Milton Machida/Estadão
Milton Machida/Estadão

Em 1999, Gama foi à justiça comum após descenso

Ação do clube do DF deu origem à virada de mesa

O Estado de S. Paulo

18 Dezembro 2013 | 05h00

SÃO PAULO - Nenhum dos torcedores que estavam no Morumbi na noite de 4 de agosto de 1999 sabia, mas eles presenciavam a concepção de algo novo no futebol brasileiro - não exatamente algo bom. A goleada por 6 a 1 do São Paulo sobre o Botafogo gerou uma das mais rocambolescas viradas de mesa da história do País, tendo como protagonista um clube que não entrou no campo do estádio são-paulino naquela noite de inverno: o Gama.

Um dos gols do São Paulo sobre o Botafogo foi marcado por Sandro Hiroshi, promissor atacante que o clube havia contratado do Rio Branco, de Americana. Ocorre que, semanas depois, descobriu-se que houve problemas na transferência de Sandro do Tocantinópolis, time em que iniciou a carreira, para o Rio Branco. O clube de Tocantins alegava que era dono do passe do atacante e que, portanto, ele não poderia ter sido vendido para o São Paulo.

Sabendo disso, o Botafogo foi à Justiça Desportiva para pedir os pontos do jogo contra o São Paulo, alegando que Sandro Hiroshi havia sido inscrito no Campeonato Brasileiro de modo irregular - naquela época, vigorava uma portaria da CBF que possibilitava a mudança do resultado de uma partida em caso de escalação de jogador em situação ilegal. O Botafogo ganhou os pontos e o São Paulo fracassou em suas tentativas de anular essa decisão. E é aí que entra o Gama na história.

Graças aos pontos ganhos no tapetão, o Botafogo se salvou da queda para a Série B e o rebaixado em seu lugar foi o Gama (exatamente como ocorre agora com Fluminense e Lusa). Inconformado, o clube apelou à Justiça comum - na verdade, foram o PFL e o Sindicato dos Técnicos do Distrito Federal que entraram com a ação. Os tribunais deram razão ao Gama e todos os recursos da CBF foram rejeitados - a entidade chegou a ser ameaçada de suspensão pela Fifa por causa do imbróglio.

Obrigada pela Justiça a incluir o Gama na Série A, a CBF passou a bola para o Clube dos 13, que criou a Copa João Havelange - e sem o Gama. O clube do Distrito Federal foi de novo à Justiça comum e de novo saiu vencedor. Os recursos da CBF e do Clube dos 13 mais uma vez não deram em nada. Por fim, em junho de 2000 o Gama, a CBF e o Clube dos 13 chegaram a um acordo e o clube foi incluído no módulo principal da João Havelange. Junto com ele, entraram “de carona” Fluminense, Bahia e América-MG, que não estavam na Primeira Divisão naquela época.

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