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Esportes

Copa 2014

Evolução da Costa Rica tem participação de brasileiro

Alexandre Guimarães já foi técnico da seleção e hoje seu filho, Celso Borges, é volante da equipe sensação do Mundial

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Ciro Campos,
O Estado de S. Paulo

23 Junho 2014 | 05h00

A história da evolução do futebol da Costa Rica até se tornar a sensação da Copa do Mundo deve muito a um brasileiro. O alagoano Alexandre Guimarães tem ligação com as quatro participações da equipe na história do torneio. Com a autoridade de quem mora no país há 35 anos, garante que a boa campanha não chega ser uma grande surpresa.

Na primeira vez em que a Costa Rica jogou uma Copa, em 1990, Alexandre atuava como atacante. Depois, em 2002 e 2006, foi o técnico da equipe e agora, em 2014, vê o filho, o volante Celso Borges, de 26 anos, ser titular do time que está classificado para as oitavas de final.

"Muitos falam que é uma surpresa, mas dizem isso por desconhecimento. Eles fizeram ótima campanha nas eliminatórias, tiveram a melhor defesa e só não terminaram em primeiro porque perderam para os Estados Unidos em um jogo sob nevasca, que deveria ter sido cancelado", afirmou.

Segundo Guimarães, uma série de conquistas anteriores possibilitaram aos costa-riquenhos garantir bons resultados na Copa do Brasil. A federação nacional passou a dar mais atenção às categorias de base e, graças a isso, viu o país ser semifinalista do Mundial sub-20, em 2009, no Egito.

Os campeonatos locais também se fortaleceram e o país chegou até mesmo a colocar um representante no Mundial de Clubes, com o Saprissa, terceiro colocado na edição de 2005.

Dos 23 jogadores do elenco, 14 atuam fora, incluindo o filho de Alexandre, que defende o AIK, da Suécia. “O Celso foi jogar na Europa quando tinha 19 anos e já superou o que eu consegui na carreira, apesar de ter sido muito comparado a mim”, disse. O volante pouco teve tempo de conversar com o pai depois da vitória sobre a Itália, mas chegou a revelar que estava emocionado pelo feito histórico.

As vitórias sobre Uruguai e Itália fizeram a equipe atual repetir a campanha de 1990, quando o país chegou às oitavas de final. Na ocasião, depois de enfrentar na fase de grupos Brasil, Escócia e Suécia, foi eliminada pela Checoslováquia.

"O grupo atual é parecido com o daquela época. É unido e tem vontade de bater os recordes atingidos anteriormente. A geração joga com garra e com a raiva de ter sido eliminada na repescagem para a Copa de 2010, pelo Uruguai", explicou.

Guima, como é conhecido na Costa Rica, às vezes confunde o português com o espanhol e decidiu dar uma parada na carreira de técnico no fim do ano passado, quando estava no futebol chinês. Quis ficar com o semestre livre para poder vir até o Brasil visitar familiares e ver a Copa. Com isso, vê de perto os feitos históricos da equipe e já projeta o futuro.

A ótima campanha deve consolidar a Costa Rica no cenário internacional e possibilitar que a federação consiga marcar mais amistosos, chances ótimas para evoluir.

Ainda nesta Copa, a tabela no mata-mata indica jogos com adversários do grupo C, teoricamente menos gabaritados que os da primeira fase. Nem assim o ímpeto do time vai diminuir. "É do povo costa-riquenho gostar de desafios e não se desanimar diante das dificuldades. Eles podem aprontar ainda mais", garantiu.