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Copa 2014

Empresas que compraram camarote no Maracanã acionam Justiça contra Fifa

Jamil Chade - Enviado especial ao Rio - O Estado de S. Paulo

22 Junho 2014 | 11h 20

Depois de pagarem US$ 1,2 mi, descobriram que a visão do campo que eles tem é seriamente bloqueada por uma câmera de televisão

Atualizada às 19h20

Empresas que compraram camarotes no Maracanã se preparam para ir à Justiça contra a Fifa e contra a empresa que vendeu as alas de luxo do estádio, a Match. Motivo: depois de pagarem US$ 1,2 milhão por locais privilegiados, descobriram que a visão do campo que eles tem é seriamente bloqueada por uma câmera de televisão colocada diante das cadeiras. 

A empresa preferiu não ter seu nome revelado enquanto o caso não é resolvido. A companhia, porém, indica que já notificou a Fifa e quer providências. Na segunda-feira, se nada for feito, a empresa promete ir à Justiça.  

Estadão
Visão do campo bloqueada por uma câmera de televisão colocada diante das cadeiras

A reportagem do Estado mostrou a foto da visão dos convidados para a porta-voz da Fifa, Delia Fischer. A resposta da assessora era de que "certamente" os convidados haviam "errado" de lugar e que o assento correto não deveria ser aquele. 

Dezenas de empresas tem usado a Copa como estratégia de marketing, convidando executivos de todo o mundo e investindo milhões de reais durante o evento. 

O Estado apurou que os donos de camarotes também tem feito repetidas reclamações à Fifa. Na ala VIP, faltou água para vender no primeiro jogo em São Paulo e, pelas regras da entidade, não se pode entrar com garrafas. 

No pacote milionário, era prometido que os convidados teriam acesso de carro até o portão que dava acesso aos camarotes. Mas, no dia do jogo, foram obrigados a estacionar dois quilômetros do local. 

Durante a abertura da Copa, um grupo de convidados chegou a ficar uma hora e meia perambulando pelo Itaquerão sem que os funcionários da Fifa soubessem indicar onde era o camarote. 

A Match é a empresa que vende e administra as alas de luxo e camarotes dos estádios, com o direito exclusivo sobre todo o negócio. Mas suas relações com a Fifa são alvos de constantes polêmicas. Um dos sócios da holding que opera a Match é Phillip Blatter, sobrinho do manda-chuva da Fifa, Joseph Blatter. 

Nesta semana, o Estado presenciou como Blatter, o tio, tranquilamente tomava seu café da manhã no Rio de Janeiro ao lado do sobrinho em um hotel de luxo da cidade.

CORREÇÃO: Ao contrário do que foi publicado em versão anterior, a assessoria de imprensa do Grupo Pão de Açúcar informa que a empresa "não move qualquer ação ou processo contra a Fifa". A reportagem já foi atualizada.

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