Eu quero Messi na Copa

O melhor jogador do mundo, ao lado de Cristiano Ronaldo, não pode ficar fora do torneio

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2017 | 04h00

O título acima pode parecer presunçoso. Não é. Está mais para desejo de quem aprendeu a aplaudir e a sorrir sozinho, olhando para o televisor, ao ver o jogador argentino fazendo das suas na seleção e, sobretudo, no Barcelona. A Copa do Mundo precisa de Messi, principalmente porque a competição na Rússia, no ano que vem, pode ser sua última, tanto pela idade (30 anos hoje) quanto pela sucessão natural no futebol. Dybala começa a pedir passagem na equipe.

Aí, ficará aquela sensação de que “quem viu, viu, quem não viu, não vê mais.” E as diabruras de Messi serão contadas por gerações, na Argentina, no Brasil, em todos os lugares do mundo, por aqueles que amam o futebol bem jogado, de qualidade, que saberão do talento natural de um garoto que foi arrancado dos seus pais para ganhar o mundo em outro país, a Espanha. Até lá, a Catalunha, cuja capital sempre foi Barcelona, talvez seja independente.

Seus gols (quase 600) também serão revistos, um mais bonito do que o outro. Eles serão comentados, alguns mais novos poderão questionar se Messi foi tudo isso mesmo, como fazem hoje com Pelé e Maradona. De antemão, anos antes de a pergunta ser formulada, já digo que sim. E discuto com quem discordar. Algum cineasta que talvez nem tenha nascido tentará fazer um filme da vida e obra do camisa 10.

E Lionel Messi se tornará lenda, a exemplo de alguns outros, como Pelé, Maradona, Platini e Cruyff. Quem viu, viu! Quem não viu, não vê mais!

Então, juro, quero ver Messi na próxima Copa do Mundo, mesmo sabendo que uma Argentina classificada na bacia das almas, na última rodada das Eliminatórias Sul-Americanas ou então na repescagem significa uma redução na possibilidade de o Brasil conseguir seu sexto título Mundial.

Em 1990, por exemplo, um gol de Caniggia, após passe de Maradona, tirou a seleção brasileira da competição na Itália. No Mundial de 2014, no Maracanã, a Argentina, de Messi, disputou a taça, e perdeu, contra a Alemanha. Então, todos nós, brasileiros, sabemos o que representa a presença de Messi na Rússia. Mesmo assim, a competição não pode abrir mão dele. Nós não podemos abrir mão de Messi para o bem da disputa e de todos que apreciam o bom futebol, o futebol inventivo, a força e tradição de uma camisa, o respeito a um time que já foi campeão do mundo.

Messi levará prestígio ao Mundial. Mesmo se para alguns, ou muitos, ele não é na Argentina metade do que costuma ser no Barcelona. Isso não importa. Só de vê-lo enfileirado em campo, com seus companheiros, à espera do hino nacional antes de algum jogo na Rússia, já vai estar de bom tamanho, ainda que a Argentina faça feio, seja eliminada na primeira fase, dada a dificuldade que enfrenta no continente para obter sua vaga. A Argentina está fora da Copa hoje. Em sexto lugar, não tem direito nem à repescagem. Terá de ganhar do Equador na terça, em Quito, para se garantir. Só depende dessa vitória, mesmo que depois tenha de ter mais uma disputa contra o representante da Oceania, que é a Nova Zelândia, em caso de ficar com a quinta vaga da competição.

Alemanha

A Alemanha encerrou neste domingo sua caminhada nas Eliminatórias da Europa. Poderia nem ter disputado o torneio, como era reservado antes ao último campeão. Teve 100% de aproveitamento nos dez jogos, marcando 42 gols. Tenho medo da Alemanha na Rússia.

Brasil

Vai ser muito difícil para Tite motivar a rapaziada até 2018. Talvez seja esse seu maior desafio desde que assumiu a seleção no limbo para levá-la ao primeiro lugar na América do Sul e conseguir vaga direta, e antecipada, para a Rússia. Depois da partida contra o Chile, terça-feira, a equipe fará apenas amistosos.

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