom senso para não se transformar em estorvo para o treinador. 

COMO É?!

Na coluna de domingo, escrevi que não iria repetir-se, em Campinas, o placar do jogo da Ponte com o Palmeiras pelas semifinais (3 a 0). O Corinthians me desmentiu.

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