Enigma verde

Conseguirá o Palmeiras repetir escalação, ao menos por dois jogos, até o fim do campeonato?

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2017 | 05h00

O Palmeiras começou o ano cheio de expectativas e contratações caras. Despontava como o bicho-papão, o rival comum a ser batido, o temível depredador do mercado da bola. Não se chegou nem à metade de agosto e, em vez de conquistas, acumula frustrações... o Paulista, a Copa do Brasil, a Libertadores. No Brasileiro, com 32 pontos em 19 rodadas, está a 15 do líder Corinthians. Ou seja, neste momento, só lhe resta fazer figuração ou lutar por vaga na competição sul-americana de 2018. 

A equipe sensação caminha para se transformar na decepção do ano, talvez mais do que Flamengo e Atlético, outros clubes que montaram grandes e caros elencos. Os cariocas não vão bem na Série A, mas conquistaram o Estadual e continuam vivos na Copa do Brasil e na Sul-Americana. Os mineiros capengam na elite e se consolam, também, com a taça local. Vá lá, ao menos fizeram uma festa de campeão...

O Palmeiras é um ponto de interrogação para o returno, a partir do clássico deste domingo com o Vasco. Imprevisível saber do que será capaz nos próximos 19 jogos, antes de entrar em férias. Acrescente-se a isso um enigma: conseguirá repetir escalação, no mínimo, por duas vezes? Algo até agora inédito em 2017, seja sob o comando de Eduardo Baptista ou de Cuca.

Os dois treinadores não chegaram à conclusão a respeito da formação ideal. O primeiro foi embora pouco depois da largada do torneio nacional, com um esboço de titulares. Cuca experimenta, testa, observa, mexe, em algumas ocasiões inventa, e... nada. No oitavo mês, o torcedor não tem na ponta da língua os 11 principais jogadores. E, vá lá, os cinco ou seis reservas imediatos, como acontece com o Corinthians. 

Claro que ter opções para todos os setores é ótimo. Desde que se use com critério e discernimento. O que se viu, ao longo deste período, uma série de trocas que não levou ao surgimento de um conjunto forte e confiável. O Palmeiras continua a ser um apanhado de atletas de boa e média qualidade, mas não é um time. E isso ajuda a explicar os aborrecimentos que acumula até aqui.

Nos jogos recentes, e decisivos, pela Copa do Brasil e Libertadores – e também Brasileiro –, os palmeirenses se superaram na base da raça e do valor individual. Aspectos importantes, sem dúvida, mas insuficientes, se não vierem reforçados por planejamento tático e organização em campo. 

O time mostra pobreza franciscana em estratégia, que deve ir além de chuveirinhos na área ou fortes cobranças de lateral. Tampouco foram de ajuda fundamental as superstições de Cuca, com os beijos na santinha, a calça vinho das grandes conquistas ou passar a mão na careca do auxiliar técnico durante cobranças de pênaltis. O folclore e a fé fazem parte do dia a dia – na essência, não prejudicam. Assim como não resolvem, se não há esquema útil.

Como desgraça pouca é bobagem, a enfermaria verde está lotada, e de gente importante: de uma tacada, ficam fora Jaílson, Mina e Dudu, e todos por diversas semanas. De fato, será proeza se o Palmeiras tiver escalação repetida. E a torcida mantém pé atrás, com a possibilidade de reviravolta na sorte no Brasileiro.

 

Dilema tricolor

A propósito de apreensão e temor, o São Paulo tem obrigação de amealhar por volta de 27 pontos no segundo turno. Pela projeção de momento, com 46 se safa do vexame da queda para a Segundona. Tarefa que demanda competência, embora nada impossível. 

Melhor maneira de encurtar o caminho da salvação é vencer os 10 jogos que terá como mandante, a iniciar com o clássico matinal com o Cruzeiro. Dorival Júnior havia optado por um grupo de titulares, tão logo chegou, mas resolveu recorrer a modificações. À procura de equilíbrio ou por desespero? Eis o dilema.

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