Entre ajustes e acertos

Estreia da coluna faz um balanço da primeira rodada do Campeonato Brasileiro

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S. Paulo

15 Maio 2017 | 03h00

Transformações, evolução em meio à temporada, com o Campeonato Brasileiro em andamento. Ponto em comum entre os times da Série A. É o caso até do campeão, Palmeiras, que já trocou de técnico e neste domingo não foi o de 2016, dos laterais cobrados na área, pressão, briga pela bola, defesa sólida e muita entrega.

Como tentava Eduardo Baptista, teve bola no chão, jogadas trabalhadas, e um lado direito, decisivo. Cuca voltou e foi feliz quando mandou Tchê Tchê para a lateral, puxando Jean para formar como volante. O Vasco teve volume no primeiro tempo, criou, mas sua defesa, fragilíssima, não foi perdoada em duelo resolvido rapidamente.

A desatenção de Maicon numa cobrança de lateral abriu caminho para o gol de Ábila. Ele definiu a vitória do Cruzeiro sobre um São Paulo sem a intensidade do encontro pela Copa do Brasil, quando precisava vencer por dois gols. Time em busca do equilíbrio, confuso na definição das jogadas e que pagou caro pela desconcentração.

Em 2017 o Santos já foi derrotado por todos os adversários de primeira divisão, agora pelo Fluminense. A jogada do terceiro gol tricolor, de Sornoza, foi antecedida por longa troca de passes, ante a passividade do time santista, que fez apenas oito desarmes certos em 90 minutos. Que é preciso melhorar já está claro desde o Paulista.

Flamengo e Atlético fizeram ótima abertura, ante mais de 50 mil pessoas, embora também careçam de ajustes. Os rubro-negros mantêm a dificuldade para transformar chances em gols, e o Galo já não é mais “doido”, com boa consistência defensiva. Contudo, possui atletas importantes acima dos 30 anos, o que poderá pesar.

Logo após o apito final no Maracanã, 33 mil corintianos viram o time ter mais posse de bola, algo raro, e só finalizar cinco vezes, contra 15 da Chapecoense, que somou quatro finalizações certas, o dobro do campeão paulista. Foram 548 passes certos contra 226 dos visitantes, e ainda assim o time catarinense ameaçou mais.

A Chape buscou o empate e poderia vencer. Ter a bola por mais tempo, agir ao invés de reagir, abrir os espaços na defesa rival, perceber que não basta fechar a sua. Criar e finalizar. Assim serão muitos jogos do Corinthians em seus domínios. Urge a ampliação do repertório de um time que não acertou o alvo uma vez sequer a segunda etapa.

Pelo material humano e recursos financeiros, é claro que o Palmeiras tem mais possibilidades. Maiores dúvidas envolvem São Paulo e Corinthians. Rogério Ceni surgiu cheio de convicções, mas se vê obrigado a repensá-las. Fábio Carille sabe bem, o que lhe bastou para ser campeão paulista é pouco para o Brasileiro.

Com quase quatro meses de temporada, times seguem se formando, se transformando, agora num campeonato que não dá tantas chances de recuperação.

MAIO LEVE PARA ALGUNS...

Calendário suave. Do 1 a 1 com a Chapecoense à visita ao Vitória, (dia 21), até o Atlético em Goiânia (28), serão mais três jogos do Corinthians no mês. Um a cada cinco dias, todos pelo Brasileiro, como serão os do São Paulo, com intervalo médio de 4,3 dias. Neste domingo o Cruzeiro fora, dias 21 Avaí e 27 Palmeiras, ambos no Morumbi.

...PESADO PARA OUTROS

Maratona intensa. O clássico vai fechar o mês alviverde, com cinco pelejas, uma a cada 2,6 dias, por três competições! Contudo, só viajará uma vez, a Chapecó. O Santos terá o mesmo número de compromissos por dois certames – 2,8 dias entre eles. Mas já foi a Belém, domingo jogou no Rio de Janeiro e já arruma malas para voar à Bolívia. Extremos!

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