Eternos presidentes e seus maiores ídolos da história do Palmeiras

Do atual, Paulo Nobre, até o mais antigo ainda vivo, Facchina, dirigentes falam sobre o que esperam do futuro do clube centenário

Daniel Batista, Diego Salgado, Glauco de Pierri e Gustavo Zucchi, O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2014 | 06h00

Do goleiro ao ponta-esquerda, quatro times da história do Palmeiras são apontados como marcantes por ex-presidentes. Os dirigentes, em entrevista ao Estado, ressaltaram a importância das duas Academias, do esquadrão montado em 1993 e do time responsável pelo ataque de 102 gols no Paulistão de 1996. Mustafá Contursi, mandatário do clube entre 1993 e 2004, é eclético. Prefere não escolher um esquadrão. "Todos os times marcaram época e são importantes."Entre os jogadores, lembra de vários: Romeu, Avelino, Gabardo, Djalma Santos, Valdir, Oberdan, Mazzola, Dudu, Ademir, Leivinha, Luis Pereira e, mais recentemente, o goleiro Marcos.

Para Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente entre 2009 e 2010, a equipe treinada por Vanderlei Luxemburgo e comandada por Rivaldo, Djalminha e Cafu desbanca os times mais anteriores. “Era impressionante, uma máquina de jogar futebol. Uma lição. Muito acima, inclusive, do padrão que a Alemanha apresentou na Copa."

Arnaldo Tirone, que ficou à frente do clube em 2011 e 2012, cita os feitos conquistados pela Primeira Academia, comandada por Filpo Nuñez, lembrada sobretudo pela vitória contra o Uruguai por 3 a 0 na inauguração do Mineirão, quando o Palmeiras representou a seleção. “Eu ia muito ao clube com meu pai e vi bastante aquele time. Era uma verdadeira seleção. Foi a equipe mais importante da história.”

O time também é apontado por Della Monica (2005-2008) como o mais marcante da história centenária do clube. Já Salvador Palaia elege a Segunda Academia como dona do futebol mais bonito. Para Carlos Facchina, presidente entre 1989 e 1992, as duas Academias e o time de 1993 estão no mesmo patamar. “Seria injusto escolher um só”, disse.

As escolhas dos ex-presidentes, em contrapartida, são diferentes em relação aos jogos e gols mais importantes. Belluzzo destaca dois gols do meia Alex – contra o River Plate, na semifinal da Libertadores de 1999, e contra o São Paulo, em 2002 – esse gol também é lembrado com carinho por Mustafá. “O gol do Zinho, de perna direita, na final do Paulistão de 1993, também foi marcante”, ressaltou. Palaia acredita que a defesa de Marcos no pênalti de Marcelinho, na Libertadores de 2000, valeu como um gol.

O gol de falta marcado por Romero na final do Paulistão de 1959, contra o Santos, é, para Tirone, o mais importante. Quase todos os dirigentes têm a mesma opinião em relação à principal partida: a final de 1993, com vitória por 4 a 0 sobre o arquirrival Corinthians no jogo que marcou o fim de jejum de 17 anos sem títulos.

Mustafá citou o empate por 2 a 2 com a Juventus de Turim no Maracanã e que valeu a Copa Rio de 1951 como o maior do clube – recentemente a conquista foi reconhecida como título mundial pela Fifa. Della Monica também ressalta esse título histórico. O gol mais bonito, para ele, está ligado à campanha: na primeira fase Ponce de León marcou o segundo gol do Palmeiras contra o Olympique de Nice. “Jair Rosa Pinto fintou três adversários sem tocar na bola antes de ele concluir.”

FUTURO

Os dirigentes têm pensamentos parecidos em relação ao futuro do clube. Para Mustafá, o Palmeiras precisa de “austeridade e responsabilidade" e ainda tem de encontrar o caminho para "se reabilitar na parte administrativa, por que aí as coisas acontecerão nas disputas esportivas”. Para ele, "não tem fórmula que resista ao desperdício". 

Outros lembram que a mudança pode ocorrer após a inauguração do estádio. "O clube daqui para frente terá novas receitas com o estádio. Tenho fé que o Palmeiras montará bons times e vai deslanchar", disse Tirone.

Belluzzo lembra que, além do estádio, será preciso repensar as relações internas e evitar os conflitos das últimas gestões. "Espero que o futuro esteja à altura do seu passado. É preciso enxergar o passado para projetar o futuro." Facchina cita dificuldades do passado, como a mudança de nome. "Estamos acostumados. Mas é tudo passageiro. Voltaremos a ser referência no País."

SELEÇÃO DOS PRESIDENTES

Paulo Nobre (2013 - atual):

Marcos; Arce, Luís Pereira, Cléber e Roberto Carlos; César Sampaio, Jorginho Putinatti, Jorge Mendonça, Alex e Rivaldo; Evair.

Técnico:  Telê Santana

Arnaldo Tirone (2011-2012):

Leão; Djalma Santos, Luís Pereira, Waldemar Fiúme e Roberto Carlos; Dudu, Ademir da Guia e Rivaldo; Edmundo, Evair e Jorge Mendonça.

Técnico:  Telê Santana

Luiz Gonzaga Belluzzo (2009-2010)

Marcos; Djalma Santos, Luís Pereira, Valdemar Carabina e Geraldo Scotto; Dudu, Ademir da Guia e Rivaldo; Julinho Botelho, Mazzola e Edmundo.

Técnico: Osvaldo Brandão

Afonso Della Mônica (2005-2008) 

Oberdan; Djalma Santos, Luís Pereira, Aldemar e Geraldo Scotto; Valdemar Fiúme, Jair Rosa Pinto e Ademir da Guia; Julinho Botelho, Mazzola e Rodrigues.

Técnico: Filpo Nuñez

Salvador Hugo Palaia (2010)

Leão; Djalma Santos, Luís Pereira, Aldemar e Geraldo Scotto; Dudu e  Ademir da Guia; Julinho Botelho, César Maluco,  Edmundo e Rodrigues.  

Técnico: Filpo Nuñez

Mustafá Contursi (1993 a 2004)

Oberdan; Djalma Santos, Luís Pereira, Djalma Dias e Geraldo Scotto; Dudu,  Ademir da Guia e Chinesinho; Julinho Botelho,  Mazzola e Leivinha.

Técnico: Fleitas Solich

Carlos Facchina (1989 a 1992)

Oberdan; Cafu, Luís Pereira, Waldemar Fiúme e Roberto Carlos; Dudu, César Sampaio, Ademir da Guia e Rivaldo; Julinho Botelho e Vavá.

Técnico: Filpo Nuñez

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