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Copa 2014

Eliminada, Itália busca identificar o que deu errado

Luís Augusto Monaco - enviado especial a Natal - O Estado de S. Paulo

25 Junho 2014 | 19h 23

Desde os mundiais de 1962 e 1966, a seleção italiana não era eliminada duas vezes seguidas na primeira fase

Balotelli chegou ao Mundial como um dos trunfos da Itália para ir longe e partiu nesta quarta-feira à tarde como o grande vilão da eliminação precoce. Ele foi bombardeado pela imprensa, criticado - de forma indireta, mas clara - por líderes do elenco como Buffon, Chiellini e De Rossi e, com todas as letras, pelo técnico Cesare Prandelli. Mas se em campo não conseguiu dar a resposta que queria aos ataques que recebeu, usou as redes sociais para se defender. E publicou um duro texto em sua conta no Instagram em que afirma que é criticado por não ser considerado italiano e ser negro.

Do outro lado, a acusação recorrente contra Balotelli é de falta de comprometimento nos jogos e treinos e de não ter espírito de grupo. Depois do jogo contra o Uruguai, sem citar nomes, o capitão Buffon deu uma estocada no atacante. "Dizem que eu, Chiellini, Barzagli e De Rossi estamos velhos, mas em campo somos sempre nós que damos a cara. Tem gente que se esforçava em campo, e gente que não se esforçava." De Rossi deu mais pistas sobre o descontentamento com Balotelli: "Para levantar a seleção precisaremos de homens de verdade, e não de personagens."

Fora de campo, o centroavante do Milan é considerado egoísta por viver num mundo só seu, sem se preocupar em estreitar o relacionamento com os companheiros. Um exemplo é que terça-feira ele foi direto para o ônibus quando o jogo acabou, e ficou lá sozinho por 30 minutos ouvindo música até que foram chamá-lo para voltar ao vestiário porque Pirlo queria fazer um discurso de despedida (foi seu último jogo pela seleção) para todos os companheiros.

Antonio Calanni/AP Photo
Balotelli disse em uma conta na rede social que irá torcer para o Brasil ser campeão Mundial

Buffon e Chiellini também se decepcionaram muito com o comportamento de Cassano (outro individualista), Cerci e Insigne (acham que agiram como turistas por saberem que tinham pouca chance de jogar).

A divisão entre veteranos e novatos mostra que Prandelli tinha perdido o controle do grupo. Mas não foi esse o seu único erro. Quando precisou mexer no time contra Costa Rica e Uruguai, ficou claro que se equivocou na escolha de alguns jogadores. Não havia um meia habilidoso no banco, que poderia ter sido Florenzi, da Roma. E também foi evidente que Cassano e Insigne não tinham força física para suportar os rigores do clima Brasileiro. Nesse caso, a imprensa italiana sustenta que Destro, também da Roma, teria sido mais útil por ser forte e goleador. Outro erro foi ter convocado apenas três laterais, todos destros. Sem um canhoto (Criscito e Pasqual eram as opções), a equipe nunca teve opção de jogadas de fundo por aquele lado.

Também saltou aos olhos que a preparação física não era a ideal, embora antes e durante o Mundial o treinador tivesse apregoado que os jogadores chegavam em condições muito melhores em relação à Copa das Confederações. O fato é que o time foi atropelado por Costa Rica e Uruguai nesse aspecto, e a imagem desse fracasso foi a substituição de Immobile (que só tinha jogado 15 minutos contra a Inglaterra na estreia) por causa de cãibras contra os uruguaios.

Para a sucessão de Prandelli, que pediu demissão logo depois da partida, os dois nomes favoritos são Roberto Mancini (que já dirigiu Inter e Manchester City e acaba de deixar o Galatasaray) e Massimiliano Allegri, sem emprego desde que foi demitido do Milan no início do ano. Mas para aceitar o cargo ambos terão de reduzir bem o salário que estão acostumados a ganhar nos clubes, porque a Federação Italiana de Futebol não paga tão bem. Prandelli, por exemplo, ganhava por ano 1,5 milhão de euros (R$ 4,5 milhões) e mais 200 mil euros (R$ 600 mil) de direito de imagem.

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